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A desvalorização do peso deixa mesmo o brasileiro “mais rico” na Argentina? Descubra

Buenos Aires Leonardo Miranda Unsplash A desvalorização do peso deixa mesmo o brasileiro “mais rico” na Argentina? Descubra

Uma das mudanças mais notáveis ocorre na relação entre o real brasileiro e o peso argentino (Leonardo Miranda/Unsplash)

Nos últimos anos, as oscilações nas taxas de câmbio entre diversas moedas têm representado desafios e, simultaneamente, criado oportunidades para o mercado financeiro. Uma das mudanças mais notáveis ocorre na relação entre o real brasileiro e o peso argentino. Com a contínua desvalorização da moeda argentina em relação ao real, surge a pergunta: os brasileiros estão em melhor condição financeira ao viajar para a Argentina?

O Grupo Travelex Confidence, maior especialista em câmbio do mundo, formado pela corretora Travelex Confidence e pelo Travelex Bank, analisa essa questão.

A revista britânica The Economist criou, em 1986, um parâmetro para entender o poder de compra e flutuações nas taxas de câmbio usando o preço do Big Mac em dólares como referência. Em junho de 2023, na Argentina, o Big Mac custava ARS 1.650, equivalente a US$ 5,99, enquanto nos EUA, custava US$ 5,59. A disparidade sugere que o peso argentino está 7,4% acima de seu valor “justo” em relação ao dólar. Já em comparação com o caso brasileiro, o real está 13,7% abaixo da taxa de câmbio esperada, custando US$ 4,81.

Quando o real é mais forte em comparação ao peso argentino, produtos, serviços e ativos na Argentina podem parecer mais acessíveis para os brasileiros. No entanto, embora isso crie uma ilusão de maior poder de compra para os turistas nacionais, é crucial considerar a influência da inflação sobre o valor real.

É o que explica Marcos Weigt, head da tesouraria do Travelex Bank: “É muito comum que as pessoas vejam o valor nominal de uma determinada moeda em relação a outra moeda e entendam que, ter uma quantidade grande desta moeda, aumenta o poder de compra, mas nem sempre isso acontece. Isso fica evidente com o Peso Argentino, em que um Big Mac custa ARS 1.650”.

Considerações para viajantes e investidores

A desvalorização do peso argentino pode influenciar o planejamento de turistas brasileiros que pretendem viajar e fazer compras na Argentina. Itens como roupas, eletrônicos e produtos locais podem parecer mais acessíveis, mas é essencial pesquisar e comparar preços entre os dois países.

O mesmo ocorre em relação a investimentos e bens imóveis. Alguns brasileiros podem considerar investir em ativos na Argentina aproveitando as taxas de câmbio favoráveis. No entanto, aplicar dinheiro em outro país, especialmente com instabilidades políticas e eleições iminentes, envolve riscos que demandam uma análise cuidadosa. E as taxas de câmbio são voláteis e sujeitas a mudanças rápidas. O que parece uma oportunidade favorável hoje pode se tornar menos atraente em um curto espaço de tempo.

“A aparente vantagem de uma moeda sobre a outra pode ser neutralizada pelos efeitos da inflação, impactando a experiência financeira dos viajantes e investidores. Recomendamos uma análise cuidadosa das condições econômicas e uma abordagem ponderada ao considerar transações em moeda estrangeira, seja para viagens ou investimentos”, finaliza Weigt.

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