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Estudo aponta diferença entre presença feminina no turismo e participação em cargos de liderança (Gemni/IA)

Apesar de representarem 54% da força de trabalho no setor de turismo, as mulheres ocupam apenas 33% das posições em conselhos de administração de empresas de viagens e hospitalidade. O dado foi destacado em uma análise divulgada pela Belvera Partners para marcar o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. A iniciativa reuniu líderes do setor de tecnologia aplicada ao turismo para discutir liderança feminina, desigualdades percebidas no mercado de trabalho e caminhos para ampliar a presença de mulheres em cargos estratégicos.

Apesar de as mulheres representarem a maioria da força de trabalho no turismo global, a presença feminina nos níveis mais altos de decisão nas empresas do setor ainda é menor. Segundo dados citados pela Belvera Partners, mulheres correspondem a 54% dos profissionais que atuam na indústria de viagens e hospitalidade, mas ocupam apenas 33% das posições em conselhos de administração.

O tema ganhou destaque em 2026 após um marco institucional no setor. A eleição de Shaikha Al Nowais como secretária-geral da UN Tourism marcou a primeira vez que uma mulher assume a liderança da organização internacional ligada ao turismo. A nomeação foi apontada como um avanço simbólico em um segmento que ainda registra diferenças na ocupação de cargos executivos.

Para discutir esse cenário, a Belvera Partners reuniu quatro executivas do setor de tecnologia aplicada ao turismo em um debate sobre liderança feminina. Participaram da conversa Astrid Kastberg, diretora-geral da RateHawk; Marianna Gelardi, vice-presidente de vendas da RateGain; May Hertonen, gerente sênior de sucesso do cliente da Valpas; e Amaia Marsà, vice-presidente do Tech Tourism Cluster.

O debate abordou fatores que influenciam a participação feminina em cargos de liderança e discutiu como empresas do setor podem ampliar a presença de mulheres em funções estratégicas.

Estrutura de trabalho e cultura corporativa

Durante o encontro, as executivas destacaram que fatores estruturais dentro das organizações influenciam diretamente o avanço profissional das mulheres. Entre esses elementos estão ambientes de trabalho considerados seguros, gestores que apoiam o desenvolvimento profissional e culturas corporativas que incentivem diversidade e inclusão.

Na RateHawk, plataforma de reservas online voltada a profissionais do turismo, a proporção de mulheres no quadro de funcionários e na gestão foi citada como exemplo. “63% das funcionárias são mulheres, enquanto 60 % dos administradores também são elas”, afirmou Astrid Kastberg.

Segundo ela, o resultado está relacionado a práticas organizacionais que incluem modelos de trabalho flexíveis e políticas que permitem que profissionais conciliem diferentes responsabilidades. “Para mim, esse é o resultado da cultura de uma companhia que é apoiadora e flexível, permitindo que mulheres e homens possam fazer diversos papeis, tanto no trabalho, quanto em casa. Isso os permite deslanchar na liderança”. Kastberg também afirmou que iniciativas que incentivam mulheres a promoverem suas próprias conquistas profissionais podem contribuir para reduzir desigualdades no setor.

Redes de apoio e desenvolvimento profissional

Outro ponto abordado no debate foi a importância da criação de redes de apoio dentro das empresas. Marianna Gelardi, da RateGain, destacou o papel da iniciativa SHE@RateGain, grupo interno voltado para o desenvolvimento profissional de mulheres na empresa. O grupo busca criar um espaço de troca de experiências e de apoio entre funcionárias da companhia.

“Para mim, o mais importante dentro do grupo é criar um espaço onde nos sintamos seguros, onde possamos partilhar as nossas experiências e apoiar-nos uns aos outros”, conta Marianna. Além de incentivar a diversidade, iniciativas desse tipo também buscam ampliar oportunidades de carreira e fortalecer a participação feminina em áreas relacionadas à tecnologia aplicada ao turismo.

Diferenças de estilo de liderança

Os participantes também discutiram diferenças de percepção sobre estilos de liderança entre homens e mulheres. Para May Hertonen, da Valpas, há características frequentemente associadas à liderança feminina que influenciam a forma como equipes são lideradas. “As mulheres lideram mais através do coaching e da empatia. Compreendemos as pessoas a nível pessoal, encorajamo-las, lideramo-las dando o exemplo e crescemos juntamente com elas.”

Ela acrescentou que muitas mulheres desenvolvem habilidades de influência antes de ocuparem cargos formais de autoridade. “A influência é uma das habilidades que o trará para a sala e também o manterá lá.” Kastberg também comentou que diferentes abordagens de liderança podem trazer novos modelos de gestão para o setor. “Ousar liderar de forma diferente de como as coisas eram lideradas antes é bom. Pequenas ações e liderar pelo exemplo são impactantes.”

Diferença de percepção entre homens e mulheres

Outro tema abordado foi a diferença de percepção sobre desigualdade de gênero no mercado de trabalho. Um levantamento realizado pelo portal de empregos Turijobs, especializado nos setores de turismo e hospitalidade, aponta que homens e mulheres percebem o impacto do gênero na carreira de forma distinta.

De acordo com o estudo citado no debate, 63% das mulheres entrevistadas afirmaram que o gênero influenciou sua trajetória profissional. Entre os homens, apenas 32% compartilham dessa percepção. “63% das mulheres que participaram no inquérito pensam que o género influenciou a sua carreira profissional, apenas 32% dos entrevistados do sexo masculino concordam com isso”, afirmou Amaia Marsà.

O levantamento também identificou diferenças de percepção em temas como desigualdade salarial, presença feminina na gestão das empresas e experiências relacionadas a atitudes sexistas no ambiente de trabalho. A maternidade também aparece como um fator que influencia trajetórias profissionais. Segundo os dados apresentados, 22% das mulheres disseram ter adiado a maternidade por razões econômicas ou pressão profissional, enquanto entre os homens esse índice é de 12%.

Outro dado aponta que 14% das mulheres têm parceiros que assumem os cuidados com os filhos, enquanto entre os homens essa proporção chega a 38%. “Como mostram as métricas, existe uma disparidade de género nas percepções e precisamos de trabalhar nisso”, afirmou Marsà. “Precisamos envolver todos nisso para que tenham consciência da desigualdade em nossa indústria.”

Conselhos para futuras líderes

Durante o debate, os executivos também compartilharam orientações para mulheres que desejam desenvolver carreira no setor de tecnologia aplicada ao turismo. Para Marianna Gelardi, é importante refletir e comunicar conquistas profissionais. “Recomendo às mulheres que reivindiquem o seu sucesso e não subestimem o que alcançaram.” Astrid Kastberg ressaltou a importância de construir redes de apoio e confiar na própria experiência profissional.

Para Amaia Marsà, aprender a delegar responsabilidades também é um passo importante no desenvolvimento de lideranças. May Hertonen destacou a necessidade de documentar resultados e considerar o próprio valor profissional. “Documente e mostre o que você faz. Não se encolha para se encaixar em uma função, então certifique-se de encontrar a função que precisa exatamente do que você tem a oferecer.”

Embora as mulheres representem mais da metade da força de trabalho no turismo global, dados indicam que a participação feminina em cargos de liderança ainda apresenta diferença em relação à presença no setor. Iniciativas voltadas à criação de ambientes de trabalho inclusivos, redes de apoio e desenvolvimento profissional aparecem entre os fatores apontados por especialistas como caminhos para ampliar a presença de mulheres em posições estratégicas na indústria de viagens e hospitalidade.