direitos dos passageiros
No entendimento defendido pelo Ministro de Portos e Aeroportos, a revisão da norma deve preservar o atendimento ao passageiro (Banco de imagens/Freepik)

Os direitos dos passageiros estão no centro da revisão da Resolução 400 da Anac defendida nesta quinta-feira (9) pelo ministro de Portos e Aeroportos, Tomé França, que afirmou que o modelo atual de responsabilização das companhias aéreas precisa ser ajustado em situações provocadas por fatores externos sem relação com a operação das empresas.

A manifestação ocorre no contexto da revisão em curso da norma pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do debate sobre judicialização no setor aéreo, que também tem sido alvo de discussões no Supremo Tribunal Federal, com suspensão de ações relacionadas a indenizações por danos morais em determinadas situações de atraso de voos e dos debates sobre os direitos dos passageiros no transporte aéreo.

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Tomé França, ministro de Portos e Aeroportos (Divulgação/ Mistério dos Portos e Aeroportos)

O Ministro de Portos e Aeroportos defende, que as companhias não sejam responsabilizadas civilmente em situações sem relação com a prestação do serviço.

“O passageiro precisa ser atendido, porque o que está sendo proposto não é o desatendimento do passageiro, mas que as companhias aéreas não respondam civilmente pelo atraso”, afirmou. A declaração reforça a discussão sobre os direitos dos passageiros em situações de atraso e cancelamento.

Ele também associou o tema ao impacto econômico da judicialização no setor. “Quando temos um nível muito grande de judicialização, esse custo passa a compor o custo da operação e todo passageiro fica prejudicado”, disse.

Direitos dos passageiros na Resolução 400 da Anac

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Judicialização eleva custos e pode afetar tarifas e direitos dos passageiros no transporte aéreo (Freepik/Wavebreakmedia)

A Resolução 400 da Anac estabelece atualmente regras que garantem os direitos dos passageiros de assistência material, reacomodação, reembolso e compensações em casos de atraso, cancelamento e preterição. Na prática, o conjunto de normas define obrigações para as companhias aéreas e garante direitos aos passageiros em situações de interrupção do serviço.

O texto prevê, por exemplo, comunicação após 1 hora de atraso, alimentação após 2 horas e hospedagem após 4 horas, além do direito a reembolso ou reacomodação em situações de cancelamento ou atraso prolongado.

No entendimento defendido pelo Ministro de Portos e Aeroportos, a revisão da norma deve preservar os direitos dos passageiros, mas evitar a responsabilização das companhias por eventos que não tenham relação com a prestação direta do serviço aéreo.

O governo argumenta que o atual nível de judicialização eleva custos operacionais das empresas, o que pode impactar o custo final ao passageiro e o acesso aos direitos dos passageiros previstos na norma. A revisão da regra, segundo essa linha, buscaria equilibrar a proteção ao consumidor com a previsibilidade regulatória para o setor aéreo.

Veja os principais pontos do texto, que segue em vigência atualmente:

  • Assistência material escalonada:

É o núcleo da norma. Define obrigações progressivas em atrasos e cancelamentos: comunicação a partir de 1 hora, alimentação a partir de 2 horas e hospedagem a partir de 4 horas. Isso impacta diretamente operação, aeroporto e custo por irregularidade.

  • Direito de reacomodação, reembolso ou transporte alternativo:

Em atrasos relevantes, cancelamentos ou interrupções, o passageiro escolhe entre ser reacomodado em outro voo, receber reembolso integral ou seguir por outro meio de transporte. Esse ponto é central na disputa sobre custo e previsibilidade para as aéreas.

  • Regras de reembolso e prazos

A norma estabelece prazo de até 7 dias para devolução de valores em casos de solicitação de reembolso, incluindo situações de cancelamento pela companhia. É um dos pontos mais sensíveis para fluxo de caixa das empresas.

  • Bagagem e responsabilidade por extravio

Define prazos de localização e indenização em caso de bagagem extraviada, além de regras para avarias e violação. Também trata do ressarcimento de despesas fora do domicílio do passageiro.

  • Overbooking e compensação por preterição

Prevê pagamento imediato de compensação financeira em casos de embarque negado por lotação, além das alternativas de reacomodação. É um dos dispositivos mais acionados judicialmente.

  • Informação e transparência na venda da passagem

Exige que companhias informem preço final, regras de multa, bagagem, remarcação e condições do serviço antes da compra, com linguagem clara e em português. Isso estrutura a base de consumo e disputa comercial.

Atraso de voos nesta quinta-feira (9)

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A discussão ocorre após a interrupção temporária das operações aéreas em São Paulo (Divulgação/Aena)

A discussão sobre os direitos dos passageiros ocorre após a interrupção temporária das operações aéreas em São Paulo, nesta quinta-feira (9), provocada por uma suspeita de vazamento de gás no setor de controle de aproximação (APP) do Aeroporto de Congonhas.

A ocorrência, segundo o Ministro de Portos e Aeroportos, levou à evacuação preventiva da área responsável pelo gerenciamento do tráfego aéreo e afetou pousos e decolagens em Congonhas e Guarulhos, com reflexos também em Viracopos e Campo de Marte. As operações foram retomadas às 10h06 na TMA São Paulo, com liberação gradual do tráfego aéreo.

*A entrevista com Tomé França, Ministro de Portos e Aeroportos, foi concedida em rede aberta à CNN Brasil.