
O Aeroporto de Congonhas completa 90 anos neste domingo com uma cena que mistura passado e futuro no mesmo enquadramento. De um lado, painéis históricos e obras de arte que ajudam a contar a evolução da aviação brasileira. Do outro, máquinas, projetos e um investimento que passa dos R$ 2 bilhões para transformar a experiência de quem embarca e desembarca no coração de São Paulo.
A comemoração começou antes da data oficial, com um evento no Pavilhão de Autoridades que reuniu representantes do setor, autoridades e executivos da Aena Brasil, responsável pela administração desde 2023. O movimento marca o início de um novo ciclo para um aeroporto que já nasceu protagonista e segue sendo peça-chave na malha aérea do país.
“Inspirador pela história e essencial para o presente e o futuro da aviação brasileira”, disse o presidente da concessionária, ao destacar o papel estratégico do terminal.
Números que ajudam a entender o tamanho
Localizado em uma das áreas mais movimentadas da São Paulo, cerca de 10% do PIB brasileiro gira em um raio de 15 km do terminal. São mais de 24,5 milhões de passageiros por ano, cerca de 65 mil por dia, 540 voos diários e conexões com 45 destinos. Cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos e uma operação que não para.
Esse fluxo constante ajuda a explicar por que qualquer mudança ali tem impacto imediato na vida de quem viaja a trabalho, faz conexões rápidas ou simplesmente depende do aeroporto para encurtar distâncias no país.
Congonhas: O passado que segue vivo

Inaugurado em 1936, Congonhas carrega marcas claras de um período em que a arquitetura buscava identidade. O estilo art déco ainda aparece em detalhes do terminal, junto com influências modernas que surgiram ao longo das décadas.
Mas o destaque vai além da estrutura. O aeroporto abriga um acervo artístico relevante, com obras que fazem parte da história cultural do Brasil. Entre elas, o mural “Os Trabalhadores”, assinado por nomes como Di Cavalcanti e Clóvis Graciano, que será restaurado.
O projeto inclui também a recuperação de peças assinadas por Jacques Monet e um painel em madeira que retrata o mapa do Brasil com referências à fauna e flora.
Outro ponto simbólico é o hangar histórico, com estrutura de madeira da década de 1950. Até então restrito, ele será reaberto ao público após restauro e ganhará uma nova função como sala de embarque remoto.
O que muda até 2028
O plano de modernização é ambicioso. A área do terminal vai mais que dobrar, passando de 45 mil m² para 105 mil m². A ideia é aliviar gargalos antigos e preparar o aeroporto para um volume ainda maior de passageiros.
Entre as mudanças já em andamento estão:
- Ampliação da área de segurança
- Modernização dos banheiros
- Novas salas VIP
- Ajustes no sistema viário
- Melhor circulação interna
Além disso, o projeto prevê 19 novas pontes de embarque e aumento das posições de estacionamento de aeronaves, o que deve melhorar a pontualidade e reduzir atrasos operacionais.
O pátio também será ampliado, com mais espaço para manobras, algo essencial em um aeroporto conhecido pelo ritmo intenso.
Uma das mudanças mais visíveis deve acontecer fora da pista. A área destinada a lojas e restaurantes vai saltar de cerca de 10 mil m² para mais de 20 mil m². A proposta é transformar Congonhas em um espaço que vai além do embarque. O novo mix inclui desde marcas premium até opções mais rápidas, além de uma curadoria gastronômica que aposta em diversidade.
Restaurantes, cafeterias, bares e opções saudáveis entram no radar. O varejo também cresce, com mais espaço para lojas de diferentes segmentos, incluindo moda, conveniência e cosméticos. A ideia é aproximar o aeroporto de um grande centro urbano, algo que já acontece em hubs internacionais.
Investimento pesado e impacto nacional
A transformação de Congonhas não acontece isolada. A BNDES aprovou um pacote de R$ 4,64 bilhões para obras em 11 aeroportos administrados pela Aena no Brasil. Desse total, R$ 2 bilhões foram direcionados para Congonhas, reforçando a importância do terminal dentro da estratégia da concessionária.
O investimento inclui financiamento e emissão de debêntures, mostrando que a modernização da infraestrutura aeroportuária segue como prioridade no país.
Um aeroporto entre dois tempos
Congonhas chega aos 90 anos sem precisar escolher entre passado e futuro. Ele sustenta os dois ao mesmo tempo. De um lado, preserva sua identidade, suas obras e sua história. Do outro, se abre para uma transformação que promete impactar diretamente a experiência dos passageiros.
Para quem passa por ali com frequência, a sensação já começa a mudar. O aeroporto segue no mesmo lugar, mas aos poucos vai ganhando outra cara.







