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Azul inicia nova fase com balanço fortalecido, frota em expansão e foco em caixa após Chapter 11 (Divulgação/Azul)

A Azul encerrou o processo de reestruturação sob o Chapter 11 nos Estados Unidos em menos de nove meses e inicia um novo ciclo com balanço fortalecido, redução de cerca de US$ 2,5 bilhões em dívida e nova capitalização de US$ 850 milhões.

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Em sua primeira coletiva após a conclusão do procedimento, o CEO John Rodgerson destacou que a companhia superou as metas estabelecidas ao entrar no processo e agora concentra esforços em crescimento sustentável e geração de caixa.

“Fizemos tudo que era necessário para posicionar a Azul para o melhor futuro possível”, afirmou o executivo, ressaltando que a companhia saiu com alavancagem inferior a 2,5 vezes e mantendo sua capacidade operacional.

Novas aeronaves e renovação da frota da Azul

Rodgerson confirmou a continuidade da modernização da frota, que atualmente soma cerca de 175 aeronaves, incluindo a chegada de novos equipamentos e substituição de aviões mais caros.

“Vamos continuar recebendo aeronaves, principalmente da Embraer, cerca de cinco ou seis por ano, e também dois A330neo novos de fábrica”, disse. Ao mesmo tempo, aeronaves mais antigas e com custo elevado serão devolvidas, estratégia que, segundo ele, reduz despesas e melhora eficiência operacional.

O executivo acrescentou que 13 aeronaves estacionadas por questões técnicas serão reativadas, reforçando a capacidade para atender à demanda crescente.

Rotas, hubs e expansão internacional

Mas para onde vão essas aeronaves? A companhia pretende ampliar gradualmente a operação internacional, mantendo foco nos hubs de Campinas, Confins e Recife. O crescimento fora do Brasil, porém, deve ganhar maior ritmo somente a partir de 2027.

“2026 é um ano de transição, com ajustes de frota e consolidação. Depois disso, vamos continuar crescendo internacionalmente”, afirmou Rodgerson. Ele destacou que a estratégia privilegia conectividade regional e rotas de menor concorrência direta com as novas parceiras como United Airlines e American Airlines.

Alavancagem, dívida e câmbio

Um dos principais ganhos da reestruturação foi a redução estrutural de custos financeiros. Segundo Rodgerson, a companhia cortou despesas com juros em mais de 50% ao ano e reduziu o custo de arrendamento de aeronaves em cerca de um terço.

“Estamos focados na geração de caixa e nossa meta é ser a empresa menos alavancada do Brasil”, afirmou. O CEO comparou a posição atual à da Latam Airlines após sua própria reestruturação, destacando que a Azul saiu com indicadores competitivos mesmo em cenário cambial mais desafiador.

A companhia também avalia novas linhas de financiamento em reais, como instrumentos governamentais e o FNAC, para reduzir a exposição natural ao dólar do setor aéreo.

Processo rápido e apoio do mercado

Após Chapter 11, Azul mira nova fase com foco em caixa, desalavancagem e retomada de mercados em 2026
John Rodgerson, CEO da Azul Linhas Aéreas (Giulia Jardim/M&E)

Rodgerson atribuiu a rapidez da recuperação à clareza do plano e ao alinhamento entre credores, fornecedores e parceiros estratégicos. Diferentemente de outros casos do setor, o processo ocorreu sem disputas relevantes entre partes interessadas.

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“Sabíamos exatamente o que queríamos fazer e não tivemos conflitos entre credores, porque todos estavam olhando para frente”, afirmou.

Ele também citou fatores que pressionaram o balanço nos últimos anos, como pandemia de Covid-19, variante Ômicron, desvalorização cambial e eventos operacionais que impactaram a malha aérea.

Estrutura acionária, governança e FNAC

Com a saída do Chapter 11, a Azul passa a operar com base acionária mais pulverizada e governança corporativa ampliada. United e American devem deter participações próximas de 8% cada, enquanto credores convertidos em acionistas passam a integrar o capital. As empresas devem contar com um executivo no conselho da Azul (a United já tem), apesar de não ser uma regra. “Tanto a United, quanto a American não tem direito de indicar alguém para o conselho, mas isso deve sim acontecer”.

Rodgerson indicou que a companhia segue avaliando o acesso a linhas como FNAC e outros instrumentos públicos de crédito, desde que apresentem custo competitivo.

“Se o custo de capital for melhor que outras alternativas, vamos utilizar”, afirmou.

Relação com concorrentes e mercado de trabalho

O CEO reconheceu que o período de recuperação criou incertezas que favoreceram movimentos de concorrentes, especialmente na contratação antecipada de pilotos, mas avaliou o cenário como parte do ciclo do setor.

“Quando existe uma nuvem de incerteza, faz parte do jogo competitivo, mas confiamos no nosso plano e na posição em que estamos saindo”, disse.

TAP e recuperação de crédito

A companhia também mantém disputa financeira com a TAP Air Portugal, de quem busca recuperar valores emprestados no passado. Executivos reiteraram que a saída do Chapter 11 não altera a estratégia jurídica para cobrança do montante. A companhia, no entanto, já deixou claro que ‘cobrará o que tem direito’.

Ao encerrar a coletiva, Rodgerson resumiu o momento da empresa como uma virada estrutural. “Limpamos o balanço, reduzimos custos e agora podemos investir novamente em pessoas, marketing e crescimento”, afirmou.

“Estamos saindo mais saudáveis e com muito mais oportunidades pela frente”, finalizou.