
Roma – O Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) apresentou um relatório que aponta que, embora o setor esteja no caminho de gerar um em cada três novos empregos no mundo até 2035, mudanças demográficas e estruturais podem resultar em uma escassez de mais de 43 milhões de profissionais se não houver ação.
O estudo Future of the Travel & Tourism Workforce, que analisou 20 economias, foi apresentado na 25ª Cúpula Global do WTTC. Desenvolvido com apoio do Ministério do Turismo da Arábia Saudita, Coraggio Group, Miles Partnership e Universidade Politécnica de Hong Kong, baseia-se em ampla pesquisa global, incluindo entrevistas com líderes empresariais, membros do WTTC e outros atores-chave do setor.
O relatório destaca como o turismo se recuperou como motor global de criação de empregos, mas alerta que mudanças estruturais – como o declínio das populações em idade ativa em relação ao crescimento econômico – afetarão ainda mais o setor, que deve crescer mais rapidamente que a economia em geral.
Um setor de oportunidades únicas
Em 2024, o setor sustentou um recorde de 357 milhões de empregos no mundo, e a previsão para 2025 é de 371 milhões. Na próxima década, projeta-se que o turismo criará 91 milhões de novos postos, representando um em cada três empregos líquidos criados globalmente.
Para 2035, a demanda global por trabalhadores no setor deve superar a oferta em mais de 43 milhões, deixando a disponibilidade de mão de obra 16% abaixo do necessário. A indústria hoteleira, especificamente, enfrentará déficit de 8,6 milhões de trabalhadores, cerca de 18% abaixo do exigido.
Os cargos de baixa qualificação, ainda críticos para o setor, continuarão sendo os mais demandados, com necessidade projetada de mais de 20 milhões de trabalhadores adicionais. Funções que dependem fortemente da interação humana e de serviços pouco automatizáveis manterão alta demanda.
O relatório aponta que o desafio afetará todas as 20 economias analisadas, com maiores déficits absolutos na China (16,9 milhões), Índia (11 milhões) e União Europeia (6,4 milhões). Em termos relativos, o Japão terá oferta 29% abaixo da demanda esperada para 2035, seguido por Grécia (27%) e Alemanha (26%).
“O setor seguirá sendo um dos maiores geradores de emprego do mundo, oferecendo oportunidades para milhões de pessoas. Mas precisamos reconhecer que mudanças demográficas e estruturais estão transformando os mercados de trabalho em todos os lugares. Este relatório é um chamado à ação. Trabalhando com governos e instituições de ensino, nosso setor deve enfrentar esses desafios e continuar sendo um dos que mais gera empregos, oferecendo trajetórias dinâmicas para as próximas gerações”, afirmou a CEO interina do WTTC, Gloria Guevara.
O relatório aponta caminhos para transformar desafios em oportunidades:
- Inspirar jovens, mostrando a diversidade e emoção das carreiras no turismo.
- Fortalecer a colaboração entre educação e indústria para que a formação atenda às necessidades do mercado e ofereça experiências reais.
- Melhorar retenção com programas de liderança, caminhos claros de promoção e culturas de trabalho inclusivas.
- Investir em alfabetização digital, adoção de IA e práticas sustentáveis para preparar trabalhadores e aumentar produtividade.
- Adotar políticas flexíveis para gerenciar demanda flutuante, incluindo reduzir barreiras para contratação internacional e combinar empregos de meio período em tempo integral.







