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Gustavo Feliciano, ministro do Turismo (Giulia Jardim/M&E)

SÃO PAULO – O turismo brasileiro atravessa um momento de forte expansão, com recordes no fluxo internacional, avanço das viagens domésticas, crescimento do emprego e ampliação do acesso ao crédito. Para o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, os resultados registrados desde 2023 mostram que o setor vive uma fase “extraordinária” e deve manter uma trajetória positiva ao longo do segundo semestre.

Em entrevista durante o 1º Fórum de Enoturismo e Gastronomia das Américas e Caribe, realizado nesta quinta-feira (13), em São Paulo, Feliciano destacou que o Brasil recebeu mais de 9,2 milhões de turistas estrangeiros em 2025, maior resultado da série histórica. O desempenho segue positivo em 2026: somente no primeiro semestre, mais de 5 milhões de visitantes internacionais estiveram no país.

“Desde 2023 os números são muito animadores. No ano de 2025 tivemos o prazer de bater recorde absoluto na atração de turistas estrangeiros: mais de 9,2 milhões de turistas estrangeiros vieram ao Brasil. Esse ano, em 2026, continuamos e só no primeiro semestre mais de 5 milhões de turistas estrangeiros visitaram o nosso país”, afirmou.

Além do mercado internacional, o ministro ressaltou a força do turismo doméstico. Segundo ele, o país ultrapassou a marca de 50 milhões de passageiros na aviação doméstica, sinalizando uma maior movimentação dos brasileiros pelo próprio território nacional.

Para Feliciano, a combinação entre turismo internacional e doméstico amplia o impacto econômico da atividade e reforça o papel do setor na geração de oportunidades em diferentes regiões do país. “Significa dizer que o brasileiro está visitando mais o Brasil. O turismo interno também cresce muito”, disse.

O ministro também destacou o peso do turismo na geração de empregos. Dados do Ministério do Turismo apontam que o setor já ultrapassou 2,4 milhões de postos de trabalho formais. O número coloca a atividade entre as cadeias produtivas com maior capacidade de geração de emprego no país.

Mais do que os grandes empreendimentos, Feliciano chamou atenção para o efeito da atividade sobre pequenos negócios e trabalhadores que integram a cadeia turística. “O Brasil é o país continental de norte a sul que a gente consegue atingir um lado social importante, porque dá emprego àquele grande hoteleiro, mas também à camareira, ao garçom, à dona do açaí, do cachorro-quente, que pode dar um futuro melhor, uma dignidade melhor para suas famílias”, afirmou.

O que esperar no Brasil no segundo semestre

Diante dos resultados positivos, a expectativa do Ministério do Turismo é manter o ritmo de crescimento na segunda metade do ano. Feliciano reconhece, no entanto, que o setor continua exposto a fatores externos, entre eles os impactos provocados pelo conflito no Oriente Médio. “A gente espera que esses números se mantenham, obviamente enxergando as dificuldades do setor, tentando viabilizar saídas, por exemplo, do conflito do Oriente Médio, que gera impacto para o setor do turismo. Mas os números têm se mantido positivos”, afirmou.

O ministro avalia que a diversidade de produtos turísticos brasileiros pode ser uma das principais forças para ampliar a distribuição dos benefícios da atividade pelo território nacional. “Temos sol e mar, aventura, selva. Então a gente pode fazer com que o turismo, sendo ampliado, atinja todas as regiões e todas as camadas da nossa sociedade”, acrescentou.

Gastronomia e enoturismo ganham espaço na estratégia

A diversificação da oferta também passa pelo fortalecimento de segmentos capazes de transformar experiências culturais em produtos turísticos. É nesse cenário que Feliciano vê espaço para o turismo gastronômico e o enoturismo. A avaliação foi feita justamente durante o 1º Fórum de Enoturismo e Gastronomia das Américas e Caribe, que reúne em São Paulo representantes do poder público, iniciativa privada e especialistas para discutir o potencial desses segmentos.

Para o ministro, a gastronomia é uma ferramenta de valorização da identidade dos destinos e São Paulo reúne características especialmente favoráveis para o desenvolvimento dessa estratégia. “São Paulo não poderia ser o melhor lugar para se iniciar esse fórum gastronômico, tendo em vista a quantidade, a diversidade e a qualidade também do que se tem aqui em São Paulo”, afirmou.

Feliciano também destacou o potencial do enoturismo como uma forma de ampliar as experiências oferecidas aos visitantes e conectar o turismo à produção agrícola e às culturas regionais. “O turismo tem crescido muito com as experiências que tem, com poder levar, ampliar também a produção das culturas, da agricultura, do vinho e também das degustações. Então é um setor que está em um momento muito promissor, que está em observação do Ministério”, disse.

Na avaliação do ministro, a realização do fórum pode contribuir para posicionar o Brasil como um destino relevante nesse segmento. “Com esse evento de hoje a gente começa a, quem sabe, produzir um destino importantíssimo aqui no nosso país”, completou.

Fungetur terá mais de R$ 1 bilhão em 2026

Outro ponto destacado por Feliciano durante a coletiva foi o acesso ao crédito para empreendedores do setor. Em 2026, o Fundo Geral de Turismo (Fungetur) disponibiliza mais de R$ 1 bilhão para financiar empresas e negócios turísticos em todo o país. Os recursos podem ser utilizados em obras, modernização, aquisição de equipamentos e capital de giro.

O ministro afirmou que uma das preocupações do governo foi ampliar o alcance da política de financiamento para os pequenos empreendedores, que muitas vezes enfrentam dificuldades para oferecer garantias aos agentes financeiros. “Uma parcela desses empreendedores não estava sendo atendida, que era exatamente os microempreendedores individuais, os pequenos”, explicou.

Nesse contexto, o governo passou a utilizar o Fundo Garantidor de Operações (FGO) como parceiro para facilitar o acesso ao crédito. A regulamentação do Ministério do Turismo permite que agentes financeiros que operam linhas do Novo Fungetur possam aderir ao FGO para garantir operações de crédito, ampliando as possibilidades para os pequenos negócios. (Serviços e Informações do Brasil)

“A dificuldade que esses pequenos tinham era exatamente conseguir um avalista, conseguir uma garantia. Então o governo do Brasil está sendo essa garantia para que esses microempreendedores individuais tenham uma oportunidade de poder melhorar seu negócio, fornecer um serviço melhor, quem sabe comprar equipamentos que transformem sua produção e possa, enfim, melhorar o serviço ou a qualidade do produto que eles oferecem no setor do turismo”, afirmou.

A política faz parte de uma estratégia mais ampla de fortalecimento da cadeia turística por meio do crédito. Segundo o Ministério do Turismo, o Novo Fungetur já movimentou mais de R$ 2,7 bilhões em operações desde 2023, enquanto somente em 2026 estão disponíveis mais de R$ 1 bilhão para novos financiamentos.

Para Feliciano, a expansão do crédito é fundamental para que o crescimento do turismo não fique restrito aos grandes grupos, mas alcance também os pequenos negócios espalhados pelo país.