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Cruzeiros / Turismo em Dados

Cruzeiros injetam mais de R$ 2 bilhões na economia brasileira; veja panorama

A Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Brasil) divulgou seu anual  “Estudo de Perfil e Impactos Econômicos de Cruzeiros Marítimos no Brasil – Temporada 2018/2019”, durante o 3° Fórum Clia Brasil, que acontece nesta quarta-feira (28) na sede do Ministério do Turismo, em Brasília. O levantamento, realizado em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), traz dados inéditos do setor no Brasil e no mundo, além de traçar a interferência do cenário da economia nacional e internacional no segmento e no comportamento do turista.

Números são referentes à temporada 2018/2019, que também contabilizou 462 mil cruzeiristas embarcados

De acordo com a pesquisa, a temporada 2018/2019 de Cruzeiros Marítimos no Brasil – que teve início em 13 de novembro de 2018 e encerrou-se em 18 de abril de 2019 – foi responsável por um impacto econômico de R$ 2.083 bilhões na economia do país. Esse número, que engloba tanto os gastos diretos, indiretos e induzidos das companhias marítimas, quanto os gastos de cruzeiristas e tripulantes, foi 16,2% maior em comparação ao período 2017/2018, o que significa um acréscimo de R$ 291 milhões.

As viagens no mundo, de acordo com a Organização Mundial do Turismo (UNWTO), chegaram ao patamar de 1,4 bilhão de chegadas internacionais de turistas no ano de 2018, 6% acima do número de 1,3 bilhão de 2017. O setor de cruzeiros, parte desses números, também obteve crescimento, impulsionado, principalmente, pelo aumento da quantidade e diversificação de roteiros.

Em 10 anos, a procura por viagens a bordo de um navio aumentou pouco mais de 60%, passando de 17,8 milhões em 2009 para os 28,5 milhões atuais

Segundo a Clia Brasil, em 2018 o número total de cruzeiristas no mundo foi de 28,5 milhões. Em 10 anos, a procura por viagens a bordo de um navio aumentou pouco mais de 60%, passando de 17,8 milhões em 2009 para os 28,5 milhões atuais. Além disso, em 2019 o setor ganhará 24 novos navios e capacidade adicional total de 42.466 pessoas e, em 2020, mais 25 novos navios já estão previstos, com capacidade adicional total de 43.080 pessoas.

Os setores mais beneficiados com os gastos dos cruzeiristas e tripulantes (sem contar armadoras) foram: comércio varejista – despesa com compras e presentes – (R$ 329,7 milhões), seguido por alimentos e bebidas (R$ 325,1 milhões), transporte antes e/ou após a viagem (R$ 175,8 milhões), passeios (R$ 140,9 milhões), transporte nas cidades visitadas (R$ 69,1 milhões) e hospedagem antes ou após a viagem de cruzeiro (R$ 43,7 milhões).

Impacto econômico total

Impacto econômico total

O levantamento ainda mostra que o gasto médio por passageiro com a compra da viagem de cruzeiro foi de R$ 2.929, e o tempo médio da viagem foi de 5,5 dias. Além disso, o estudo mostra que o impacto econômico médio gerado por cada cruzeirista nas cidades de escala foi de R$ 581,35 (na última temporada foi R$ 515).

TEMPORADA BRASILEIRA

Foram exatos 841 dias de navegação (5,4% a mais que na temporada anterior), com sete navios operando na costa brasileira, transportando, aproximadamente, 462 mil cruzeiristas (crescimento de 10,5% ante os 418 mil anteriores) por 14 destinos nacionais (Santos, Rio de Janeiro, Búzios, Salvador, Ilha Grande, Ilhabela, Ilhéus, Recife, Maceió, Angra dos Reis, Porto Belo, Cabo Frio, Ubatuba e Balneário Camboriú), e por outros três locais na América do Sul: Argentina (Buenos Aires) e Uruguai (Montevidéu e Punta del Este).

Foram exatos 841 dias de navegação (5,4% a mais que na temporada anterior), com sete navios operando na costa brasileira, transportando, aproximadamente, 462 mil cruzeiristas

Vale ressaltar que esse acréscimo, mesmo com igual número de navios nas últimas temporadas, pode ser explicado pelo aumento da eficiência das embarcações e roteiros. Para se ter uma ideia, o número médio de cruzeiristas por navio por temporada teve um aumento de 10,5%, entre 2017/2018 e 2018/2019.

“Esse é o segundo período de alta e a tendência é continuar crescendo nos próximos anos. A grande questão é que, ao lado dos dados positivos, existe a constatação de que os números poderiam ser bem melhores, com avanços e ajustes na regulação, infraestrutura e desenvolvimento de novos destinos. O objetivo da Clia é melhorar o ambiente de negócios para atrair mais Navios de Cruzeiros, abrir portas para os destinos, fortalecer o turismo e ter uma parceria de sucesso com o país e com as comunidades, já que nosso setor é forte gerador de empregos e de renda”, enfatiza Marco Ferraz, presidente da Clia Brasil.

PERFIL DOS VIAJANTES

A maior parte dos pesquisados (mais precisamente 86,2%) demonstrou desejo de realizar uma nova viagem de cruzeiro. Quanto à frequência, 51,7% dos cruzeiristas realizavam sua primeira viagem de navio, enquanto 48,3% já haviam viajado de cruzeiro (três vezes, em média).

Os resultados da pesquisa destacam ainda que a indicação de amigos e parentes (28,8%) e os preços mais vantajosos (12,1%) foram os principais fatores de influência na decisão de fazer uma viagem de cruzeiro.

O Litoral Nordeste lidera sendo o destino preferido dos brasileiros, com 58,1%, em seguida, aparece a Costa Sul, com 16% da procura.  No exterior, 37,7% dos cruzeiristas indicaram o Caribe como preferência de viagem, seguido da Europa, com 36,4%.

No que diz respeito à origem dos turistas pesquisados, 90,9% residem no Brasil, sendo a maioria dos entrevistados procedentes do Estado de São Paulo (54,9%), seguido do Estado do Rio de Janeiro (16%) e do Estado de Minas Gerais (6,3%). Dentre os estrangeiros (9,1%), destaca-se a Argentina, com 55% dos pesquisados.

IMPACTO ECONÔMICO E GERAÇÃO DE EMPREGOS

Durante a temporada 2018/2019 foram gerados 31.992 postos de trabalho na economia brasileira, 15,3% a mais do que na temporada anterior

Durante a temporada 2018/2019 foram gerados 31.992 postos de trabalho na economia brasileira, 15,3% a mais do que na temporada anterior

Na temporada 2018/2019 foram gerados 31.992 postos de trabalho na economia brasileira, 15,3% a mais que no período anterior. Do total de empregos criados pelo segmento, 2.115 foram de tripulantes dos navios e outros 29.877 empregos diversos, de forma direta, indireta e induzida, motivados pelos gastos dos turistas nas cidades portuárias de embarque/desembarque e visitadas, além dos gerados na cadeia produtiva de apoio ao setor.

EXPECTATIVAS PARA PRÓXIMA TEMPORADA

A temporada 2019/2020 no Brasil receberá exatos oito navios: MSC (Seaview, Sinfonia, Fantasia, Música e Poesia), Costa (Pacífica e Fascinosa) e Pullmantur (Soberano), trazendo 531.121 leitos divididos por 144 roteiros e 575 escalas. Outra grande novidade é a cidade de Itajaí, em Santa Catarina, que passará a ter embarques e desembarques, ampliando as opções para os moradores da região Sul do país, como já adiantado pelo M&E.

“Temos hoje destinos mais próximos de operar a temporada brasileira, é o caso de Arraial do Cabo-RJ, que teve o porto desembargado há dois meses, e Penha-SC, onde já temos o ponto de fundeio estabelecido. A médio prazo, queremos voltar para São Francisco do Sul, que depende de um batimetria, temos projetos para chegar à Ilha do Mel, no Paraná, que já tem até um ponto de fundeio. Paraty-RJ, Vitória-ES, Itaparica-BA, Porto Seguro-BA, Maceió-AL e Aracaju-SE são outros destinos que daremos uma maior atenção para as próximas temporadas”, completa Ferraz.

O estudo completo será disponibilizado ao público em breve pela Clia Brasil.

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