Belize tem manifestações culturais inscritas na lista do Patrimônio Imaterial da Unesco
País também foi citado por descoberta da tumba de governante maia em Caracol (Divulgação/Belize Tourism Board)

Belize anunciou a inscrição do Krismos Bram e do Sambai, tradições do povoado de Gales Point “Malanti”, na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Unesco. A decisão foi aprovada durante a 20ª sessão do Comitê Intergovernamental, realizada em dezembro de 2025, em Nova Délhi, na Índia.

Durante o encontro, o diretor do National Institute of Culture and History (NICH), Rolando Cocom, afirmou que o reconhecimento representa um avanço para os esforços de salvaguarda dos valores, conhecimentos e práticas da comunidade envolvida. Segundo ele, a decisão também reflete o compromisso do país com a Convenção de 2003 da Unesco.

A candidatura contou com a participação direta da comunidade de Gales Point e do Conselho Nacional Kriol, além da coordenação do Instituto Nacional de Cultura e História. O processo teve ainda apoio do Instituto de Pesquisa Social e Cultural, ligado ao Ministério das Relações Exteriores, Comércio Exterior, Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia.

Em Gales Point, o Natal é marcado por celebrações tradicionais. O Krismos Bram é descrito como uma procissão de música, dança e narrativas, realizada de casa em casa durante o Natal e o Boxing Day. O Sambai consiste em uma dança em círculo ao redor de uma fogueira. De acordo com o texto, as duas manifestações remontam ao século XVIII e têm origem na experiência histórica de africanos escravizados.

O reconhecimento internacional, segundo o comunicado, fortalece ações de preservação e incentiva a continuidade dessas práticas pelas novas gerações.

Além do anúncio ligado à Unesco, Belize também foi citado no contexto de uma descoberta arqueológica realizada no sítio maia de Caracol. Após mais de quatro décadas de pesquisas, uma equipe liderada pelos arqueólogos Arlen e Diane Chase, da Universidade de Houston, localizou a tumba de Te’ Kab Chaak, considerado o primeiro governante conhecido de Caracol e fundador da dinastia do reino.

De acordo com as informações divulgadas, é raro na arqueologia maia associar restos humanos a uma figura histórica identificada por inscrições hieroglíficas. A tumba, a única de um governante encontrada no local, foi descoberta em uma área escavada inicialmente em 1993 e revisitada no ano passado.

No interior de uma câmara funerária retangular, com paredes cobertas por cinábrio vermelho, foram encontrados vasos de cerâmica, joias de jadeíta e tubos de osso esculpidos, datados do período do reinado de Te’ Kab Chaak, que terminou por volta do ano 350 d.C. Entre os objetos, os arqueólogos destacaram uma máscara mortuária feita de mosaico de jade e concha.