carnaval
Alexandre Sampaio, presidente da FBHA (Divulgação/Marcelo Freire)

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta que o Carnaval deve movimentar R$ 14,48 bilhões na economia brasileira, com crescimento real de 3,8% em relação ao feriado de 2025, já descontada a inflação, impulsionado pelo aumento do turismo internacional, pela estabilização de preços de serviços e por um ambiente econômico mais favorável ao consumo.

De acordo com a CNC, o faturamento do turismo no Brasil já supera em 13% o nível registrado em fevereiro de 2020, antes da pandemia. Para o próximo carnaval, bares e restaurantes devem liderar a geração de receitas, com previsão de R$ 5,77 bilhões. O transporte rodoviário e aéreo aparece em seguida, com R$ 3,73 bilhões, enquanto a hotelaria deve somar R$ 1,44 bilhão. Juntos, esses três segmentos concentram mais de 74% da receita total estimada para o período.

Estrangeiros impactam no Carnaval

Carnaval
Carnaval deve movimentar todas as regiões do país (Divulgação/GilbertoJunior/Secom)

O desempenho também é atribuído ao avanço do turismo internacional. A CNC estima a entrada de 1,42 milhão de visitantes estrangeiros no Brasil em fevereiro de 2026, alta de 4% na comparação com o carnaval de 2025. “O desempenho positivo também está diretamente ligado ao turismo internacional”, afirma Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação e diretor do Conselho Empresarial de Turismo da CNC.

“O avanço acompanha o desempenho de 2025, quando o País recebeu 9,3 milhões de turistas entre janeiro e outubro, um aumento de 37,1% frente ao ano anterior, com destaque para visitantes da Argentina, Chile e Estados Unidos”, complementa.

No mercado doméstico, a entidade avalia que a desaceleração da inflação contribui para sustentar o consumo. O IPCA passou de 4,9% em 2024 para 4,5% em 2025, movimento que amplia o poder de compra das famílias. A esse cenário se somam o nível elevado de ocupação e a melhora gradual da renda, fatores que favorecem os gastos com lazer, alimentação fora do lar e viagens durante o feriado.

O aquecimento da atividade turística deve refletir no mercado de trabalho. A CNC projeta a criação de 39,2 mil vagas temporárias no período do carnaval, com concentração em bares e restaurantes, responsáveis por 27,9 mil postos. Hotéis e pousadas devem abrir cerca de 4,1 mil vagas. “O aquecimento da atividade turística deve impactar diretamente o mercado de trabalho”, destaca Sampaio.

Apesar do aumento nas contratações, a taxa de efetivação deve ser menor. A estimativa para 2026 aponta que 11% dos trabalhadores temporários devem ser efetivados após o carnaval, abaixo dos 16% registrados no ano anterior. Para a CNC, o indicador sinaliza um processo de estabilização do mercado de trabalho no turismo, após a fase mais intensa de recomposição de empregos nos anos seguintes à crise sanitária.