
WASHINGTON, D.C. – Washington, D.C. quer ir além da imagem de capital política e mostrar que também é um destino de experiências, cultura, gastronomia e entretenimento. Ao longo desta semana, a convite da Imaginadora, o M&E acompanha uma delegação de operadoras brasileiras na capital norte-americana para conhecer de perto a estratégia do destino e suas oportunidades para o mercado brasileiro.
Em entrevista ao M&E, Elliott Ferguson, presidente e CEO do Destination D.C., falou sobre os planos para ampliar a presença internacional da cidade e reforçou a importância do Brasil nessa estratégia. Para Ferguson, parte do desafio está justamente em desconstruir a imagem tradicional associada à capital dos Estados Unidos. “Quando você vê museus e política, pensa: ‘Ok, eu vou, mas não espero muito’”, afirmou. A proposta, segundo ele, é fazer com que visitantes que chegam pela primeira vez enxerguem Washington por uma perspectiva diferente, descobrindo uma cidade que combina história e poder político com gastronomia, cultura, parques, vida urbana e experiências ao ar livre.
O executivo também chamou atenção para uma característica pouco conhecida de Washington: o tamanho relativamente pequeno da cidade. Apenas cerca de 700 mil pessoas vivem no Distrito de Columbia, embora a população praticamente dobre durante o dia com o fluxo de trabalhadores vindos de Maryland e Virgínia. “É uma cidade muito pequena, com muito poder”, resumiu Ferguson, destacando que essa dimensão contribui para uma experiência turística mais acessível e fácil de explorar.
Diversidade e acolhimento
Outro ponto destacado pelo presidente do Destination D.C. foi a diversidade da população local. Em um momento de discussões sobre o ambiente político nos Estados Unidos e sobre a percepção de segurança e acolhimento dos turistas estrangeiros, Ferguson fez questão de diferenciar a realidade da cidade do cenário político nacional.
Segundo ele, os cerca de 700 mil moradores de Washington têm suas próprias opiniões e perspectivas, que nem sempre coincidem com as decisões ou posicionamentos da Casa Branca. Ainda assim, a cidade busca reforçar uma mensagem de acolhimento aos visitantes internacionais.
Ferguson citou ainda a forte presença da comunidade LGBTQ+ em Washington, que representa, segundo ele, 14,5% da população local. “Somos muito acolhedores com todas as nacionalidades e etnias”, afirmou. Para o executivo, a realização de eventos internacionais de grande porte, como o WorldPride e a Copa do Mundo, também ajudou a demonstrar que a cidade está preparada para receber diferentes públicos.
Segurança e chegada aos Estados Unidos
A percepção de segurança e de receptividade nos Estados Unidos também foi abordada durante o encontro. Ferguson afirmou que eventos recentes ajudaram a reduzir algumas das preocupações manifestadas por turistas internacionais em relação à entrada no país e aos custos de uma viagem.
De acordo com o executivo, o número de pessoas impedidas de entrar nos Estados Unidos teria permanecido praticamente inalterado por mais de 15 anos. Para ele, isso demonstra que a sensação de que estrangeiros não são bem-vindos não representa necessariamente a realidade do país como um todo.
A mensagem que Washington quer levar aos mercados internacionais é justamente a de uma cidade preparada para receber visitantes. “Esperamos que vocês levem essa mensagem de volta”, afirmou Ferguson, ressaltando também a facilidade de circulação pela cidade e a receptividade dos moradores.
Uma cidade internacional
A vocação internacional de Washington também aparece na presença de aproximadamente 180 embaixadas. Mais do que simplesmente abrigar representações diplomáticas, no entanto, Ferguson destacou como a presença estrangeira influencia a própria identidade da cidade.
Segundo ele, muitos profissionais que chegam a Washington para trabalhar em embaixadas acabam permanecendo na capital mesmo depois de encerrarem suas funções diplomáticas. Alguns abrem restaurantes ou passam a atuar em outras áreas, contribuindo para a diversidade cultural e gastronômica do destino.
Ferguson destacou que muitas das pessoas que trabalham ao seu redor vieram de diferentes partes dos Estados Unidos e de outros países. Para ele, essa mistura de origens é parte importante do que torna a cidade única.
Washington de um jeito diferente
Entre os atributos que Ferguson quer que os profissionais de turismo descubram está a possibilidade de conhecer Washington a pé. O executivo destacou que muitos visitantes não imaginam a dimensão dos espaços verdes da cidade, citando o Rock Creek Park, que, segundo ele, é maior do que o Central Park, em Nova York.
A facilidade de deslocamento também foi ressaltada. O sistema de metrô, de acordo com Ferguson, é limpo e acessível, enquanto a estrutura urbana permite combinar atrações culturais, monumentos, parques, restaurantes e bairros diferentes sem grandes deslocamentos.
A estratégia é mostrar que Washington vai muito além do National Mall, da Casa Branca e dos memoriais. Para quem visita a cidade novamente, a intenção é apresentar novidades e experiências que possam renovar o interesse pelo destino.
Brasil entre os mercados prioritários
O Brasil aparece entre os mercados considerados estratégicos pelo Destination D.C. Ferguson explicou que a organização está avaliando seu orçamento e suas ações de marketing para continuar relevante nos mercados onde identifica potencial de crescimento, incluindo o brasileiro.
O executivo afirmou que o orçamento deste ano e do próximo já está comprometido, mas a expectativa é ampliar os investimentos a partir de 2028. A estratégia deverá ser discutida com mais detalhes durante reuniões de marketing com profissionais do turismo.
Para finalizar, Ferguson reforçou o convite para que os profissionais conheçam a cidade por uma nova perspectiva. Para o Destination D.C., o desafio agora é transformar essa experiência em uma mensagem que chegue aos viajantes brasileiros: Washington pode ser uma capital política, mas também é uma cidade pequena, caminhável, multicultural, acolhedora e cheia de experiências que vão muito além dos seus monumentos mais conhecidos.







