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Aviação / Feiras e Eventos / Hotelaria / Política

Para especialistas, reaquecimento do turismo internacional dependerá dos governos

reaquecimento do setor turismo

Especialistas do setor fizeram seus palpites e deram suas opiniões sobre o reaquecimento e futuro do setor

A última edição do ano do programa “E Agora, Brasil?” discutiu, nesta quarta-feira (10), o reaquecimento do turismo internacional no País. O debate contou com a presença de grandes profissionais do setor, que falaram sobre o novo cenário e as perspectivas do setor para o futuro, que dependerá de esforços governamentais e investimentos.

Participaram do evento, o CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier; Leonel Andrade, presidente da CVC; Magda Nassar, presidente da Abav Nacional; Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA); e Carina Câmara, coordenadora da Câmara Temática de Turismo do Consórcio Nordeste. O debate teve a mediação de Mariana Barbosa, colunista do Globo, e Maria Luiza Filgueiras, colunista do Valor.

Como tema principal, as figuras discutiram todo o movimento de recuperação do setor, motivados pelas proximidade das festas de fim de ano e alta temporada, avanço da vacinação e diminuição das medidas restritivas, o “revenge travel”, que se valida no desejo do brasileiro de voltar a viajar e a necessidade de investimentos.

Mercado nacional X mercado internacional

Para Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil, é necessário dividir o cenário em dois para entender a recuperação. “Temos, por um lado, a recuperação do doméstico, que vem sendo sólida desde o mês de abril, aumentando a cobertura de voos e destinos, com vendas subindo e boas perspectivas para os próximos meses. E por outro lado, temos o internacional, que a situação é diferente. A retomada deste mercado vem acontecendo, porém de forma mais lenta”, explicou o CEO.

Jerome Cadier, CEO da Latam Airlines Brasil.

Jerome Cadier, CEO da Latam Airlines Brasil.

A companhia aérea aposta que o mercado internacional volte aos níveis pré-pandemia apenas em 2023 e 2024. “Isso se deve ao fato de que existe mais tranquilidade de viajar no doméstico do que atravessar uma fronteira. Apesar das barreiras, como por exemplo nos Estados Unidos, estarem caindo, a viagem em si é um pouco mais complicada. Comprovar vacina, fazer exames e testes de Covid…Isso faz com que as pessoas tenham mais dificuldades no planejamento de uma viagem internacional”, completou Jerome.

“Temos que ser sinceros, a gente não tem esse turismo internacional. Seis milhões de pessoas por ano não é significativo pra ninguém. Não tem como retomar algo que não existe”, diz Magda.

Antes da pandemia, o turismo brasileiro se dividia entre 60% nacional e 40% internacional. Hoje, a tendência de viagens pelo Brasil ainda é maior, de acordo com Magda Nassar, presidente da Abav Nacional. “Isso é muito positivo para o turismo, mesmo ainda tendo alguns entraves com a malha aérea, que ainda não retornou 100%, com as poucas companhias aéreas em um País tão grande quanto nosso, a falta de investimentos…Mas acho que chegamos em um momento, principalmente com a reabertura da Argentina e dos EUA, que puxaremos também a retomada internacional. É um mercado que esta em recuperação”, explicou.

Magda Nassar, presidente da Abav Nacional

Magda Nassar, presidente da Abav Nacional

“O que precisamos é que esse País esteja vacinado porque isso traz uma facilidade na retomada. Países e cruzeiros dentro e fora do brasil estão exigindo a imunização completa, então o turismo vem andando de mãos dadas com a vacina e se fortalecendo com isso”, completou Magda.

Alexandre Sampaio, presidente da FBHA

Alexandre Sampaio, presidente da FBHA

Alexandre Sampaio, presidente da FBHA, afirmou que tanto o segmento de alimentação, quanto de hotelaria têm apresentando um crescimento sustentável, mas que ainda lidam com as sequelas da pandemia. “Acreditamos que a temporada de 2022 será muito importante para recuperação do faturamento. Estamos confiantes de que o próximo ano será ótimo para receita, para a ocupação para hotéis. Mesmo assim, o segmento ainda lidará com passivos grandes. Contudo, as perspectivas de mercado, principalmente o nacional são muito boas e continuas”, explicou.

Recuperação do turismo internacional dependerá dos governos

Contudo, a presidente da Abav levantou um ponte de debate extremamente importante. O turismo internacional, mesmo antes da pandemia, não atingia um nível significativamente relevante. “Temos que ser sinceros, a gente não tem esse turismo internacional. Seis milhões de pessoas por ano não é significativo pra ninguém. Como comparação, o museu do Louvre sozinho recebe mais do que isso por ano. Não tem como retomar algo que não existe”, afirmou.

“Precisamos criar esse turismo internacional, e só conseguiremos fazer isso com investimentos. Não dá pra contar com a iniciativa privado para isto – quem precisa tomar esta iniciativa é o governo”

“Trazendo investimento e investidores, criando dinâmicas…A população brasileira é uma das mais qualificadas para receber turistas, temos que trabalhar esta questão melhor”, completou Nassar.

Leonel Andrade, CEO da CVC Corp, reforçou o discurso dizendo que “falta um projeto empresarial de longo prazo, estruturado pelo governo. “O que não falta no mundo é dinheiro e investimento, mas como não apresentamos um projeto consistente, não conseguimos atrair nada lá de fora”.Apesar disso, Leonel enxerga este como um momento de muito otimismo. “Temos uma demanda reprimida muito grande, e em curto prazo as vendas devem só aumentar. Costumo brincar que final do ano vão faltar aviões e hotéis, o que é um desafio, mas é um problema positivo comparado com tudo que vivemos. Porém, temos diversos desafios pela frente”, completou.

Organização guiará crescimento

A região do Nordeste sempre foi um dos principais chamariz do Brasil no turismo internacional, principalmente no segmento de esporte, sol e praia, e etc. Durante a pandemia, houve uma queda de 90% neste mercado e a perspectiva é que a retomada seja um pouco mais lenta.

“Acreditamos que 2022 ainda será um ano fraco mas esperamos que em 2023 alcancemos a retomada. Contudo, queremos trabalhar desde hoje uma promoção conjunta do Nordeste lá fora. Porque não podemos deixar para começar a fazer essa divulgação lá em 2023”, afirmou Carina Câmara, coordenadora da câmara temática de turismo do consórcio nordeste.

“Não temos um trabalho bem feito do Brasil lá fora, mas temos potencial. É a hora de preparar a casa e fazer essa promoção para receber o turista estrangeiro.”

“Isso é uma coisa que tem que ser feita com tempo. Em 2022, teremos que pegar firme na promoção dos destinos no exterior, para que em 2023 consigamos abocanhar parte desse mercado. Sabemos que eventualmente perderemos um pouco do mercado interno, porque os brasileiros voltaram a ir pra fora do País, então teremos que repor este público com o turismo internacional, recebendo turistas estrangeiros”, disse a coordenadora.

Leonel Andrade, CEO da CVC.

Leonel Andrade, CEO da CVC.

De acordo com o CEO da CVC, entre os principais desafios do setor estão: a necessidade de criar produtos e serviços criativos e inovadores no pós verão do ano que vem, o cêmbio para retomada internacional, a retomada do corporativo, que deve ser impulsionada apenas com a volta de eventos e feiras agregado com a volta dos escritórios e principalmente o investimento em comunicação.

“Todos estes desafios necessitarão de um bom planejamento para serem superados. E cabe a todos nós do setor continuar investindo muito forte em comunicação. Temos baixos esforços do governo nesse segmento, teremos que ser cada vez mais ativos, até porque já vimos que a assistência pessoal tem sido o grande diferencial. A venda presencial ganhou um impulso muito grande durante a pandemia, porque as pessoas viram a necessidade de ter algum profissional para dar todo o suporte necessário”, finalizou Leonel.

“O Brasil hoje é uma tartaruga, voamos cinco vezes menos que os americanos, por exemplo. Vamos quebrar essas barreiras e não pensar em coisas complementares de curto prazo. Temos um potencial enorme, mas uma carga tributária gigante, uma falta de competitividade em insumos”.

O CEO da Latam aproveitou o momento para fazer um apelo “meu apelo é para que aproveitemos essa crise para sair diferente dela, olhando para o que queremos a longo prazo. O Brasil hoje é uma tartaruga, voamos cinco vezes menos que os americanos, por exemplo. Vamos quebrar essas barreiras e não pensar em coisas complementares de curto prazo. Temos um potencial enorme, mas uma carga tributária gigante, uma falta de competitividade em insumos, politicas que mudam o tempo todo e é essa ineficiência estrutural no turismo do Brasil encarece a operação das companhias aéreas no País”.

Mudança no perfil do consumidor

Um dos principais pontos a ser levado em consideração no planejamento para o futuro do setor é a mudança no perfil dos viajantes e as tendências de viagem para os próximos anos.

“O que vemos pela frente no Brasil será pautado também pelas grandes tendências mundiais. Vimos o forte movimento do revenge travel lá fora e ele finalmente têm chegado ao Brasil. Muito mais que a compra de produtos é o desejo exacerbado das pessoas viajaram”, explicou a presidente da Abav Nacional, Magda Nassar.

Uma pesquisa realizada com os 2,2 mil associados da entidade revelou que o perfil do consumidor mudou bastante durante a pandemia. Atualmente, o turismo brasileiro tem sido impulsionado por viagens em família e no nacional. As agências também saíram muito bem dessa pandemia, e sentiram que houve um ‘shift’ de 79% na sua clientela. “Isso acontece porque o agenciamento saiu muito fortificado, como uma nova tendência de compra e venda de produtos turísticos. As pessoas entenderam a importância do agente durante a crise”, afirmou Nassar.

De acordo com Carina Câmara, o brasileiro passou a explorar mais o seu País, principalmente pela impossibilidade de ir pra fora. “Historicamente, o brasileiro vai muito para fora e às vezes nem conhece o seu País. A pandemia mudou isso e deu essa alavancada no turismo doméstico. Acredito que em 2022 ainda estaremos nessa fase. Além disso, o mercado de luxo veio com força total. A classe A do Brasil também tem buscado por experiências e destinos por aqui”, finalizou.

Viagens corporativas devem ganhar força em 2022, com a retomada de escritórios, eventos e feiras.

Viagens corporativas devem ganhar força em 2022, com a retomada de escritórios, eventos e feiras.

Na visão das aéreas, uma outra mudança significativa no perfil do passageiro é a substituição do passageiro corporativo pelo passageiro de lazer. “Hoje vemos mais pessoas realizando uma viagem por lazer e menos pelo motivo ‘negócio’. Essa tem sido uma mudança importante pro setor, principalmente na aviação”, explicou Jerome.

Esta mudança de perfil impactou diretamente nas operações das companhias, tanto nas tarifas, quanto na malha aérea. Contudo, “isso deve mudar já nos próximos meses, porque o turismo corporativo vem retornando com a recuperação dos escritório. Enxergamos uma volta mais forte do corporativo em 2022, e o turismo terá que se reorganizar pra isso pois, novamente, é um perfil de turista diferente”, finalizou o CEO.

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