Demanda por espaço em feiras da Embratur cresce e disputa chega a três candidatos por vaga
Simone Scorsato, gerente de Eventos Internacionais da Embratur (Natália Strucchi/M&E)

LONDRES – A participação do Brasil nas principais feiras internacionais de turismo segue em ritmo acelerado e com resultados expressivos. De acordo com Simone Scorsato, gerente de Eventos Internacionais da Embratur, o interesse de destinos e empresas brasileiras em integrar o calendário da Agência nunca foi tão alto.

“Hoje temos, em média, três candidatos para cada vaga nas feiras internacionais. Isso mostra o quanto o mercado brasileiro está atento à importância de estar presente nos grandes eventos globais, fortalecendo parcerias e gerando negócios”, afirmou Simone em entrevista exclusiva ao Mercado & Eventos durante a WTM London 2025.

Simone destacou que a Embratur tem aprimorado seus critérios de seleção e estratégias de promoção, garantindo mais eficiência e retorno para o setor. “O edital é o que assegura isonomia e qualidade. Ele nos permite trazer para o estande do Brasil quem realmente está preparado para se promover no mercado internacional — com produto estruturado, comunicação definida e relacionamento com o trade global”, explicou.

Além das grandes feiras, a Embratur tem apoiado ações regionais integradas, como o Consórcio Nordeste, as Rotas Amazônicas Integradas e outras iniciativas que fortalecem a promoção conjunta de destinos brasileiros. “Esses projetos são fundamentais para mostrar o Brasil como um país de múltiplas experiências e atrativos. O Plano Brasis deu esse norte: agora, cada estado sabe em quais mercados deve investir, otimizando recursos e aumentando o impacto das ações”, destacou.

Crescimento e diversidade nas feiras internacionais

A executiva ressaltou que o Brasil vem ampliando sua atuação e diversificando os mercados em que atua. “As feiras de 2025 mostraram um crescimento expressivo na procura por espaço e uma maior diversidade de expositores. Hoje, temos tanto destinos tradicionais quanto novos players do turismo brasileiro interessados em se projetar globalmente”, observou.

Segundo Simone, a Embratur vem priorizando eventos que geram negócios efetivos e conectam o país com públicos estratégicos, como operadoras, investidores e agentes especializados em nichos como turismo de natureza, cultural, esportivo e sustentável.

Ela também destacou o papel do presidente da Embratur, Marcelo Freixo, na consolidação de uma gestão mais técnica e estratégica. “O Freixo mergulhou na temática do turismo com seriedade e entusiasmo. Ele trouxe um olhar muito forte da cultura e da diversidade brasileira para a promoção internacional. Hoje, a Embratur atua com planejamento, transparência e propósito”, afirmou.

Perspectivas para 2026

O calendário internacional de 2026, que está em fase final de definição, deve manter as principais feiras globais e incluir eventos segmentados voltados a nichos específicos, como a Global Birdfair (focada em observação de aves) e a Remote Latin America, que conecta destinos latino-americanos a compradores internacionais.

“Queremos continuar diversificando e apostando em feiras que conversem com o novo perfil do viajante: aquele que busca autenticidade, natureza, sustentabilidade e experiências únicas. O Brasil tem todas as condições de se destacar nesse cenário global”, ressaltou Simone Scorsato.

Novo estande

O novo estande do Brasil na WTM London 2025 foi um dos grandes destaques da feira, chamando a atenção do público internacional pelo design inovador e pela forte representação da brasilidade. De acordo com Simone Scorsato, a recepção foi extremamente positiva.

“Os comentários foram só elogiosos. Nosso objetivo era criar um espaço que traduzisse a identidade do Brasil e despertasse curiosidade no visitante. Queríamos que as pessoas entrassem e dissessem: ‘isso é Brasil’ — e foi exatamente o que aconteceu”, afirmou.

O novo projeto arquitetônico buscou unir autenticidade, modernidade e elementos culturais. Entre as inspirações estão as xilogravuras nordestinas, o modernismo brasileiro e o uso de cobogós e azulejos, referências à arquitetura e ao design nacional. “Trouxemos o trabalho do ilustrador Gabriel Azevedo, que criou o mapa do Soft Power e interpretou a literatura de cordel por meio das xilogravuras. As referências ao modernismo aparecem nos azulejos e na sinuosidade das formas, que dialogam com a própria marca Brasil. Não há linhas retas — o estande é todo fluido, como o Brasil é”, explicou.

O projeto também valorizou o paisagismo natural, substituindo a antiga parede verde de flores por plantas tropicais permanentes, com o objetivo de tornar o espaço mais sustentável. “Queríamos algo bonito, mas também viável e fiel à natureza brasileira”, completou Simone.

O M&E viaja com proteção GTA.