Braztoa
Presidente faz balanço da gestão, destaca avanços e aponta desafios para a nova diretoria da Braztoa, que assume em janeiro de 2027 (Beatriz do Vale/M&E)

BEJA – O fortalecimento e a autonomia da equipe interna da Braztoa são o principal legado que Fabiano Camargo pretende deixar ao encerrar seu segundo e último mandato como presidente do Conselho de Administração da associação, em dezembro. À frente da entidade desde o fim da pandemia, o executivo acompanhou mudanças na estrutura de gestão, a atuação em pautas legislativas e tributárias e a ampliação da presença internacional da associação.

“O maior legado que vai ser deixado é o empoderamento cada vez maior da equipe interna, porque isso faz com que as decisões sejam mais ágeis e o trabalho seja muito melhor executado”, afirmou Camargo, durante a Convenção Braztoa 2026, no Alentejo, em Portugal.

Segundo ele, a mudança permite que a associação tenha uma atuação mais ágil e assertiva, uma vez que os profissionais dedicados à entidade conseguem concentrar esforços nas demandas institucionais, enquanto os integrantes do Conselho de Administração também precisam administrar suas próprias empresas.

Camargo também dividiu o mérito dessa transformação com Roberto Nedelciu, seu antecessor, destacando que o processo de fortalecimento da equipe começou na gestão anterior e foi consolidado durante seu mandato.

Da pandemia à regulamentação tributária

Quando assumiu a presidência do Conselho de Administração da Braztoa, Camargo encontrou uma associação que ainda lidava com os efeitos da pandemia e com questões que exigiam forte mobilização institucional. Entre as principais pautas estavam a Lei Geral do Turismo, a continuidade do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) e as discussões relacionadas à tributação das remessas ao exterior.

O executivo explicou que a gestão foi marcada por uma atuação intensa em Brasília, com participação nas discussões legislativas e interlocução com diferentes setores. Mais recentemente, a reforma tributária passou a demandar parte importante dos esforços da entidade.

“Eu peguei o mandato que começou com ações que demandaram muito mais tempo, muito mais idas a Brasília, um trabalho legislativo muito mais forte. Hoje já está um pouco mais calmo nesse sentido, embora ainda tenhamos muito trabalho de regulamentação.”

Para ele, a associação passou de um período de maior turbulência para uma fase em que é possível dedicar mais atenção à organização interna e ao desenvolvimento de novas frentes de atuação, sem deixar de acompanhar as mudanças regulatórias.

Desafios para a próxima gestão

Apesar dos avanços, Camargo avalia que a próxima diretoria da Braztoa terá desafios importantes, especialmente nas discussões sobre a regulamentação da reforma tributária e a tributação das remessas ao exterior.

O executivo também chamou a atenção para as regras relacionadas ao BPE, que afetam as companhias aéreas e têm reflexos sobre o mercado de turismo. Outro ponto é a entrada de consolidadores na associação, movimento que, segundo ele, vem ampliando a participação desse segmento na Braztoa.

A tributação das remessas ao exterior, por sua vez, segue como uma preocupação para operadores e agências de turismo. Camargo citou a elevação gradual da alíquota e as dificuldades de negociação diante do cenário fiscal brasileiro.

“Para nós, é um tema muito importante que seja ajustado. Vemos isso como uma dificuldade muito grande para a próxima gestão.”

Embora a atual diretoria já esteja trabalhando nessas questões, o presidente considera que elas deverão permanecer entre as prioridades da associação a partir de janeiro, quando uma nova gestão assumirá.

Alternância de lideranças e continuidade

O encerramento do mandato também abre espaço para a renovação da liderança da Braztoa. O processo eleitoral está previsto para novembro, e a associação trabalha na formação de uma nova chapa. Até o momento da entrevista, ainda não havia uma chapa formalmente inscrita, embora algumas pessoas já tivessem manifestado interesse em participar da próxima gestão.

Camargo destacou que a entidade tem registrado continuidade administrativa, com eleições geralmente disputadas por chapa única, e atribuiu esse cenário à união entre os associados e à avaliação positiva do trabalho desenvolvido pelas diretorias anteriores.

Mesmo após deixar a presidência, ele pretende continuar contribuindo com a associação como associado e em outras instâncias de participação. Entre elas está o conselho formado por ex-presidentes, que permite a troca de experiências e o aconselhamento das novas lideranças.

O executivo disse não ver com bons olhos a possibilidade de retornar futuramente à presidência, por considerar importante a alternância de perspectivas.

“Cada novo presidente consegue identificar algumas falhas e trazer visões novas. O que é bom vai se mantendo, e novas visões que podem agregar vão chegando. Então, sempre vai sendo uma construção para melhorar a associação”, explicou.

Convenções internacionais ampliam a presença da Braztoa

Outro movimento que ganhou força durante o mandato de Camargo foi a realização de convenções internacionais. O presidente, no entanto, atribuiu essa expansão ao amadurecimento das relações entre a Braztoa e os destinos interessados em se aproximar do mercado brasileiro, e não a uma iniciativa individual de sua gestão.

A primeira convenção internacional desse ciclo ocorreu na Argentina, com destinos como Esquel e Córdoba, e a edição de 2026 levou os operadores ao Alentejo, em Portugal. Para Camargo, o interesse crescente de destinos estrangeiros está relacionado à visibilidade proporcionada pela participação dos operadores e pela divulgação da imprensa especializada.

“Os destinos ganharam importância, ganharam certo destaque, e os associados internacionais vislumbraram isso. Eles viram que traz resultados interessantes de divulgação para cada mercado.”

Ele ressaltou que a presença de jornalistas e a divulgação das experiências contribuem para ampliar o conhecimento dos profissionais do turismo sobre os destinos e, posteriormente, apoiar a comercialização dos produtos.

A associação também tem recebido manifestações de interesse de outras localidades internacionais, tanto para futuras convenções quanto para missões comerciais. Segundo Camargo, esse movimento demonstra que a Braztoa vem ampliando sua atuação para além do mercado doméstico.

Braztoa
Marina Figueiredo e Fabiano Camargo, da Braztoa, com representantes do Turismo de Alentejo e Portugal (Beatriz do Vale/M&E)

Balanço positivo da convenção no Alentejo

Ao avaliar a programação de 2026, Camargo destacou a organização do evento e a possibilidade de os operadores conhecerem produtos que podem ser incorporados aos seus portfólios.

“O destino está de parabéns. Foram apresentados produtos de excelente nível e que são realmente vendáveis para o público brasileiro, desde hotelaria até cidades, destinos e pontos de interesse.”

De acordo com o presidente, as conversas com os associados indicaram interesse em avaliar novas opções e desenvolver produtos a partir das experiências apresentadas durante a convenção.

Ele também observou a participação de representantes institucionais portugueses nas atividades de encerramento, incluindo autoridades ligadas ao turismo, como sinal do interesse local pela iniciativa.

Para Camargo, esse tipo de encontro cumpre um papel importante ao aproximar operadores, destinos e representantes do setor, criando oportunidades de relacionamento e desenvolvimento comercial.

Ao se despedir da presidência do Conselho de Administração, o executivo deixa como marca a ampliação da autonomia da equipe interna, além da continuidade do trabalho institucional e da aproximação da Braztoa com destinos nacionais e internacionais. A expectativa é que a próxima diretoria mantenha as iniciativas consolidadas e incorpore novas perspectivas à atuação da entidade.

*O M&E viaja com proteção GTA