
Moradores de Montmartre, em Paris, têm observado um crescimento significativo no número de turistas após a realização da Olimpíada no ano passado. Apesar dos regulamentos habitacionais rigorosos, o bairro localizado no topo de uma colina com ruas de paralelepípedos precisa de mudanças urgentes para evitar que a eventual alta de visitantes chegue ao nível de outras regiões da Europa, marcada por grandes protestos contra o turismo em massa.
Muitos relatam que o bairro histórico se transformou em um parque temático, onde os visitantes ficam algumas horas para comer e comprar soubeniers, enquanto lojas de alimentos essenciais para os moradores estão desaparecendo, substituídas por barracas destinadas a esses turistas. Inclusive, até mesmo o custo de uma bola de sorvete, que pode mais de R$ 35, reflete a mudança de bairro para zona turística.
Segundo a Reuters, uma associação propôs medidas à prefeitura semelhantes às de outros pontos turísticos europeus: limitar os grupos de turistas a 25 pessoas, proibir alto-falantes e aumentar o imposto turístico.
O turismo na região de Paris atingiu 48,7 milhões de visitantes em 2024, com cerca de 11 milhões em Montmartre anualmente, principalmente para ver a fotogênica Basílica do Sagrado Coração, deixando as ruas estreitas congestionadas com grupos de turistas, e os moradores frustrados.
A preocupação é que as autoridades de Paris dizem que 2025 promete ser um ano turístico excepcional, com um aumento de 20% nas reservas em janeiro em relação ao mesmo mês do ano passado.
Eric Lejoindre, prefeito do 18º arrondissement, que inclui Montmartre, disse a Reuters que o aumento dos preços dos imóveis pode expulsar os moradores.
“Para mim, a grande questão é a moradia. Isso significa lutar contra o Airbnb e as plataformas de aluguel”, disse ele.
Os preços dos imóveis em Montmartre subiram 19% na última década, segundo o site meilleursagents.com. Um apartamento de 40 m², perto da Place du Tertre pode agora custar cerca de 500 mil euros (quase 3,2 milhões de reais).Para resolver isso, Paris reforçou as regras de aluguel de curto prazo, reduzindo o limite anual de aluguel de uma residência principal de 120 para 90 dias.







