Grupo Lufthansa vê TAP e ITA Airways como operações complementares em eventual aquisição
Carsten Spohr, CEO do Grupo Lufthansa (Reprodução/Grupo Lufthansa)

O Grupo Lufthansa afirmou que uma eventual aquisição da TAP Air Portugal permitirá criar complementaridades com a ITA Airways, reforçando a presença do conglomerado no sul da Europa e ampliando sua atuação no mercado transatlântico. A avaliação foi feita pelo CEO do Grupo Lufthansa, Carsten Spohr, durante a apresentação dos resultados financeiros do primeiro semestre, poucos dias após a empresa entregar uma proposta vinculativa na fase final do processo de privatização da companhia portuguesa.

Segundo Spohr, a TAP ocupa uma posição estratégica nas ligações entre Europa e América Latina, e sua incorporação fortaleceria a rede do grupo ao lado da ITA Airways. Embora tenha destacado o potencial de sinergias entre as duas empresas, o executivo não detalhou como pretende compatibilizar as operações em mercados onde elas já disputam passageiros, como o Brasil.

Atualmente, a ITA Airways opera três voos diários entre a Itália e o Brasil, sendo duas frequências entre Roma-Fiumicino e São Paulo (Guarulhos) e uma para o Rio de Janeiro (Galeão). A companhia também oferece conexões domésticas por meio de acordos de codeshare com parceiras locais, entre elas a Azul Linhas Aéreas, credora da TAP e envolvida em um diferendo judicial com a empresa portuguesa.

A TAP, por sua vez, mantém uma operação significativamente maior no mercado brasileiro, com 14 voos diários partindo de Lisboa e Porto. Apenas as frequências para São Paulo e Rio de Janeiro concorrem diretamente com a ITA Airways. A companhia portuguesa também atende Fortaleza, Brasília e Belo Horizonte com voos diários, ampliando sua capilaridade no País.

Nos últimos meses, o Grupo Lufthansa tem defendido a expansão da presença da TAP no Brasil, o fortalecimento do hub de Lisboa e a ampliação das operações no Porto. Para Spohr, a integração entre as duas companhias permitirá consolidar a posição do grupo no Mediterrâneo e no sul da Europa, aproveitando as características complementares de cada malha aérea.

Aquisição faz parte da estratégia de expansão do Grupo Lufthansa

As declarações de Carsten Spohr coincidem com um momento decisivo para a privatização da TAP. Nesta quarta-feira (5), último dia do prazo estabelecido pelo governo português, o Grupo Lufthansa e o Air France-KLM apresentaram propostas vinculativas para a aquisição da companhia aérea, dando início à fase final obrigatória do processo.

Em comunicado, o Grupo Lufthansa afirmou que sua proposta representa “uma parceria de longo prazo” e que o projeto “vai muito além de um investimento financeiro”. Segundo a empresa, a intenção é fortalecer a TAP como peça-chave da estratégia de expansão do conglomerado no Atlântico Sul.

“Queremos reforçar a companhia aérea nacional portuguesa como parte do Grupo Lufthansa e como a principal companhia aérea para o Atlântico Sul, tendo Lisboa como ‘hub’ estratégico”, afirmou Carsten Spohr.

O executivo destacou que a incorporação da TAP ampliaria a conectividade entre Europa, América Latina, África e América do Norte, consolidando Lisboa como um dos principais hubs da malha do grupo.

Spohr também lembrou a experiência do conglomerado na integração de outras companhias aéreas europeias, citando SWISS, Austrian Airlines, Brussels Airlines e ITA Airways como exemplos de operações bem-sucedidas.

“Com a SWISS, Austrian Airlines, Brussels Airlines e ITA Airways, demonstrámos como a integração europeia no Grupo Lufthansa garante perspetivas de crescimento e desenvolvimento para os nossos mercados e ‘hubs’ de origem”, acrescentou.