
Poucos mercados despertam tanta atenção da MSC Cruzeiros quanto o Brasil. Com o maior litoral da América do Sul, diversidade de destinos e uma população ainda pouco familiarizada com as viagens marítimas quando comparada a mercados maduros, o país continua sendo visto pela companhia como uma das principais oportunidades de crescimento global.
Ao mesmo tempo em que amplia sua oferta, investe em navios mais modernos e fortalece a presença do MSC Yacht Club na região, a armadora acompanha mudanças importantes no comportamento do consumidor, no papel dos agentes de viagens e na forma como os hóspedes enxergam a experiência de um cruzeiro.
Para Adrian Ursilli, diretor-geral da MSC Cruzeiros no Brasil, o mercado nacional ainda está longe de atingir seu potencial máximo: “O mercado brasileiro ainda tem um enorme potencial de crescimento, haja vista o número da população brasileira, bem como o fato de que o Brasil, como mercado emissor no setor de cruzeiros, representou em 2025 menos de 2,5% do total de viajantes, de acordo com estudos da Clia”.
Segundo o executivo, o desafio não está apenas em aumentar o número de passageiros, mas em criar condições para que o país se torne mais competitivo dentro do cenário internacional.
Infraestrutura ainda limita expansão
Apesar do crescimento consistente observado nos últimos anos, Ursilli avalia que a indústria de cruzeiros ainda enfrenta obstáculos importantes para acelerar sua expansão no Brasil.
Entre eles estão os altos custos operacionais, limitações de infraestrutura e a necessidade de maior previsibilidade regulatória.
“O Brasil já reúne muitos dos atributos necessários para se consolidar entre os principais mercados de cruzeiros do mundo. É um destino com forte apelo regional e internacional, que combina diversidade de roteiros, rica gastronomia, belezas naturais e a reconhecida hospitalidade do seu povo.”
Para o executivo, alcançar um patamar semelhante ao dos Estados Unidos e de importantes mercados europeus exige avanços estruturais.
“Para alcançar um patamar semelhante ao de mercados maduros, como Estados Unidos e Europa, é fundamental avançar em aspectos como infraestrutura portuária, custos competitivos, previsibilidade regulatória e ampliação da oferta de destinos aptos a receber navios de grande porte.”
Ele reforça que a MSC segue atuando em conjunto com a Clia Brasil e autoridades locais na busca por soluções capazes de estimular um crescimento sustentável do setor.
O cruzeiro deixou de ser apenas transporte e hospedagem
Se antes o passageiro escolhia um cruzeiro principalmente pelo roteiro, hoje a decisão está cada vez mais ligada ao conjunto de experiências oferecidas a bordo.Na avaliação de Ursilli, o consumidor passou a buscar algo muito além do deslocamento entre destinos.
“Hoje, o brasileiro não está escolhendo apenas um destino ou um navio, mas sim uma experiência completa de viagem.”
Restaurantes especializados, entretenimento de padrão internacional, áreas exclusivas, experiências em terra, tecnologia e serviços personalizados passaram a ter peso crescente na decisão de compra.
“Percebemos que os hóspedes valorizam a combinação de diferentes elementos em uma única viagem: gastronomia de qualidade, entretenimento de padrão internacional, bem-estar, tecnologia, áreas exclusivas, atividades para diferentes perfis e experiências em terra.”
Essa mudança acompanha uma transformação mais ampla do turismo mundial, na qual o viajante busca memórias e vivências únicas em vez de apenas visitar destinos.
Um público cada vez mais diverso
A própria composição dos hóspedes mudou significativamente nos últimos anos.Além das famílias e dos passageiros tradicionais, a MSC observa crescimento entre casais jovens, grupos de amigos, viajantes solo e até clientes corporativos.
“Hoje, o público é muito mais diverso, tanto em faixa etária quanto em interesses e estilos de viagem.”
Segundo Ursilli, congressos, viagens de incentivo, premiações e eventos corporativos passaram a representar uma fatia cada vez mais relevante das operações da companhia.A evolução do perfil dos hóspedes também ajuda a derrubar antigos preconceitos sobre os cruzeiros.
“Um dos mitos mais comuns sobre cruzeiros é a ideia de que são viagens pouco acessíveis, com preços altos.”
O executivo lembra que muitos consumidores ainda carregam uma percepção construída décadas atrás, quando os navios eram menores e o produto era direcionado a um público muito mais restrito.
Hoje, afirma, os cruzeiros oferecem uma das melhores relações custo-benefício do turismo.
O brasileiro gosta de viver intensamente o navioSe existe uma característica que chama atenção da MSC, ela está na forma como os brasileiros aproveitam a experiência a bordo.“O consumidor brasileiro valoriza a experiência social e o aproveitamento intenso de tudo o que o navio oferece.”
Piscinas, áreas externas, restaurantes, bares, atividades recreativas e eventos costumam ter grande adesão dos hóspedes nacionais: “O brasileiro costuma explorar muito as áreas comuns, interagir com outros hóspedes e aproveitar ao máximo a programação a bordo”.
Segundo Ursilli, esse comportamento influencia diretamente a evolução dos produtos oferecidos pela companhia e ajuda a moldar novas experiências voltadas ao mercado brasileiro.
Agentes de viagens seguem estratégicos
Mesmo diante do avanço das vendas digitais, da automação e da inteligência artificial, Ursilli acredita que o papel do agente de viagens continuará sendo fundamental para o desenvolvimento do setor.
“O agente de viagens continuará desempenhando um papel fundamental na venda de cruzeiros nos próximos anos.”
Para ele, nenhuma tecnologia substitui o conhecimento especializado e a capacidade consultiva desses profissionais.
“Trata-se de um parceiro estratégico da MSC Cruzeiros, que agrega conhecimento, consultoria especializada e um atendimento personalizado e humanizado capaz de entender as necessidades de cada cliente e recomendar a melhor experiência de viagem.”
O diretor acredita que os agentes mais bem-sucedidos serão justamente aqueles que conseguirem unir tecnologia, conteúdo e relacionamento.
Especialização será diferencial competitivo
Mais do que vender uma cabine ou um roteiro, os profissionais que desejam se destacar precisarão atuar como consultores especializados.
“A principal diferença está na profundidade do conhecimento e na capacidade de atuar como consultor especializado.”
Segundo Ursilli, os agentes que se tornam referência no segmento são aqueles capazes de compreender profundamente os produtos, vivenciar experiências, acompanhar tendências e construir relações duradouras com seus clientes.
“Quanto maior o conhecimento e a capacidade de traduzir a complexidade do produto em recomendações personalizadas, maior a tendência de o agente se consolidar como uma referência para seus clientes.”
O crescimento do segmento premiumEntre as tendências mais fortes observadas pela MSC está a expansão da demanda por produtos premium e experiências exclusivas.
“Existe uma parcela crescente dos consumidores brasileiros disposta a investir mais quando percebe valor real na experiência oferecida.”
Essa busca por exclusividade ajudou a impulsionar o crescimento do MSC Yacht Club, produto que oferece áreas reservadas, atendimento personalizado e benefícios exclusivos dentro dos navios da companhia.
“O sucesso do produto demonstra que existe uma demanda crescente por experiências diferenciadas e que o consumidor brasileiro reconhece o seu valor.”
A estratégia ganhou tanta relevância que, na próxima temporada, todos os navios da MSC posicionados na América do Sul contarão com a área exclusiva.
Personalização, IA e sustentabilidade moldarão o futuro
Ao olhar para os próximos anos, Ursilli acredita que três pilares definirão a próxima grande transformação da indústria: personalização, tecnologia e sustentabilidade.
“Acreditamos que a próxima grande transformação do mercado de cruzeiros será impulsionada pela combinação entre personalização, tecnologia e sustentabilidade.”
A inteligência artificial aparece como uma das apostas mais relevantes da companhia, especialmente na criação de experiências personalizadas.Um exemplo é o MSC Concierge, assistente virtual integrado ao ecossistema digital MSC for Me, capaz de fornecer informações em tempo real e recomendações adaptadas ao perfil de cada hóspede.
“A utilização da inteligência artificial como uma camada permanente da experiência de viagem ajudará a criar experiências mais personalizadas, contextuais e dinâmicas.”
Ao mesmo tempo, a sustentabilidade continuará ocupando papel central nos investimentos da armadora, com foco em eficiência energética, combustíveis alternativos e redução do impacto ambiental das operações.
Brasil seguirá no centro da estratégia
Ao fazer um balanço da última década, Ursilli aponta que a decisão mais importante da MSC foi justamente reforçar sua aposta no mercado brasileiro.
“Uma das decisões mais relevantes foi o fortalecimento contínuo da nossa presença no país.”
Essa estratégia incluiu ampliação da oferta, modernização da frota na América do Sul, investimentos em capacitação de agentes de viagens, marketing e desenvolvimento de produtos adaptados ao perfil do consumidor nacional.
“O Brasil continua sendo um mercado estratégico para a MSC Cruzeiros e seguimos totalmente comprometidos com o crescimento sustentável da indústria de cruzeiros no país.”







