Haddad questiona Sabino sobre saída do Ministério do Turismo: “Vai mesmo nos deixar?”
Celso Sabino, ministro do Turismo (Eric Ribeiro/M&E)

O futuro do ministro do Turismo, Celso Sabino, permanece indefinido em meio à pressão da direção do União Brasil para que seus filiados deixem o governo federal. Apesar de já ter entregue uma carta de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na sexta-feira (26), Sabino segue no cargo e mantém agenda oficial com o chefe do Executivo nos próximos dias.

A indefinição foi exposta publicamente quando o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, dirigiu-se a Sabino momentos antes da posse de Edson Fachin como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). “Você vai mesmo nos deixar?”, questionou Haddad, em cena testemunhada por jornalistas.

Pressão partidária

A situação de Sabino reflete a decisão do União Brasil de romper com o governo. Em agosto, a federação formada pelo partido e pelo Progressistas (PP) determinou que seus filiados deixassem a gestão federal até 30 de setembro, sob pena de expulsão. A cúpula do União, no entanto, antecipou o prazo para 26 de setembro após reportagem revelar acusações contra o presidente da legenda, Antonio Rueda, ligando-o a aviões supostamente usados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Rueda nega qualquer envolvimento.

Carta entregue, missão em aberto

Mesmo após apresentar a carta de renúncia, Sabino tem reiterado que sua prioridade é a continuidade das ações do Ministério do Turismo, especialmente no Pará, seu Estado natal e sede da COP30 em novembro. Ao jornal Valor, o ministro declarou que espera “bom senso” do partido. “Tenho responsabilidade com o país e não posso abandonar os compromissos que firmei no comando da pasta por questões ideológicas”, afirmou.

Enquanto não há definição sobre sua permanência, Sabino deve acompanhar Lula em compromissos oficiais no Pará ainda esta semana.