Karin Rocha: a líder que encontrou no turismo uma nova paixão profissional
Karin Rocha, diretora executiva de Jurídico e Compliance da CVC Corp

A trajetória de Karin Rocha no turismo começou de forma inesperada, mas rapidamente se transformou em uma das experiências mais marcantes de sua carreira. Hoje diretora executiva de Jurídico e Compliance da CVC Corp, a executiva chegou ao setor em um dos momentos mais desafiadores da história da indústria: a pandemia de Covid-19.

Formada em Direito em 2005, Karin construiu uma carreira sólida fora do turismo antes de assumir o cargo atual. Durante anos trabalhou no setor bancário e, posteriormente, passou uma década na indústria automobilística.

“Eu nunca tinha trabalhado com turismo. Sempre gostei muito de viajar, mas profissionalmente minha experiência era em outros setores”, conta.

Entrada no turismo em meio à pandemia

A mudança de setor aconteceu em 2020, em meio às incertezas provocadas pela pandemia. Karin recebeu o convite para integrar a CVC Corp justamente no período em que o turismo enfrentava remarcações em massa de viagens, novas legislações emergenciais e a queda brusca nas vendas.

Ela assumiu a missão de estruturar o jurídico da companhia naquele contexto complexo.

“Entrei em agosto de 2020, no meio de todas as remarcações, das legislações específicas da pandemia e de um dos períodos mais desafiadores para o setor.”

Além de lidar com mudanças regulatórias e demandas jurídicas inéditas, Karin também precisou se familiarizar rapidamente com o vocabulário e a dinâmica do turismo.

“Na minha primeira reunião eu só entendi uma palavra: ‘pax’, que significa passageiro. O resto era um mundo totalmente novo”, relembra.

O papel estratégico do jurídico

Desde então, a executiva tem trabalhado para reforçar a visão de que o departamento jurídico deve atuar como parceiro estratégico do negócio.

Segundo Karin, uma das missões de sua área é justamente aproximar o jurídico das demais áreas da empresa.

“Existe a impressão de que o jurídico não é parceiro do negócio, mas nosso papel é exatamente o contrário: ajudar a viabilizar as operações de forma segura”.

Ela explica que a atuação da equipe se baseia em três pilares: aproximar, assistir e viabilizar.

“Nosso objetivo é garantir que a empresa possa continuar realizando sonhos com segurança”.

Descobrindo o impacto do turismo

Ao longo dos últimos anos, Karin também passou a enxergar o turismo de uma forma mais ampla, especialmente ao entender o impacto econômico do setor.

Participando de reuniões estratégicas, projetos e até viagens técnicas, ela percebeu como a atividade influencia diretamente cidades, empregos e economias locais.

“O turismo vai muito além de viajar. Ele movimenta economias inteiras, gera empregos e transforma destinos”.

Para a executiva, essa dimensão do setor se tornou ainda mais evidente quando começou a acompanhar temas regulatórios e discussões sobre reforma tributária e legislação.

Paixão por viajar desde sempre

Embora tenha entrado no turismo apenas recentemente na carreira, Karin sempre teve uma forte relação pessoal com as viagens.

Ela conta que, ainda jovem, tinha o sonho de conhecer a Disney, um desejo que parecia distante na época.

“Eu vinha de uma família humilde e comprava todo ano uma edição especial da revista Capricho sobre Disney. Decorava tudo”.

Durante anos ela chegou até a fazer orçamentos de viagem para mostrar ao pai, mesmo sabendo que a viagem não era possível naquele momento. O sonho só se concretizou aos 26 anos, já casada.

“Foi uma das experiências mais marcantes da minha vida”.

Desde então, Karin se tornou a organizadora oficial das viagens da família e dos amigos, papel que mantém até hoje.

O melhor dos dois mundos

Trabalhar no turismo também ampliou o repertório de destinos e experiências da executiva. Segundo ela, muitas ideias de viagem surgem justamente a partir de conversas internas na companhia.

“É o melhor dos dois mundos. A gente descobre lugares e roteiros que muitas vezes nem sabia que existiam”.

Entre as experiências recentes estão viagens pelos parques estaduais da Califórnia e um roteiro planejado para Salta, no norte da Argentina.

Mulheres no turismo

Apesar de reconhecer que ainda há espaço para ampliar a presença feminina em posições de liderança, Karin destaca a força das mulheres dentro do setor.

Hoje, inclusive, sua própria equipe é majoritariamente feminina. “Tenho cerca de 40 pessoas no time e 80% são mulheres. As cinco lideranças que respondem diretamente para mim também são mulheres”.

Para ela, o turismo também se beneficia da sensibilidade e da capacidade de gestão que muitas profissionais trazem para o setor. “É um mercado cheio de mulheres incríveis e muito competentes”.

Mudança de carreira e desafios

A decisão de mudar de setor após duas décadas de carreira também trouxe questionamentos. Karin acredita que, muitas vezes, mulheres são mais desencorajadas a assumir riscos profissionais.

“A mudança de carreira costuma ser mais questionada quando é uma mulher. Existe sempre a ideia de que dar errado pode ser mais caro para nós”.

Mesmo assim, ela reforça que a experiência mostrou justamente o contrário. “Dá certo. Basta querer, acreditar e se dedicar”.

Uma paixão que só cresce

Após quase seis anos no turismo, Karin afirma que sua admiração pelo setor só aumentou. Para ela, a indústria tem um papel cada vez mais relevante na economia global.

“O turismo é uma das grandes economias do século XXI. Ele faz a roda girar”.

E, olhando para trás, a executiva acredita que a decisão de aceitar o convite em plena pandemia foi acertada.

“Eu pensei: quando tudo isso passar, as pessoas vão querer comprar carro ou viajar? Eu tinha certeza da resposta”.