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Leve queda do dólar reflete resultados econômicos e tensões comerciais internacionais (Luisa Gonzalez/Reuters)

O dólar iniciou a sessão desta terça-feira (12) em leve queda de 0,04%, cotado a R$ 5,441, refletindo a atenção dos mercados aos dados inflacionários divulgados hoje no Brasil e nos Estados Unidos. O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, também começou o dia em movimento cauteloso, abrindo às 10h após queda de 0,21% na véspera, encerrando em 135.623 pontos.

Às 9h, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, referente ao mês de julho. O indicador registrou alta de 0,26%, ligeiramente superior ao avanço de 0,24% observado em junho, mas abaixo das expectativas do mercado, que projetavam 0,37%. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação chegou a 5,23%, desacelerando em relação aos 5,35% do período anterior. No ano, o IPCA acumula alta de 3,26%.

Pouco depois, às 9h30, o mercado americano ficou atento à divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos, com expectativa de avanço de 0,2% no mês e de 2,8% na comparação anual. O comportamento da inflação nos EUA é um fator-chave para as decisões do Federal Reserve (Fed) sobre a política de juros, especialmente diante da expectativa de cortes nas taxas já na reunião de setembro.

No plano político e econômico interno, o governo brasileiro intensifica os esforços para minimizar os impactos do “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos, que aumentou para 50% as alíquotas sobre exportações brasileiras. A equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem discutido um plano de contingência, que deve ser anunciado nos próximos dias, com medidas para proteger a economia e as empresas afetadas. Em audiência pública nesta terça-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também debate o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), tema que pode influenciar o ambiente econômico.

Embora os Estados Unidos representem cerca de 12% das exportações brasileiras, um relatório recente da Moody’s Analytics estima que o ‘tarifaço’ deve reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 0,2%. Entretanto, a demanda chinesa por produtos agrícolas brasileiros pode mitigar esses efeitos com o tempo. A consultoria ressalta ainda que barreiras internas, como o chamado “Custo Brasil”, elevam preços e prejudicam a competitividade, recomendando uma liberalização gradual para impulsionar a produtividade nacional.

No cenário internacional, além do foco nos dados de inflação e mercado de trabalho dos EUA, destaque para a nomeação do economista E.J. Antoni como novo comissário do Bureau of Labor Statistics, órgão responsável pelos principais indicadores econômicos americanos. Outro ponto que chamou atenção foi a notícia de que a Nvidia teria acordado repassar 15% da receita gerada com inteligência artificial na China ao governo dos EUA, após encontro do CEO Jensen Huang com Donald Trump.