Royal
O presidente executivo da Sandals, Adam Stewart, ao lado de Jason Liberty, CEO do Royal Caribbean Group (Divulgação/Sandals)

A Royal Caribbean Group oficializou nesta quarta-feira (23) a compra de uma participação de 50% no Sandals Resorts International por aproximadamente US$ 3 bilhões. O acordo cria uma joint venture entre as duas empresas e marca a entrada mais significativa da companhia de cruzeiros no segmento de resorts all-inclusive, ampliando seu portfólio para além das experiências marítimas.

A transação envolve as marcas Sandals Resorts, voltada ao público adulto, e Beaches Resorts, direcionada a famílias, e representa um múltiplo de aproximadamente dez vezes o EBITDA futuro do negócio. A Royal Caribbean informou ainda que obteve financiamento de dívida comprometido junto ao Morgan Stanley para viabilizar o investimento. A conclusão da operação está prevista para o início de 2027, sujeita às aprovações e demais condições habituais de fechamento.

Com a operação, a Royal Caribbean passa a ter participação em um portfólio de resorts all-inclusive espalhado pelo Caribe, enquanto o Sandals ganha acesso à estrutura comercial, tecnológica e de distribuição de um dos maiores grupos globais de cruzeiros. A estratégia, segundo as empresas, é acelerar a expansão das duas marcas, ampliar a distribuição e criar novas formas de conectar os produtos de terra e mar.

Para Jason Liberty, presidente e CEO da Royal Caribbean Group, a parceria representa uma nova etapa na construção de uma plataforma integrada de férias. “Por quase 60 anos, reinventamos o que uma viagem de férias pode ser, expandindo constantemente as maneiras pelas quais inspiramos nossos hóspedes a explorar, se conectar e criar memórias para toda a vida”, afirmou. “Nossa parceria com Sandals e Beaches Resorts é um próximo passo importante nessa jornada, reunindo duas empresas líderes e icônicas de férias para fortalecer e expandir um dos portfólios de resorts mais admirados do mundo.”

A companhia já vinha ampliando sua atuação em experiências terrestres por meio de destinos privados, como Perfect Day e Royal Beach Club, além da entrada no segmento de cruzeiros fluviais, com o lançamento da Celebrity River Cruises previsto para 2027. A aquisição do Sandals acrescenta, pela primeira vez em escala relevante, uma operação de hospedagem all-inclusive ao ecossistema da empresa.

Expansão internacional no radar

Embora a operação esteja concentrada inicialmente no Caribe, os planos apresentados pelos executivos vão além da região. Em entrevista exclusiva à Travel Weekly antes do anúncio, Liberty e Adam Stewart, presidente executivo do Sandals, disseram que um dos objetivos da sociedade é ampliar a presença internacional das marcas.

Stewart afirmou que o investimento permitirá à empresa “esticar as pernas” para além do Caribe de língua inglesa e holandesa. “Sempre acreditamos que o Caribe tinha capacidade de se destacar no cenário mundial. Ainda vemos muito espaço para crescimento no Caribe, mas também existe uma oportunidade de expandir o negócio”, disse.

Liberty acrescentou que a expansão global é respaldada por dados sobre o comportamento dos consumidores e seus interesses em diferentes formatos de férias.

A estratégia, portanto, não se limita a aumentar a quantidade de quartos no Caribe. A intenção declarada pelas empresas é usar a combinação das duas operações para alcançar consumidores em diferentes momentos da jornada de viagem e ampliar a frequência de relacionamento com os clientes.

“Estamos entrando no segmento de all-inclusive pelo mesmo motivo pelo qual entramos nos cruzeiros fluviais”, afirmou Liberty à Travel Weekly. “Seja na água ou em terra, queremos proporcionar uma vida inteira de férias.”

Integração entre cruzeiros da Royal e resorts da Sandals

Um dos pontos centrais da parceria será a aproximação entre as bases de clientes das duas empresas. Segundo Jason Liberty, Royal Caribbean e Sandals já identificam sobreposição entre seus públicos e pretendem explorar esse relacionamento de forma mais estruturada.

A ideia inclui conectar os programas de fidelidade das companhias. O executivo da Royal Caribbean explicou que será necessário desenvolver tecnologia para integrar os sistemas, mas que o objetivo é permitir que um cliente Sandals seja reconhecido por seu status quando estiver a bordo de um navio da Royal Caribbean, e vice-versa.

As companhias também pretendem ampliar a distribuição cruzada e facilitar o acesso dos consumidores às experiências oferecidas pelos dois grupos. A Royal Caribbean, no entanto, sinalizou que a integração não significa simplesmente combinar cruzeiros com acessos pontuais aos resorts. O foco inicial será a expansão do negócio hoteleiro e a construção de uma plataforma mais ampla de férias.

Mais resorts no Caribe

A operação acontece em um momento de expansão do Sandals. Fundada em 1981 por Gordon “Butch” Stewart, a companhia construiu uma das marcas mais conhecidas do segmento all-inclusive no Caribe. A empresa opera atualmente resorts sob as marcas Sandals e Beaches em destinos como Jamaica, Bahamas, Santa Lúcia, Barbados, Grenada, Curaçao, São Vicente e Granadinas, Antigua e Turks & Caicos. A Reuters informa que o portfólio envolvido na operação soma 20 resorts.

A expansão da Beaches está entre as principais frentes de crescimento. A empresa anunciou anteriormente investimentos de quase US$ 1 bilhão na marca ao longo de cinco anos, incluindo novos projetos e conversões de propriedades existentes. Entre os planos estão o Beaches Barbados, com 600 quartos, a transformação do Sandals Emerald Bay, nas Bahamas, em Beaches Exuma, e a construção do Beaches Runaway Bay, na Jamaica.

O Sandals também vem investindo na recuperação e modernização de propriedades na Jamaica afetadas pelo furacão Melissa, que atingiu o país em outubro de 2025.

Para Stewart, a entrada da Royal Caribbean deve acelerar esse movimento sem alterar a identidade das marcas. “Os 20 resorts existentes permanecem como estão, mas estamos sempre pensando na próxima geração de all-inclusives. Sempre haverá evolução, e acredito que isso vai acelerar. Mas a ideia é que o DNA de Sandals e Beaches esteja sempre presente”, afirmou.

O executivo também indicou que o foco imediato será adicionar capacidade e experiências aos resorts. A empresa possui terrenos próximos a algumas propriedades e, no futuro, essas áreas poderiam receber novos projetos, incluindo estruturas associadas ao negócio de cruzeiros.

Segundo Liberty, porém, essa não é a prioridade neste momento. “Como podemos adicionar mais quartos? Como podemos adicionar mais experiências? E só então, como podemos utilizar terrenos disponíveis ou outras oportunidades para aprofundar nossas raízes coletivas nessas nações incríveis que nos apoiam?”, afirmou.

Trade de viagens ganha novo portfólio

O canal de agências de viagens também está entre as frentes que devem ganhar força com a parceria. Royal Caribbean e Sandals já mantêm uma relação próxima com o trade, e a união das operações amplia o leque de produtos que poderão ser trabalhados pelos profissionais, combinando cruzeiros e resorts all-inclusive em diferentes momentos da jornada do viajante.

Para Jason Liberty, o principal impacto para os agentes está justamente na possibilidade de ampliar as opções oferecidas aos clientes. Segundo o executivo, a joint venture deverá “tornar melhor e mais fácil vender mais férias”.

A estratégia também prevê aproximar as bases de clientes das duas empresas. Na prática, consumidores que já viajam com a Royal Caribbean poderão ser apresentados às opções de hospedagem da Sandals e Beaches, enquanto hóspedes dos resorts passam a ter maior contato com as experiências oferecidas pelas marcas de cruzeiros do grupo.

A integração comercial deve ainda abrir espaço para ações de marketing cruzado e novas iniciativas de fidelização, incluindo a conexão dos programas das companhias. A proposta é que o relacionamento construído por um cliente em uma das empresas possa ser aproveitado também na outra, criando mais oportunidades de venda para o trade e ampliando a recorrência de viagens.

Família Stewart permanece no negócio

Apesar da entrada da Royal Caribbean, a família Stewart continuará como proprietária dos outros 50% da operação. Adam Stewart, filho do fundador Gordon “Butch” Stewart, permanecerá como presidente executivo de Sandals e Beaches e terá participação direta na condução da estratégia de longo prazo.

A joint venture será administrada por um conselho sob liderança compartilhada de Stewart e Liberty. As operações dos resorts, reservas e atividades de cruzeiros continuarão normalmente, enquanto a nova estrutura deverá fornecer recursos adicionais para a expansão.

A permanência de Stewart também é apresentada como uma forma de preservar a identidade construída pela família desde a fundação da companhia. “Meu pai, Gordon ‘Butch’ Stewart, fundou a Sandals Resorts com a crença de que uma empresa construída no Caribe poderia estar no cenário mundial ao lado dos nomes mais respeitados da hotelaria. Hoje é uma prova de até onde essa visão pode chegar”, afirmou Adam Stewart.

Em entrevista à Travel Weekly, o executivo disse que a família havia sido procurada anteriormente por investidores, inclusive do setor hoteleiro, mas que a compatibilidade entre as culturas empresariais foi determinante para a escolha da Royal Caribbean. “Foi importante encontrar a plataforma e a parceria certas para seguir em frente e concretizar nossas aspirações e a visão original do meu pai”, afirmou.

A conclusão do acordo está prevista para o início de 2027. Até lá, as operações das duas companhias seguem separadas, enquanto a estrutura da nova joint venture é preparada.

*Com informações de Travel Weekly e Travel Pulse.