
O copiloto da FlyDubai acusado de tentar sequestrar um avião durante um voo entre os Emirados Árabes Unidos e Israel teria planejado direcionar a aeronave contra o aeroporto Ben Gurion, em Israel, ou contra um edifício em Tel Aviv. As informações são atribuídas a fontes ouvidas pela BBC e fazem parte da investigação sobre o episódio ocorrido na última quarta-feira.
O voo FZ1073, operado por um Boeing 737 MAX, havia decolado de Dubai com destino a Israel. A aeronave transportava 174 pessoas, sendo 166 passageiros israelenses. Durante o trajeto, o copiloto teria atacado o comandante Smit Machchhar com o machado de emergência disponível na cabine e o ferido antes de ser contido por passageiros.
Outro integrante da tripulação conseguiu assumir o controle do avião. A aeronave posteriormente pousou na Arábia Saudita, encerrando o episódio sem que o plano atribuído ao copiloto fosse executado.
Segundo informações atribuídas à BBC, o copiloto, identificado em diferentes relatos como Hamam al-Hammami, teria informado aos investigadores que, depois de atacar o comandante, pretendia continuar pilotando normalmente até entrar no espaço aéreo israelense. A intenção seria obter autorização para pousar no aeroporto Ben Gurion e, posteriormente, alterar a trajetória.
A partir desse momento, ele teria planejado atingir o aeroporto ou um edifício localizado no centro de Tel Aviv. Fontes citadas pela imprensa israelense afirmaram que o homem provavelmente teria agido sozinho e que não havia, naquele momento, indicação de ligação com uma organização radical ou com um governo estrangeiro.
O objetivo atribuído ao copiloto seria repetir o tipo de ataque realizado pela al-Qaeda nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001. A possibilidade passou a integrar as linhas investigativas após os depoimentos atribuídos ao profissional.
Investigação sobre o copiloto da FlyDubai continua
O caso segue sob investigação nos Emirados Árabes Unidos. O procurador-geral do país, Hamad al-Shamsi, classificou o episódio como uma tentativa de realizar um “ato terrorista”. Segundo ele, as autoridades devem apurar as circunstâncias do caso, as motivações do copiloto e eventuais vínculos relacionados ao episódio. Os resultados devem ser divulgados após a conclusão dos trabalhos.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também se pronunciou sobre o episódio. Ele afirmou que o copiloto passou por uma “doutrinação radical islâmica” e declarou que as ações do comandante, dos passageiros e de uma segunda tripulação impediram “um desastre de 11 de Setembro”.
O homem, cidadão de Omã, permanece sendo interrogado nos Emirados Árabes Unidos. Representantes de Israel são informados sobre o andamento da investigação.
As investigações também consideram a possibilidade de que o episódio tenha sido precedido por outro plano semelhante. De acordo com o conteúdo divulgado, o copiloto teria dito aos investigadores que já havia planejado sequestrar e derrubar um voo anterior com destino a Tel Aviv. Na ocasião, teria desistido depois de descobrir que conhecia uma pessoa que estava entre os passageiros.
O caso trouxe ainda questionamentos sobre como o profissional conseguiu ser contratado pela FlyDubai e autorizado a operar um voo com destino a Israel.
Segurança da aviação entra no centro das investigações
Segundo autoridades regionais, o copiloto havia sido impedido de voar pela Oman Air, companhia aérea nacional de Omã, e posteriormente transferido para uma função administrativa devido a preocupações relacionadas às suas opiniões extremistas.
Depois disso, ele foi contratado pela FlyDubai e passou por verificações de segurança consideradas padrão. De acordo com as autoridades citadas no material, esses procedimentos não teriam analisado seu histórico em busca de possíveis sinais de radicalização.
O episódio também envolve regras específicas da aviação israelense. Segundo o texto, pilotos cidadãos de países que não mantêm relações diplomáticas formais com Israel, como Omã, não podem operar voos para o país.
Apesar dessa regra, o voo FZ1073 tinha um copiloto omanense entre os integrantes da tripulação. Autoridades dos Emirados Árabes Unidos disseram à Associated Press que uma lista com passageiros e tripulantes havia sido compartilhada com Israel antes da partida da aeronave.
A questão sobre quem deveria realizar a verificação das informações também passou a ser discutida após o incidente. A agência de segurança interna de Israel, Shin Bet, afirmou que cabia ao Ministério dos Transportes verificar as listas de passageiros e tripulantes de companhias aéreas estrangeiras.
A ministra dos Transportes de Israel, Miri Regev, apresentou uma posição diferente. Ela afirmou que seu ministério não recebeu a relação e declarou que a supervisão de segurança dos voos operados por empresas estrangeiras é responsabilidade do Shin Bet e do Mossad, agência de inteligência externa do país.
Diante do episódio, Netanyahu determinou ao chefe do Conselho de Segurança Nacional uma revisão de “todos os aspectos de segurança relacionados à aviação civil estrangeira para Israel”. A medida amplia o alcance das discussões sobre os procedimentos aplicados a voos internacionais com destino ao país.
As investigações também alcançaram possíveis vínculos do copiloto com a Austrália. Segundo fontes ouvidas pela imprensa australiana, ele teria estudado no país entre 2015 e 2017. As autoridades australianas passaram a investigar essa possível ligação.
O episódio envolvendo o voo FZ1073, portanto, passou a ser analisado não apenas pela tentativa de tomada do controle da aeronave, mas também pelas etapas que antecederam o embarque. As autoridades investigam as motivações do copiloto, possíveis vínculos e os procedimentos que permitiram sua contratação e atuação em um voo internacional com destino a Israel.
*Com informações de Guga Chacra, O Globo.
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