
O novo CEO da Disney, Josh D’Amaro, afirmou que a companhia precisa ampliar sua presença para além dos formatos tradicionais de entretenimento e acompanhar os lugares onde as novas gerações descobrem histórias, personagens e franquias. Durante uma coletiva de imprensa realizada no domingo (16), no último dia da D23, o executivo citou games e TikTok como partes importantes dessa estratégia e explicou como esses canais podem levar novos públicos de volta ao universo tradicional da empresa.
Ao falar sobre o futuro da Disney, D’Amaro também reforçou que a identidade da companhia não deve ser deixada de lado durante esse processo. Para ele, a expansão para novas plataformas precisa preservar a ideia central da marca e, ao mesmo tempo, encontrar públicos que consomem entretenimento de maneiras diferentes das gerações anteriores.
“Cada vez mais, o mundo precisa de um lugar como a Disney, de uma marca como a Disney, onde todos sejam bem-vindos”, afirmou o CEO. Segundo ele, a companhia deve continuar oferecendo um espaço no qual as pessoas possam se afastar, ainda que por algumas horas, do que acontece no mundo e entrar em contato com o universo criado pela Disney.
Disney quer levar suas histórias para onde os fãs estão
A estratégia apresentada por D’Amaro parte de uma mudança no comportamento do público. Em vez de esperar que novos consumidores cheguem aos canais tradicionais da empresa, a Disney quer estar presente nos ambientes em que essas pessoas já passam tempo e descobrem novos conteúdos.
“Precisamos pegar esse mesmo sentimento fundamental e garantir que o estejamos levando para novos fãs e novas partes do mundo”, disse.
É nesse contexto que entram os games. A Disney vem ampliando sua relação com o setor e, segundo o executivo, a presença nesse mercado não acontece apenas como uma tentativa de explorar uma nova área de entretenimento. A intenção também é utilizar os jogos como uma forma de apresentar personagens e histórias para pessoas que talvez não tenham contato inicial com essas propriedades por meio de filmes, séries ou parques.
D’Amaro citou a reação do público durante os painéis da D23 relacionados aos games como um exemplo do interesse que esse segmento desperta.
Games podem funcionar como porta de entrada para a Disney
Para o CEO, uma pessoa pode conhecer um personagem ou uma história dentro de um game e, a partir daí, começar a buscar outros conteúdos relacionados àquele universo.
A lógica apresentada por ele é de uma jornada que pode começar em uma plataforma digital e terminar em uma experiência física. Um fã pode descobrir uma propriedade da Disney jogando, se interessar por aquela história, assistir a um filme ou série e, posteriormente, visitar um parque temático.
D’Amaro citou especificamente a Disneyland, lembrando que o parque original foi inaugurado em 1955.
“A partir do universo dos games, agora eu quero voltar ao clássico. Quero ir para a Disneyland”, afirmou, ao explicar como a empresa enxerga essa relação entre os diferentes negócios.
A estratégia também mostra como a Disney pretende conectar suas diversas áreas de atuação. Cinema, streaming, games e parques deixam de ser vistos apenas como produtos independentes e passam a funcionar como diferentes pontos de contato entre a companhia e o público.
TikTok entra na estratégia para conquistar público jovem
Além dos games, o TikTok foi citado diretamente por D’Amaro como uma plataforma importante para a Disney.
A rede social se tornou um dos principais ambientes para descoberta de vídeos, personagens, músicas, tendências e referências culturais, especialmente entre públicos mais jovens. Para a Disney, estar nesse espaço significa participar da conversa antes que o consumidor necessariamente procure um filme, uma série ou uma atração da companhia.
“É por isso que você nos vê apostando no TikTok”, afirmou o executivo.
D’Amaro destacou que a empresa pretende estar presente mesmo fora de seu próprio ecossistema de produtos e serviços. A ideia é acompanhar os criadores e os fãs nos ambientes em que eles já estão.
Disney quer transformar descoberta em consumo
Segundo o CEO, a presença em plataformas como TikTok e nos games pode funcionar como o primeiro contato de uma nova geração com a marca.
A partir desse contato, a Disney espera que o público avance para outros produtos e experiências. O caminho pode passar pelo Disney+, pelo cinema e pelos parques temáticos.
“Se eles virem algumas das nossas grandes histórias, o que farão em seguida?”, questionou D’Amaro. Na sequência, ele apontou que esses consumidores podem querer participar mais desse universo, seja assistindo ao conteúdo no streaming, indo ao cinema ou visitando os parques.
A estratégia reforça a importância de criar diferentes portas de entrada para as franquias da companhia. Um consumidor não precisa necessariamente começar por um filme lançado nos cinemas ou por uma visita a um parque. Ele pode chegar por um vídeo curto nas redes sociais ou por um game e, depois, conhecer outras partes do universo Disney.
O desafio de manter a identidade da marca
Apesar da aposta em novas plataformas, D’Amaro deixou claro que a expansão não significa abandonar os elementos que tradicionalmente estão associados à Disney.
Na declaração feita durante a D23, o executivo colocou a ideia de acolhimento e escapismo como parte central da companhia. Para ele, a tecnologia e as novas formas de distribuição devem servir para levar esse sentimento a mais pessoas.
A estratégia também acompanha uma disputa cada vez maior pela atenção do público. Crianças, adolescentes e jovens adultos estão dividindo seu tempo entre redes sociais, games, plataformas de streaming, vídeos curtos e experiências presenciais. Nesse cenário, empresas de entretenimento precisam encontrar maneiras de circular entre diferentes formatos sem depender de apenas um canal.
A Disney, segundo D’Amaro, pretende fazer isso conectando seus negócios e encontrando os fãs onde eles estão.







