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Apuração analisa falhas na organização e medidas adotadas para controle do público na folia paulistana (Reprodução/GloboCop)

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) informou nesta segunda-feira (9) que irá investigar a superlotação registrada em blocos de carnaval realizados na Rua da Consolação, na região central da capital paulista, no domingo (8). A apuração será conduzida pela Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo da Capital.

Segundo o órgão, o bloco da Skol, que contou com apresentação do DJ Calvin Harris, e o cortejo do Acadêmicos do Baixo Augusta estavam previstos para ocorrer em horários distintos, mas atrasos na programação resultaram na proximidade entre os desfiles. A concentração de público gerou episódios de tumulto, brigas e foliões feridos, com pessoas pressionadas contra grades instaladas ao longo do trajeto.

O Corpo de Bombeiros informou que 30 pessoas receberam atendimento no local, sem necessidade de encaminhamento para unidades de saúde. A Prefeitura de São Paulo acionou, por volta das 15h, um plano de contingência que incluiu a abertura de vias paralelas à Rua da Consolação para facilitar a dispersão do público.

Parlamentares apresentaram pedido de apuração da gestão municipal na realização do evento de carnaval

Carnaval 2026: Megablocos em SP viram alvo do Ministério Público após confusão e superlotação
Foliões passam mal em bloco na Consolação (Reprodução/Felipe Marques/ZimelPress/Estadão)

Parlamentares acionaram o MP-SP solicitando investigação sobre a organização do carnaval de rua. O vereador Nabil Bonduki e a deputada federal Érika Hilton apresentaram pedido para apuração da gestão municipal na realização do evento de carnaval, que está sob responsabilidade da SPTuris. Segundo as representações, houve autorização para realização de dois megablocos no mesmo local e em horários próximos, apesar de alertas sobre riscos de sobreposição.

“Estou acionando o Ministério Público para que seja realizada, em caráter de urgência, uma reunião entre a Prefeitura, a Polícia Militar e os demais envolvidos na organização do carnaval de rua. Cenas como as de hoje não podem se repetir nos próximos desfiles”, afirmou o vereador, que é urbanista e professor da Universidade de São Paulo (USP). “Essa prévia de tragédia não pode se repetir, e é fundamental identificar e responsabilizar quem permitiu que essa situação ocorresse. Interesses comerciais não podem ficar acima da segurança da população”, declarou nas redes sociais.

Erika Hilton (PSOL) e a vereadora Amanda Paschoal (PSOL) também protocolaram representação no MP-SP pedindo a investigação do prefeito por “gestão temerária na organização do carnaval de rua de 2026”. As parlamentares também apontaram questionamentos sobre o contrato de patrocínio do carnaval de rua, alegando que o modelo permitiu exploração comercial por patrocinadores enquanto o município teria recebido o valor mínimo previsto em edital. Para as autoras, o caso pode indicar falhas na gestão do megabloco de carnaval e possíveis impactos financeiros e operacionais.

Para as autoras, isso indica má gestão do bloco de carnaval, um evento público de grande porte, com prejuízo potencial aos cofres municipais e impacto direto na estrutura e na segurança da festa. “A gestão municipal autorizou de forma consciente a realização de dois megablocos no mesmo local e horário, apesar de alertas prévios sobre os riscos da sobreposição”.

A prefeitura também se manifestou

Carnaval 2026: Megablocos em SP viram alvo do Ministério Público após confusão e superlotação
A superlotação no desfile do Bloco Skol provocou confusão generalizada (Reprodução/Felipe Marques/ZimelPress/Estadão)

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que o pré-carnaval contou com 182 blocos no fim de semana e informou que não houve registro de incidentes graves. A administração municipal declarou que o desfile do bloco de carnaval com apresentação de Calvin Harris ocorreu ao longo do percurso previsto e que o plano de contingência foi executado com atuação da Guarda Civil Metropolitana e da Polícia Militar. Segundo a prefeitura, cinco pessoas atendidas em postos municipais foram encaminhadas para hospitais e posteriormente liberadas.

A gestão municipal informou que adotará medidas para ajustes na organização dos desfiles, incluindo a presença de agentes públicos dentro dos trios elétricos, ampliação de áreas de dispersão em circuitos como o do Parque do Ibirapuera e reposicionamento de postos de saúde. A prefeitura também declarou que 6,4 mil agentes da Guarda Civil Metropolitana foram designados para o policiamento do carnaval, número superior ao registrado no ano anterior, além do uso de câmeras do programa Smart Sampa e drones para monitoramento.

O prefeito Ricardo Nunes afirmou que o bloco de carnaval apresentou baixo número de ocorrências em relação ao público presente e declarou que a infraestrutura de segurança e saúde montada pelo município atendeu à demanda. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, avaliou que o volume de pessoas na região da Consolação exige medidas para controle de público, e afirmou que as ações de liberação de vias e remoção de gradis contribuíram para o escoamento dos foliões. “Não dá para ter 1.5 milhão de pessoas na Consolação”, afirma e completa que os órgãos públicos agiram muito rápido.

“O maior bloco da cidade foi desrespeitado de forma triste e violenta”

Carnaval 2026: Megablocos em SP viram alvo do Ministério Público após confusão e superlotação
Foliões passam mal em bloco na Consolação (Reprodução/Felipe Marques/ZimelPress/Estadão)

Em nota, o Acadêmicos do Baixo Augusta afirmou que houve descumprimento de horários acordados e criticou a organização do carnaval. “Com 17 anos de história, o maior bloco da cidade e um dos maiores do Brasil foi desrespeitado de forma triste e violenta, mostrando a todos uma prova clara da falta de competência para realizar o que foi proposto e do compromisso da cidade com os blocos que recriaram o carnaval de São Paulo”, diz em texto.

A Polícia Militar informou que acompanhou a movimentação por meio de monitoramento aéreo com helicópteros e drones e que atuou em conjunto com órgãos municipais, operacionais e de mobilidade para garantir a circulação e a segurança do público, sem registro oficial de feridos. “Diversas estratégias foram adotadas a partir da Sala de Gerenciamento de Incidentes, instalada no Copom da Polícia Militar. O local vem sendo acompanhado em tempo real por meio de imagens aéreas, tanto do helicóptero da Polícia Militar quanto de drones.

Os órgãos parceiros, como Metrô, CET, Prefeitura, GCM e demais instituições envolvidas, estão presentes na Sala de Gerenciamento de Incidentes, o que permite a coordenação integrada das ações, de acordo com a Polícia. “Com base na observação aérea e nessa atuação conjunta, medidas foram adotadas para garantir a fluidez e a segurança dos foliões.”

*Com informações de Lucas Jozino e Rodrigo Rodrigues, TV Globo e G1.