AeroShark permitirá reduzir consumo de combustível e emissões na frota de longo curso da Latam
Após quase um ano de testes, Latam expande uso do AeroShark para toda a frota de 777-300ER (Divulgação/Latam)

A Latam Airlines Group decidiu ampliar o uso da tecnologia AeroShark e equipar toda a sua frota de aeronaves Boeing 777-300ER com a solução inovadora de redução de resistência aerodinâmica inspirada na pele de tubarão. A iniciativa consolida a companhia como uma das líderes globais na adoção de tecnologias voltadas à eficiência operacional e à redução de emissões no setor aéreo.

Desenvolvido em parceria pela Lufthansa Technik e pela BASF Coatings, o AeroShark permite uma economia comprovada de cerca de 1% no consumo de combustível e nas emissões de CO₂. Com a ampliação do contrato, a Latam receberá cinco kits adicionais da tecnologia, que serão utilizados para modernizar progressivamente as cinco aeronaves restantes da frota de dez Boeing 777-300ER. Ao final do processo, previsto para ser concluído em 2027, a empresa se tornará a segunda companhia aérea do mundo a operar uma subfrota completa equipada com a chamada tecnologia de “pele de tubarão”.

A relação da Latam com o AeroShark começou de forma discreta. Em dezembro de 2023, a companhia modificou sua primeira aeronave quase em sigilo, com o objetivo de testar exaustivamente o desempenho da solução antes de anunciá-la ao mercado. Após quase um ano de operação diária, os resultados confirmaram as projeções iniciais, levando a empresa a encomendar quatro kits adicionais em 2024. Com os novos cinco kits anunciados agora, o total chega a dez, cobrindo toda a frota do modelo.

Segundo Nicolás Seitz, Head de Frota e Projetos da Latam Airlines Group, a decisão reflete uma estratégia clara de longo prazo. “Ampliar o uso do AeroShark para toda a nossa frota Boeing 777-300ER é um claro exemplo de como a Latam combina inovação, eficiência operacional e sustentabilidade em ações muito concretas. Os resultados comprovados obtidos com a primeira aeronave nos dão a confiança para escalar essa solução, reduzindo o consumo de combustível e as emissões, ao mesmo tempo em que mantemos os mais altos padrões operacionais”, afirma.

Tecnologia AeroShark e ampliação do projeto

A tecnologia AeroShark consiste em um revestimento especial aplicado às superfícies externas da aeronave, que replica a microestrutura da pele de tubarão. O material é composto por pequenas protuberâncias longitudinais — chamadas de escamas — com cerca de 50 micrômetros, orientadas com extrema precisão na direção do fluxo de ar. Essa configuração reduz a resistência aerodinâmica, permitindo que a aeronave consuma menos combustível ao longo de seus voos.

Na atual fase de expansão, as escamas do AeroShark passam a cobrir quase toda a fuselagem e as naceles dos motores do Boeing 777-300ER, totalizando aproximadamente 950 metros quadrados por aeronave. Com todas as unidades modificadas, a Latam estima uma economia anual de até 4 mil toneladas de combustível de aviação e uma redução de cerca de 12 mil toneladas de emissões de CO₂ — volume equivalente a aproximadamente 56 voos entre São Paulo e Miami operados com o modelo.

Para a Lufthansa Technik, a ampliação do projeto reforça o caráter pioneiro da parceria. “Não sei até que ponto os tubarões são nativos das águas latino-americanas, mas dá a impressão de que eles estão cada vez mais presentes nos céus da região”, brinca Petra Lahme, diretora de Vendas de Produtos da área de Inovação em Equipamentos Originais da empresa. “Isso se deve ao espírito pioneiro da Latam e à nossa tecnologia inovadora inspirada na natureza.”

O desenvolvimento do AeroShark segue em ritmo acelerado. Com o objetivo de apoiar o maior número possível de companhias aéreas no cumprimento de metas ambientais, a Lufthansa Technik e a BASF trabalham na obtenção de novos Certificados Suplementares de Tipo (STC) para ampliar a aplicação da tecnologia a mais modelos de aeronaves. Atualmente, o AeroShark já está certificado para os Boeing 777-200ER, 777-300ER, 777F e 747-400. Para 2026, está prevista a introdução da primeira modificação em um modelo da Airbus, o A330ceo.

Além disso, estudos indicam que, em uma fase de expansão máxima, com maior cobertura das superfícies das aeronaves, o AeroShark pode alcançar uma economia realista entre 2% e 3% no consumo de combustível — um avanço significativo em um setor onde ganhos marginais fazem grande diferença operacional e ambiental.