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Eduardo Cavaliere, prefeito do Rio – Município defende política para manter crescimento do RIOgaleão e voos internacionais (Beatriz Waehneldt/M&E)

A política de coordenação entre os aeroportos Internacional Tom Jobim (RIOgaleão) e Santos Dumont voltou ao centro das discussões sobre a aviação brasileira. Durante a cerimônia de inauguração do voo direto da GOL entre o Rio de Janeiro e Nova York, realizada nesta semana, o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, defendeu a manutenção do modelo implantado pelo governo federal e declarou que uma eventual revisão das regras representaria um retrocesso para a economia fluminense.

Segundo o prefeito, a reorganização da malha aérea foi determinante para recuperar o movimento do RIOgaleão, terminal que registrou queda significativa no número de passageiros após a pandemia e durante o período em que grande parte dos voos domésticos permaneceu concentrada no Aeroporto Santos Dumont.

Ao comentar o cenário anterior à mudança regulatória, Cavaliere argumenta que o potencial do aeroporto internacional chegou a ser colocado em dúvida. “Tentaram convencer os brasileiros e os cariocas de que esse aeroporto não era viável.” Na sequência, o prefeito critica a situação enfrentada pelo terminal antes da redistribuição das operações. “O que aconteceu no Galeão antes da mudança da regulação foi um escândalo, um absurdo, foi inaceitável.”

A declaração ocorre em meio às discussões sobre o futuro da coordenação entre os dois aeroportos da capital fluminense. Embora não tenha citado propostas específicas em análise, Cavaliere afirma que reagirá caso o modelo atualmente adotado seja alterado. “Se mexerem na coordenação dos aeroportos, vai ter manifestação na porta do órgão responsável.”

Após a pandemia de Covid-19, o Aeroporto Internacional Tom Jobim perdeu parte expressiva de sua movimentação. Ao mesmo tempo, o Aeroporto Santos Dumont concentrou a maior parte das operações domésticas, tornando-se o principal terminal de embarques e desembarques da cidade.

Em 2023, o governo federal implementou uma política de redistribuição da malha aérea, limitando parte das operações no Santos Dumont e direcionando voos para o RIOgaleão. O objetivo foi fortalecer a conectividade internacional do terminal, ampliar sua utilização e recuperar o equilíbrio operacional entre os dois aeroportos. A medida permaneceu em vigor durante o processo de venda assistida da concessão do Galeão, concluído em março de 2026, quando a administração do aeroporto passou para a espanhola Aena.

Segundo Eduardo Cavaliere, os resultados da política já podem ser observados na movimentação do terminal internacional. De acordo com o prefeito, o aeroporto passou de aproximadamente 5 milhões de passageiros para quase 18 milhões em 2025, com expectativa de alcançar cerca de 20 milhões de passageiros em 2026. Os números refletem a retomada da oferta de voos domésticos e internacionais e a chegada de novas rotas operadas por companhias brasileiras e estrangeiras.

Incentivos municipais ajudam a ampliar ligações internacionais

Durante o evento de inauguração da nova rota da GOL para Nova York, Cavaliere também comentou o apoio financeiro concedido pela Prefeitura do Rio para estimular a abertura de novas operações internacionais. Segundo ele, o município investiu US$ 3 milhões por meio de um fundo criado em parceria com o RIOgaleão. O objetivo é atrair ligações consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico da cidade.

O prefeito afirma que o impacto da política ultrapassa o setor turístico e alcança áreas relacionadas à atração de investimentos. “Quando um tomador de decisão avalia investir no Rio ou no Brasil, ele sabe que está a um voo direto de Nova York, um dos principais centros financeiros do mundo. Isso aumenta a competitividade da cidade para atrair investimentos, além de gerar emprego e renda.”

A inauguração da ligação direta entre o Rio de Janeiro e Nova York faz parte da estratégia de expansão da conectividade internacional do aeroporto, que voltou a receber novos voos de longo curso nos últimos anos. Para o setor de turismo, a ampliação da oferta internacional fortalece a entrada de visitantes estrangeiros e amplia as opções de conexão para passageiros brasileiros.

Ao defender a manutenção da coordenação entre os aeroportos cariocas, Cavaliere também atribui a recuperação do Galeão à decisão do governo federal de reorganizar a distribuição dos voos. Segundo o prefeito, a medida adotada durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva permitiu fortalecer o terminal internacional sem comprometer as operações de outros aeroportos brasileiros. “O Galeão é, hoje, a principal porta de entrada do turismo internacional no Brasil.”

Dados recentes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Ministério de Portos e Aeroportos mostram que o RIOgaleão vem ampliando gradualmente sua participação na movimentação internacional de passageiros, impulsionado pela retomada de rotas para América do Norte, Europa e América do Sul.

Além da nova operação da GOL para Nova York, o aeroporto recebeu recentemente novas frequências internacionais de companhias como American Airlines, United Airlines, TAP Air Portugal, Air France, Iberia e Copa Airlines, reforçando sua posição como principal terminal internacional do estado do Rio de Janeiro.

A inauguração do voo direto para Nova York também repercutiu nas redes sociais. O ex-prefeito Eduardo Paes publicou uma mensagem comemorando o início da operação e fez referência aos passageiros que tradicionalmente embarcam em voos internacionais por São Paulo. “Agora vocês podem ir para Nova York sem enfrentar o trânsito até Guarulhos. Pousem no Galeão e embarquem direto para o JFK.” A publicação acompanha o discurso de valorização do aeroporto internacional como principal porta de entrada e saída de voos de longa distância no estado.

*Com informações de Valor.