
RIO DE JANEIRO – No segundo dia da Abav Expo 2025, realizada nesta quinta-feira (9) no Riocentro, no Rio de Janeiro, executivos da Azul Linhas Aéreas reforçaram que a companhia está perto de concluir seu plano de reestruturação financeira sob o processo de Chapter 11, sem comprometer operações, expansão e qualidade do serviço. A afirmação foi feita pelo vice-presidente da Azul, Daniel Bicudo, acompanhado de Ricardo Bezerra, gerente comercial para lazer, e Anderson Serafim, gerente comercial para consolidadoras e segmento corporativo.
“Estamos prestes a entregar aquilo que prometemos a todos os nossos stakeholders. Seguimos dentro do planejado”, garantiu Bicudo. A previsão da saída é fevereiro de 2026.
Segundo o executivo, mesmo com o cenário de reorganização judicial nos Estados Unidos, a Azul registrou lucro no segundo trimestre e mantém credibilidade no mercado. “Estamos sendo rigorosos não só na estruturação do passivo, mas também na gestão de ativos, operando com responsabilidade e foco no cliente”, afirmou.
Malha aérea reforçada e foco no lazer
Representando o segmento de lazer, Ricardo Bezerra destacou o forte crescimento desse mercado dentro da companhia. Para a alta temporada, a Azul anunciou 3.600 voos extras, totalizando 520 mil assentos adicionais. Destinos como Porto Seguro, Maceió, Fortaleza, João Pessoa, Natal, Ilhéus, Salvador e Aracaju ganharão reforço na malha.
Segundo Bezerra, a Azul está aproveitando a sazonalidade do mercado para converter voos tradicionalmente corporativos em rotas turísticas. “Transformamos 45% da malha de alta temporada do corporativo para o lazer, principalmente a partir de Congonhas, levando voos para operadoras e ampliando o acesso do trade”, explicou. Só os voos dedicados da Azul Viagens somaram 4.460 operações, crescimento de 111% sobre a baixa temporada.
Internacionalização segue estratégica – mas alianças não são prioridades
Questionado sobre novos destinos internacionais, Daniel Bicudo afirmou que, mesmo com cautela durante o Chapter 11, o plano global segue ativo. A empresa mantém forte presença em Orlando, além de rotas como Campinas–Madri, Campinas–Porto e as recentemente anunciadas Recife–Porto e Recife–Madri.
“Estamos construindo hubs estratégicos em Campinas, Confins e Recife, que funcionam como centros de distribuição para o Brasil e o exterior”, disse Bicudo. Ele reforçou que alianças com grandes grupos não estão no radar imediato, especialmente após o fim do acordo que poderia concretizar a fusão entre Gol e Azul sob o guarda chuva do grupo Abra. “Seguimos com acordos bilaterais eficientes. Nossa prioridade hoje é concluir a reestruturação e manter parcerias sustentáveis”, explicou.
Corporativo mostra força e fidelidade
Representando o segmento corporativo, Anderson Serafim ressaltou que o setor se manteve estável e fiel à Azul, apesar da reestruturação financeira. “Nosso share no mercado corporativo continua sólido. Não houve retração porque o cliente confia na experiência Azul”, afirmou. Ele destacou a importância da pontualidade: “Em agosto fomos a empresa mais pontual do mundo, e isso faz diferença para o executivo que precisa chegar no horário.”
Serafim também reforçou as novidades já divulgadas pelo M&E sobre o lançamento dos novos níveis no programa TudoAzul, oferecendo ainda mais benefícios aos passageiros frequentes, o que é mais um diferencial para os clientes deste perfil.
Judicialização e atendimento: firmeza e prevenção
Os executivos comentaram também os altos índices de judicialização no setor aéreo brasileiro — que cresceu 190% em quatro anos. Bezerra destacou que a Azul trata o tema com prioridade. “Criamos comitês internos e estamos trabalhando junto com agências de viagens para evitar que problemas operacionais se transformem em processos”, afirmou. A empresa também investe em inteligência artificial no CCO (Centro de Controle Operacional) para mitigar impactos climáticos e reacomodar clientes com mais agilidade.
Números de 2025 e projeções
A Azul transportou 20 milhões de passageiros de janeiro a agosto, um crescimento de 1 milhão em relação ao ano passado. A expectativa é manter o ritmo e encerrar o ano com desempenho similar a 2024, quando transportou mais de 30 milhões de clientes. Segundo Bicudo, a empresa projeta crescimento com estabilidade em 2026, equilibrando oferta e receita sem perder a eficiência operacional.
O M&E viaja com apoio da C2Rio e proteção GTA







