Anac / Passagem
Dados consideram apenas voos domésticos vendidos ao público geral (Freepik)

A tarifa média das passagens aéreas domésticas no Brasil ficou em R$ 660,54 por trecho no mês de junho, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (20) pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O levantamento mostra que o valor permaneceu praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado, com alta real de apenas 0,3%, mas revela diferenças importantes no comportamento do mercado, especialmente na distribuição dos preços pagos pelos passageiros e na evolução dos custos operacionais das companhias aéreas.

Os números fazem parte da atualização mensal do Painel de Tarifas Aéreas da Anac, que reúne informações sobre todas as rotas domésticas operadas no país e permite acompanhar a evolução dos preços cobrados pelas empresas aéreas ao longo do ano.

Quase metade das passagens foi vendida por menos de R$ 500

Apesar da tarifa média nacional superar os R$ 660, o levantamento mostra que os passageiros encontraram uma ampla oferta de bilhetes em valores inferiores a esse patamar.

Segundo a Anac, 47,2% dos assentos comercializados em junho foram vendidos por menos de R$ 500. Ao mesmo tempo, cerca de 65% de todas as passagens adquiridas pelo público geral ficaram abaixo da média nacional, demonstrando que uma parcela menor de bilhetes com valores mais elevados acaba influenciando o cálculo final da tarifa média.

Na outra ponta do levantamento, 6,3% das passagens foram comercializadas por mais de R$ 1,5 mil, faixa normalmente associada a compras feitas próximas da data da viagem, períodos de maior demanda ou rotas com menor oferta de voos.

Tarifa apresenta pouca variação em relação aos últimos anos

Os dados da Anac indicam estabilidade nas tarifas quando comparadas aos últimos anos, considerando os valores corrigidos pela inflação oficial medida pelo IPCA.

Em relação a junho de 2025, a tarifa média teve aumento real de 0,3%. Já na comparação com junho de 2024, a alta foi de 3,1%.

Os indicadores mostram que, apesar das oscilações observadas ao longo do ano em função da demanda, férias escolares e sazonalidade, o preço médio das passagens domésticas permanece relativamente estável quando analisado em termos reais.

Combustível de aviação sobe mais de 57%

Enquanto as tarifas registraram pequena variação, o mesmo não ocorreu com um dos principais custos das companhias aéreas.

O preço médio do querosene de aviação (QAV), combustível utilizado pelas aeronaves, atingiu R$ 5,66 por litro em junho.

Segundo a Anac, isso representa um aumento de 57,6% em relação ao mesmo mês de 2025 e de 34,1% na comparação com junho de 2024.

O combustível figura entre os maiores componentes da estrutura de custos da aviação comercial e costuma exercer influência direta sobre a rentabilidade das empresas, embora seu impacto nas tarifas dependa também de fatores como concorrência entre companhias, ocupação das aeronaves, oferta de voos, câmbio e demanda do mercado.

Como a Anac calcula a tarifa média

A metodologia utilizada pela Anac considera todos os bilhetes adquiridos para voos domésticos durante o mês analisado, independentemente da data em que a viagem será realizada.

No cálculo entram apenas os valores pagos exclusivamente pelo transporte aéreo. Taxas de embarque e serviços opcionais contratados separadamente, como despacho de bagagem, marcação antecipada de assentos ou embarque prioritário, não fazem parte da composição da tarifa média.

Também ficam fora do levantamento passagens adquiridas por programas de milhagem, tarifas corporativas negociadas por empresas e bilhetes destinados a funcionários das companhias aéreas ou outros descontos que não estejam disponíveis ao público em geral.

Com essa metodologia, o painel busca retratar o comportamento dos preços efetivamente pagos pelos consumidores no mercado doméstico brasileiro.

Distribuição das tarifas ajuda a entender o mercado

Os números divulgados pela Anac mostram que observar apenas a tarifa média pode não refletir completamente a realidade enfrentada pelos passageiros.

Embora o valor médio nacional tenha ficado acima de R$ 660, a concentração de bilhetes vendidos abaixo de R$ 500 demonstra que boa parte dos consumidores conseguiu encontrar preços inferiores à média, especialmente em compras realizadas com antecedência ou em rotas com maior concorrência.

Ao mesmo tempo, a existência de uma parcela menor de passagens comercializadas acima de R$ 1,5 mil eleva o valor médio final do indicador, uma característica comum em mercados que trabalham com precificação dinâmica.

Painel acompanha evolução do setor aéreo

O Painel de Tarifas Aéreas é atualizado mensalmente pela Anac e reúne informações sobre preços, distribuição tarifária e indicadores relacionados ao transporte aéreo doméstico.

Além de acompanhar a evolução das tarifas, os dados permitem monitorar o comportamento do mercado brasileiro ao longo do tempo, oferecendo um retrato da relação entre demanda, oferta e custos operacionais das empresas aéreas.