
O transporte aéreo doméstico brasileiro vive um momento de expansão e transformação estrutural. Dados da IATA, desmembrados na 7ª edição da Revista Tendências do Turismo, produzida pela Embratur, MTur e Braztoa, apontam que 2025 consolida um ciclo de crescimento sustentado, marcado pela diversificação da malha aérea e pela ampliação da conectividade entre diferentes regiões do país.
Os grandes hubs da aviação seguem como pilares do sistema. São Paulo (+12,89%), Rio de Janeiro (+17,64%) e Brasília (+25,47%) mantêm protagonismo graças à sua infraestrutura consolidada, alta conectividade e forte demanda corporativa e turística. Esses centros continuam desempenhando papel estratégico na articulação dos fluxos nacionais e internacionais.
No entanto, o principal destaque do período está fora do eixo tradicional. Porto Alegre registrou crescimento expressivo de 108,13%, alterando significativamente sua posição na malha aérea. Também se destacam Maceió (+35,74%), Curitiba (+25,62%), Recife (+22,25%) e Fortaleza (+19,35%), evidenciando o fortalecimento de novos polos regionais.
Entre os crescimentos percentuais mais relevantes, destinos como Fernando de Noronha (+70,69%), João Pessoa (+52,54%) e Juazeiro do Norte (+40,24%) reforçam a tendência de interiorização do turismo e da aviação. Já Porto Velho (+43,32%) simboliza o avanço da conectividade na Região Norte.
Esse movimento indica uma descentralização gradual da aviação doméstica, impulsionada pelo crescimento do turismo interno, pela abertura de novas rotas diretas e pela busca por destinos menos saturados e mais autênticos. O resultado é uma malha aérea mais capilarizada e equilibrada regionalmente.
Do ponto de vista da origem dos passageiros, os dados da Amadeus mostram que o mercado ainda é altamente concentrado. São Paulo responde por 47% das emissões domésticas, seguido por Rio de Janeiro (9%) e Distrito Federal (8%). Apesar da expansão geral de 14% no volume de passageiros, a predominância do Sudeste permanece evidente.
Desafio é seguir estimulando diversificação dos hubs de aviação

Para o setor, o cenário aponta um duplo desafio: consolidar os grandes hubs já estruturados e, ao mesmo tempo, estimular a diversificação dos centros emissores, promovendo maior equilíbrio territorial.
As perspectivas para 2026 reforçam essa tendência de redistribuição do fluxo turístico. Projeções indicam que Rio Grande do Norte liderará o crescimento na recepção de turistas domésticos, com alta estimada de 34%. Na sequência aparecem Tocantins (+25%) e Rio Grande do Sul (+24%).
Estados da Região Norte e do Nordeste também ganham destaque, como Rondônia (+22%), Paraíba (+19%) e Piauí (+19%), refletindo o crescente interesse por destinos de natureza, cultura e experiências autênticas.
O panorama indica uma nova configuração do turismo doméstico brasileiro, com maior diversidade geográfica e oportunidades emergentes. De acordo com o estudo, para acompanhar esse movimento, será fundamental investir em infraestrutura, qualificação da oferta e estratégias de promoção alinhadas às novas preferências dos viajantes.







