
A alta dos preços do combustível deve aumentar a pressão sobre as companhias aéreas europeias nos próximos meses, com reflexos sobre tarifas, capacidade e a sustentabilidade financeira de algumas empresas. A Ryanair, no entanto, não pretende repassar diretamente esse custo aos passageiros por meio de uma sobretaxa.
Para o CEO Michael O’Leary, a estratégia deverá ser diferente entre as concorrentes tradicionais, que tendem a incorporar a alta aos preços das passagens no próximo verão europeu. “A Ryanair não vai cobrar sobretaxa de combustível, mas as companhias tradicionais certamente vão fazer isso no próximo verão”, afirmou O’Leary.
Embora muitas empresas tenham proteção financeira para o combustível ao longo de 2026, a perspectiva para 2027 é de maior pressão sobre as margens. O’Leary considera que os preços elevados do petróleo dificilmente poderão ser absorvidos pelas empresas sem mudanças nas políticas comerciais. “Nenhuma companhia conseguirá absorver preços elevados de petróleo no próximo ano sem ajustar suas políticas comerciais.”
Nesse cenário, a estimativa é de que os concorrentes elevem suas tarifas entre 10% e 20% no próximo verão europeu, utilizando sobretaxas para compensar parte do aumento dos custos.
Ryanair reduz previsão de passageiros
A Ryanair também adotou medidas para limitar sua exposição ao combustível não coberto por proteção financeira. A companhia implementou limites planejados em sua oferta de capacidade, movimento que resultou na revisão da previsão de passageiros para o ano fiscal encerrado em março de 2027.
A estimativa passou de 216 milhões para 214 milhões de passageiros. A redução acompanha a estratégia de controlar a capacidade diante do cenário de custos mais elevados, em vez de repassar o impacto diretamente aos clientes por meio de uma sobretaxa específica.
Falências podem acelerar concentração
A pressão sobre os custos ocorre em um mercado que já enfrenta dificuldades entre alguns operadores, especialmente no segmento regional. A airBaltic, por exemplo, entrou recentemente com pedido de proteção contra falência nos Estados Unidos, por meio do Chapter 11.
O movimento é apontado por O’Leary como um sinal de um processo mais amplo de consolidação. Na avaliação do CEO, empresas que atualmente operam com prejuízo tendem a deixar o mercado, caso não consigam reverter seus resultados, abrindo espaço para uma concentração ainda maior da aviação europeia.
A Ryanair já negocia com aeroportos interessados em avaliar os efeitos de eventuais cortes de capacidade provocados pela saída de concorrentes. A redução da oferta poderia, dessa forma, alterar a distribuição de voos e participação entre as empresas que permanecerem no mercado.
A expectativa de O’Leary é que o setor europeu caminhe para uma estrutura dominada por quatro grandes grupos: IAG, Lufthansa Group, Air France/KLM e Ryanair. Nesse cenário, uma nova alta dos custos de combustível tende, na avaliação do executivo, a acelerar a saída de empresas deficitárias e antecipar o processo de consolidação do transporte aéreo europeu.
*Com informações de Aeroin.







