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Tiago Faierstein, diretor-presidente da Anac – Dados apontam queda anual da tarifa média e alta no custo do combustível de aviação (Arquivo/M&E)

A tarifa aérea média no Brasil ficou em R$ 746,62 por trecho em setembro de 2026, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) nesta quarta-feira (21). O valor considera todas as rotas e companhias aéreas que operaram no mercado doméstico no período e representa uma redução de 0,5% em relação a setembro de 2025.

Na comparação com setembro de 2024, porém, houve alta de 1,9%, considerando os valores corrigidos pelo IPCA para setembro de 2026. Os números ajudam a dimensionar o comportamento dos preços das passagens aéreas no mercado doméstico e também mostram a evolução do custo do combustível utilizado pelas empresas. Os dados de setembro foram disponibilizados pela Anac no painel de tarifas do setor aéreo. Além da tarifa média praticada no país, o levantamento apresenta a distribuição dos assentos comercializados de acordo com diferentes faixas de preço.

Outro indicador que chama atenção no período é o valor do querosene de aviação (QAV). O preço médio do combustível praticado no Brasil chegou a R$ 5,66 por litro em setembro, em valores atualizados pelo IPCA. O montante representa aumento de 54,4% frente a setembro de 2025 e de 32,5% na comparação com setembro de 2024.

Tarifas aéreas: veja quantos assentos ficaram abaixo de R$ 500

A distribuição das passagens por faixa de preço mostra que 36,2% dos assentos comercializados em setembro foram vendidos por menos de R$ 500 por trecho. Na outra ponta, 7,8% dos assentos tiveram tarifas superiores a R$ 1,5 mil. Os percentuais consideram os bilhetes efetivamente adquiridos no mês e ajudam a contextualizar a tarifa média de R$ 746,62.

Para o mercado de turismo, a distribuição das tarifas também permite observar a presença de diferentes faixas de preço no transporte aéreo doméstico. Mais de um terço dos assentos vendidos em setembro ficou abaixo dos R$ 500 por trecho, enquanto uma parcela menor superou os R$ 1,5 mil.

A metodologia utilizada pela Anac considera todos os bilhetes aéreos adquiridos em setembro por passageiros domésticos, com análise feita rota a rota. No cálculo, a agência considera exclusivamente o valor pago pelo serviço de transporte aéreo. Isso significa que despesas cobradas separadamente não entram na tarifa média. Entre os itens que ficam de fora estão serviços adicionais, como franquia de bagagem e marcação de assentos, além das taxas de embarque.

A agência também estabelece critérios para os bilhetes que entram na base de cálculo. São excluídas as passagens adquiridas com descontos que não estão disponíveis ao público em geral. É o caso, por exemplo, de bilhetes emitidos com milhas, tarifas corporativas e passagens comercializadas para funcionários das próprias companhias aéreas. O indicador busca representar os preços efetivamente praticados nas vendas regulares do transporte aéreo doméstico durante o mês analisado.

Custo do combustível sobe 54,4% em um ano

Enquanto a tarifa aérea média apresentou uma queda de 0,5% na comparação anual, o preço médio do QAV registrou movimento diferente. O combustível de aviação alcançou R$ 5,66 por litro em setembro, alta de 54,4% em relação ao mesmo mês de 2025. Na comparação com setembro de 2024, o aumento foi de 32,5%. Os valores utilizados pela Anac estão corrigidos pelo IPCA e expressos em valores de setembro de 2026.

O combustível é um dos componentes relacionados à operação das companhias aéreas e sua variação ocorre em um cenário diferente daquele observado na tarifa média. Os dados, portanto, mostram que a evolução do preço pago pelos passageiros não acompanhou, na mesma proporção, a variação registrada no custo médio do QAV no período.

A diferença entre os indicadores também reforça que a tarifa final não é determinada exclusivamente pelo preço do combustível. O valor pago pelo passageiro resulta das condições de comercialização dos bilhetes e das características de cada rota, entre outros fatores que compõem a operação do transporte aéreo.

Para quem planeja viagens pelo Brasil, a tarifa média de R$ 746,62 deve ser usada como referência do comportamento geral do mercado, e não como previsão do preço de uma passagem específica. O levantamento da Anac reúne diferentes rotas e empresas em um único indicador. Por isso, o valor de uma viagem pode ficar abaixo ou acima da média nacional. A própria distribuição dos assentos comercializados em setembro demonstra essa diferença: enquanto 36,2% ficaram na faixa inferior a R$ 500 por trecho, 7,8% ultrapassaram R$ 1,5 mil.

Também é necessário considerar que a metodologia não inclui taxas de embarque nem serviços contratados separadamente. Assim, o desembolso total de uma viagem pode ser superior ao valor registrado como tarifa aérea no levantamento. Os dados de setembro ainda mostram que, em valores corrigidos pela inflação, a tarifa média ficou ligeiramente abaixo do nível registrado um ano antes. Ao mesmo tempo, o custo médio do QAV avançou de forma significativa na comparação anual.

A Anac disponibiliza os dados no painel de tarifas do setor aéreo, ferramenta que permite consultar informações sobre os valores praticados no transporte aéreo doméstico. O levantamento considera os bilhetes comercializados no período e utiliza uma metodologia que exclui descontos restritos a determinados grupos e valores relacionados a serviços que não fazem parte exclusivamente do transporte aéreo.