
BRASÍLIA – O presidente e CEO da Clia Global, Bud Darr, defendeu a criação de um ambiente mais competitivo para que o Brasil atraia novos navios e conquiste uma participação maior no crescimento global da indústria de cruzeiros. Durante a abertura do 8º Fórum CLIA Brasil 2026, realizado nesta quarta-feira (26), em Brasília, o executivo destacou sinais positivos de recuperação do mercado brasileiro, mas alertou que o país ainda precisa avançar em questões já conhecidas, como custos e ambiente regulatório.
“Vamos trabalhar juntos para garantir que o Brasil não apenas recupere a participação que perdeu, mas cresça no futuro. Não vamos deixar os cruzeiros irem para outros lugares. Vamos estimular a chegada de novos navios ao Brasil”, afirmou.
Darr lembrou que a Clia já havia feito um alerta durante a edição anterior do fórum, quando o mercado brasileiro registrava sinais de perda de capacidade. Segundo ele, enquanto a demanda permanecia elevada, o país sofreu uma queda de cerca de 20% na capacidade de cruzeiros em um ano, cenário influenciado, entre outros fatores, pelos custos e pelo ambiente regulatório.
Agora, porém, o presidente da Clia Global afirmou enxergar sinais encorajadores de uma recuperação. O desafio, segundo ele, será garantir que o Brasil acompanhe o ritmo de expansão da indústria mundial.
“Ficar parado não é suficiente. A indústria está crescendo entre 6% e 7% ao ano, e não há razão para que o Brasil não possa crescer nesse ritmo ou até mais, se continuarmos criando o ambiente e os incentivos adequados para que as companhias de cruzeiros voltem, atendam os passageiros brasileiros e tragam cada vez mais turistas internacionais”, destacou.
Brasil representa ainda pequena parcela do mercado global
O executivo também chamou atenção para a dimensão do mercado brasileiro em comparação com o cenário internacional. Enquanto a indústria global segue crescendo e movimenta dezenas de milhões de passageiros, o volume projetado para o Brasil ainda representa uma pequena fração desse total, apesar do potencial turístico do país.
Para Darr, o Brasil reúne atributos importantes para ampliar sua participação, como diversidade de destinos, demanda interna, conectividade aérea, litoral extenso e potencial para receber turistas internacionais. Ele citou as praias do Nordeste, as atrações do Sul e destinos como o Rio de Janeiro entre os ativos capazes de fortalecer o posicionamento do país.
“O Brasil tem a demanda, tem os ingredientes e tem um enorme potencial ainda não explorado. Agora precisamos juntar tudo isso para não apenas manter ou recuperar o mercado, mas garantir que o país tenha a sua justa participação no crescimento que veremos na indústria”, disse.
O presidente da Clia Global também levantou a possibilidade de ampliar as operações ao longo de todo o ano, com maior integração entre destinos do Norte e do Sul do país, atraindo navios que ainda não operam no mercado brasileiro ou criando condições para manter embarcações por períodos mais longos, principalmente na região Norte do país.
Competição global por navios segue acirrada – e Brasil precisa entrar no jogo
Um dos principais alertas de Darr foi sobre a concorrência internacional pelos navios. Segundo ele, as companhias avaliam diferentes destinos e itinerários com base na viabilidade econômica das operações.
“Se eu tenho apenas dez navios, esses dez navios vão para os dez melhores itinerários do ponto de vista econômico. Eu não preciso ser o melhor destino do mundo, mas não posso estar fora dos dez melhores”, exemplificou.
Por isso, segundo o executivo, cada novo custo, imposto, exigência legal ou restrição precisa ser avaliado sob a perspectiva do impacto sobre a operação. “A chave é encontrar o equilíbrio adequado para que os custos sejam razoáveis e o mercado permita uma margem para as companhias. Caso contrário, os navios vão para outros lugares. Vamos garantir que eles venham para o Brasil”, reforçou.
Crescimento da indústria reforça oportunidade
Bud também destacou o otimismo da indústria em nível global, apontando para o forte volume de investimentos em novos navios. Segundo ele, a demanda por capacidade nos estaleiros europeus é tão elevada que, mesmo com recursos disponíveis, uma nova encomenda feita atualmente poderia não ser entregue antes de 2036, devido à falta de espaço nos estaleiros.
Para o presidente da Clia Global, o cenário demonstra a confiança das companhias, investidores e instituições financeiras no futuro do setor e reforça a necessidade de o Brasil se posicionar para receber uma parcela desse crescimento.
“A indústria continuará crescendo. Isso demonstra grande otimismo não apenas das companhias de cruzeiros, mas também da comunidade de investimentos e do setor financeiro. Vamos garantir que o Brasil tenha a sua participação nesse crescimento”, afirmou.
Impacto econômico e sustentabilidade
Além da movimentação turística, Darr ressaltou os efeitos econômicos gerados pela indústria ao longo de toda a cadeia, desde fornecedores e produtores até trabalhadores embarcados e atividades realizadas nos destinos. Ele destacou ainda a oportunidade de atrair visitantes internacionais que, muitas vezes, conhecem um destino pela primeira vez a partir de uma viagem de cruzeiro.
O executivo também abordou os avanços da indústria na agenda ambiental. Segundo ele, o setor vem investindo em tecnologias e em alternativas para reduzir sua pegada de carbono, com o objetivo de alcançar emissões líquidas zero até 2050.
Mais de 60% dos navios atualmente encomendados, segundo Darr, já contam com condições de utilizar combustíveis alternativos quando estiverem disponíveis em escala comercial.
Ao final, o presidente da Clia Global pediu mobilização conjunta. Para ele, o crescimento sustentável do mercado brasileiro dependerá da coordenação entre poder público, portos, destinos e empresas.
“Podemos trabalhar juntos para criar esse ambiente. O potencial está aqui. Agora precisamos garantir que o Brasil não apenas se recupere, mas cresça e conquiste a participação que merece na indústria global de cruzeiros”, concluiu.







