IA (Freepik/DC Studio) Inteligência Artificial
Tecnologia de IA já é usada em até 40% da programação de companhias aéreas  (Freepik/DC Studio)

A Inteligência Artificial (IA) já está sendo aplicada de forma ampla na aviação global e “revoluciona muito” o setor, embora seu impacto varie de forma significativa conforme a área de negócio, segundo Kim Macaulay, vice-presidente sênior de Informação e Dados da IATA, em artigo publicado no site da associação na última quinta-feira (9).

A entidade que representa o transporte aéreo internacional detalha que companhias aéreas vêm ampliando o uso de Inteligência Artificial em diferentes frentes operacionais, com foco em eficiência, segurança e gestão de dados, incluindo planejamento de rotas, manutenção preditiva, vendas, previsão de demanda e maximização de receita.

Segundo Macaulay, a aplicação da tecnologia na segurança aérea depende menos da maturidade técnica e mais da capacidade das organizações de absorver sistemas capazes de processar grandes volumes de dados para previsão, classificação e reconhecimento de padrões.

A executiva afirma que a IA já apoia a tomada de decisão em segurança ao acelerar a identificação e gestão de riscos, com maior precisão na análise de informações operacionais.

Uso em operações e atendimento ao cliente

Entre as aplicações em expansão, a IATA destaca o uso de chatbots com Inteligência Artificial para atendimento ao cliente. Para Macaulay, esses sistemas reduzem a carga sobre equipes humanas ao lidar com demandas simples e permitem maior foco em casos complexos.

A vice-presidente da IATA afirma ainda que os chatbots tendem a melhorar a experiência do passageiro, sem se limitar à redução de custos operacionais.

Inteligência Artificial em automação de processos

IA Inteligência Artificial
A IA é vista com capacidade de executar tarefas de forma autônoma e coordenar fluxos entre diferentes agentes (Banco de imagens/Freepik)

O artigo aponta a chamada “Agentic AI” como a evolução mais relevante da tecnologia no setor, com capacidade de executar tarefas de forma autônoma e coordenar fluxos entre diferentes agentes digitais.

No transporte de cargas, por exemplo, a tecnologia poderia automatizar etapas do cumprimento do Regulamento de Mercadorias Perigosas, reduzindo a necessidade de supervisão humana direta.

“Com a ‘Agentic AI’, um agente de uma empresa de transporte de cargas poderia conversar com um agente de um remetente e um agente de uma transportadora para organizar o embarque e garantir que ele seja etiquetado e embalado corretamente”, afirma Macaulay.

Dados operacionais e limites de investimento

Inteligência Artificial
Parcerias como as da IAG e Emirates com a OpenAI como sinal de aceleração na adoção de modelos avançados (Freepik/DC Studio)

A IATA aponta que cerca de 20% a 40% da programação das companhias aéreas já é realizada com apoio de inteligência artificial (IA). A entidade cita ainda parcerias como as da IAG e Emirates com a OpenAI como sinal de aceleração na adoção de modelos avançados.

Apesar do avanço, Macaulay observa que margens reduzidas no setor limitam investimentos em tecnologias de ponta, embora o potencial de ganho de eficiência seja crescente.

A executiva também defende a criação de estruturas seguras de compartilhamento de dados entre companhias aéreas, aeroportos e prestadores de serviços, com proteção a informações sensíveis e operacionais.

Impacto no emprego e expansão futura

Inteligência Artificial
a IATA afirma que a adoção de IA não deve eliminar funções essenciais no setor aéreo (Banco de imagens/Freepik)

Sobre o impacto no mercado de trabalho, a IATA afirma que a adoção de Inteligência Artificial não deve eliminar funções essenciais no setor aéreo.

“Todos nós ainda queremos esse toque humano”, disse Macaulay, ao citar funções como pilotos, comissários e equipes de solo. Segundo ela, a tecnologia deve substituir atividades de backoffice, ao mesmo tempo em que novas funções serão criadas.

A entidade projeta ainda que a expansão do tráfego aéreo até 2050, com previsão de duplicação do número de passageiros, deve ampliar a demanda por profissionais no setor, mesmo com maior automação de processos.