
SÃO PAULO – A Atlantica Hospitality International encerrou 2025 com crescimento de dois dígitos e desempenho acima do ritmo do setor de turismo no Brasil. A companhia registrou receita bruta de R$ 2,92 bilhões, um aumento de 11% em relação a 2024, quando havia faturado R$ 2,62 bilhões.
Os números foram apresentados pela empresa na manhã desta quinta-feira (12), durante coletiva de imprensa realizada no Radisson Red, em São Paulo. Na ocasião, o CEO da companhia, Eduardo Giestas, detalhou os resultados do último ano, além das projeções para 2026 e as estratégias que devem sustentar o crescimento da rede.
Segundo a avaliação da empresa, o desempenho superou o ritmo da economia brasileira e do próprio setor de turismo. Em 2025, a inflação ficou em 4,3%, enquanto o PIB do Brasil cresceu 2,3% e o PIB de serviços avançou 1,8%. Já o turismo teve expansão estimada em 4,6%, bem abaixo da alta de 11% registrada pela Atlântica.
“Fechamos 2025 com receita de R$ 2,92 bilhões, crescimento de 11% em relação ao ano anterior”, afirmou Giestas durante a apresentação. “Nosso crescimento foi mais que o dobro do ritmo do setor de turismo no Brasil.”
Indicadores operacionais impulsionam resultados
O avanço da companhia foi puxado principalmente pela melhora nos indicadores operacionais do portfólio. Em 2025, a rede registrou crescimento de 9,5% no TRevPAR e no RevPAR, enquanto a ADR (diária média) avançou 8,9%. A ocupação apresentou leve incremento de 0,3 ponto percentual, e as outras receitas também cresceram 8,9%.
De acordo com a empresa, a valorização da diária média foi um dos principais fatores para o desempenho positivo da receita hoteleira no período.“O crescimento foi puxado principalmente pela diária média e pela evolução do RevPAR”, destacou o CEO.
Renovação com a Choice e recorde de novos contratos
Entre os marcos estratégicos de 2025 está a renovação do Master Franchise Agreement (MFA) com a Choice Hotels International, parceria que reforça a relação entre as empresas e garante a continuidade da operação de marcas do grupo no Brasil.
O ano também foi marcado por recorde de novos contratos assinados, ampliando o pipeline de desenvolvimento da companhia. Ao longo de 2025, a Atlantica abriu 18 empreendimentos, somando 1,4 mil novos quartos. Desse total, seis foram hotéis, com cerca de mil quartos, e 12 foram projetos residenciais, com aproximadamente 400 unidades.
No mesmo período, foram assinados 18 novos contratos, que representam 3,1 mil quartos em desenvolvimento. Os projetos incluem 13 hotéis, com cerca de 2,7 mil quartos, e cinco empreendimentos residenciais, que totalizam cerca de 400 unidades.
Plataformas e inovação ganham protagonismo
Parte da estratégia de crescimento da Atlantica passa pelo fortalecimento de plataformas que apoiam a operação dos hotéis e ampliam eficiência.
O Provera, marketplace de suprimentos da rede, alcançou 100% de adesão dos hotéis e movimentou R$ 185 milhões em transações, com 47,5% de share of wallet.
Já o Lets Atlantica, programa de fidelidade e canal de vendas direto da rede, soma 1,46 milhão de membros em três anos e representa 8,31% das vendas, consolidando-se como o segundo maior canal de distribuição da companhia.
Outra frente é o CSC Atlantica (Centro de Serviços Compartilhados), que centraliza processos operacionais e administrativos. Atualmente, 63% dos hotéis da rede utilizam a estrutura, o que gera ganho médio de produtividade de 18% e redução no custo por transação.
“2025 foi um ano de intensa atividade de inovação dentro da companhia”, afirmou o CEO. “As frentes de negócios adjacentes continuam evoluindo e ganhando relevância na estratégia da empresa.”

Projeções para 2026
Para 2026, a Atlantica projeta manter a trajetória de crescimento. O orçamento da companhia prevê receita bruta de R$ 3,26 bilhões, o que representaria avanço de 12% em relação a 2025 e crescimento acumulado de 24% na comparação com 2024.
A rentabilidade também deve continuar em alta. A margem GOP (Gross Operating Profit), que foi de 39,5% em 2024 e 40,1% em 2025, deve alcançar 40,8% em 2026, mantendo-se acima da marca de 40%.
“Esperamos chegar a R$ 3,26 bilhões em receita em 2026”, afirmou Giestas. “Nosso objetivo é manter a margem GOP acima de 40%.”
Entre os indicadores operacionais previstos para o próximo ano estão crescimento de 8,9% no TRevPAR, 2,8% no RevPAR e 7,2% na ADR. A ocupação deve avançar 1,6 ponto percentual, enquanto as outras receitas devem crescer 0,3%.
Segundo o executivo, a diária média continuará sendo o principal motor de expansão da receita hoteleira.
Expansão do portfólio
A rede também prevê avanço relevante na expansão do portfólio. A expectativa é de crescimento de 6,2% em volumetria, com 22 novos empreendimentos previstos para 2026, totalizando cerca de 2,5 mil novos quartos.
O plano inclui 13 hotéis, com aproximadamente 1,8 mil quartos, e nove empreendimentos residenciais, com cerca de 700 unidades.
Estratégias para impulsionar receitas
Entre os fatores que devem sustentar o crescimento da companhia estão o avanço de ferramentas tecnológicas de revenue management, projetos de retrofit de hotéis e o aumento das chamadas receitas ancillaries, como alimentos, bebidas e serviços adicionais.
A rede utiliza sistemas de precificação preditiva, atualmente implementados em cerca de 65% dos hotéis do portfólio. A expectativa é ampliar a ferramenta para os demais empreendimentos da rede.
“Quando o hotel entra no nosso sistema de revenue management, esperamos um salto de cerca de 10 pontos percentuais no desempenho”, explicou.
Outro vetor é a modernização de parte do portfólio. A empresa pretende realizar um ciclo de retrofit de hotéis ao longo dos próximos três anos, iniciativa que pode elevar a diária média entre 20% e 25%.
Metas para 2030
Além das projeções para o próximo ano, a Atlântica também apresentou sua visão estratégica de longo prazo. A companhia tem como meta atingir 37 mil quartos no portfólio e receita de R$ 5,45 bilhões até 2030, mantendo margem GOP acima de 40% e ampliando os indicadores de qualidade, com 90% dos hotéis superando metas operacionais.
“Nossa aspiração é chegar a R$ 5,45 bilhões em receita até 2030”, afirmou Giestas.
Paralelamente à expansão da rede, a empresa afirma que continuará investindo em inovação, modernização dos empreendimentos e em programas de capacitação das equipes, com foco em elevar a qualidade do serviço e aprimorar a experiência oferecida aos hóspedes.







