
O ex-CEO da agência de viagens Hurb, João Ricardo Rangel Mendes, responde a pelo menos 1.400 processos judiciais na esfera cível, movidos por clientes que não conseguiram realizar viagens contratadas. Além do elevado volume de ações, o empresário passou a ser considerado foragido após a Justiça do Rio de Janeiro decretar sua prisão preventiva por descumprimento de medidas cautelares. O Ministério Público do Rio de Janeiro solicitou sua inclusão na lista vermelha de procurados da Interpol.
Levantamento divulgado pelo RJ2 revela a dimensão dos prejuízos enfrentados por consumidores que adquiriram pacotes turísticos junto à Hurb, antiga Hotel Urbano. Entre os clientes lesados está o conselheiro tutelar Matheus Faria, que aguarda há cerca de dois anos a realização de uma viagem de lua de mel para Roma.
Segundo Matheus, a viagem tinha um significado especial para o casal. “Para mim e para minha esposa era uma questão religiosa, nosso sonho era ir a Roma para receber a bênção do Papa”, afirmou. O pacote adquirido junto à empresa custou mais de R$ 4,5 mil. Desconfiado de que a viagem não seria realizada, ele decidiu recorrer à Justiça.
A Hurb foi condenada judicialmente a emitir os vouchers da viagem, sob pena de multa diária. No entanto, a determinação não foi cumprida. “A Hurb não cumpriu com essa determinação. E uma vez que não existe mais os vouchers, virou perda e danos. Estamos pedindo para que os sócios façam esse pagamento, em especial o João”, explicou o advogado André Luís Oliveira, que representa o casal.
Hurb: prisão, medidas cautelares e nova decisão da Justiça
No âmbito criminal, João Ricardo foi preso pela primeira vez em abril do ano passado, em flagrante, acusado de furtar obras de arte de um hotel e peças de um escritório de arquitetura. Quatro meses depois, a prisão foi substituída por medidas cautelares, sob o argumento de comprometimento da saúde mental.

Entre as determinações impostas pela Justiça, o empresário deveria se apresentar mensalmente, não poderia deixar o estado do Rio de Janeiro por mais de 30 dias e precisava entregar relatórios médicos periódicos. Segundo o Ministério Público, essas exigências deixaram de ser cumpridas.
No fim de janeiro, João Ricardo chegou a ficar preso por um dia em Jericoacoara, no Ceará, ao tentar embarcar em um voo com destino a São Paulo. De acordo com as investigações, ele utilizava documento falso e a tornozeleira eletrônica estava descarregada no momento da abordagem.
Após audiência de custódia, o empresário foi solto. Poucos dias depois, a Justiça do Rio determinou novamente sua prisão preventiva, reforçando o entendimento de que houve descumprimento das medidas judiciais anteriormente estabelecidas.







