Annette Taeuber, diretora da Lufthansa para o Brasil
Annette Taeuber, diretora da Lufthansa para o Brasil

“O Brasil acelerou a retomada com muito mais intensidade em relação ao mercado europeu”. Estas são as palavras otimistas de Annette Taeuber, diretora geral do Grupo Lufthansa no Brasil, ao comentar, em entrevista exclusiva ao M&E, sobre o momento da companhia no Brasil e todos os detalhes da forte retomada da empresa no mercado brasileiro, que já restabeleceu inclusive mais de 90% da capacidade pré-pandemia.

“No auge da pandemia, a Lufthansa foi uma das poucas companhias que continuaram operando para o Brasil. São Paulo foi um dos poucos destinos do mundo que continuaram sendo servidos, um momento emocionante, porque enquanto muitas ‘deixavam os passageiros na mão’, somente a Lufthansa trazia os brasileiros de volta (ao lado de sua parceira United, que também nunca deixou de voar”, destacou Annette. “É por esta importância do mercado brasileiro e por nunca termos parado de operar, que a retomada por aqui está sendo mais rápida do que a média global”, completou a diretora.

“O Brasil acabou acelerando a retomada com mais intensidade em relação a outros mercados globais do Grupo Lufthansa, como a própria Europa”

Atualmente, a Lufthansa opera no Brasil 92% da oferta de assentos que tinha antes da pandemia. São voos diários da Lufthansa entre São Paulo e Frankfurt; voos diários da SWISS entre Guarulhos e Zurique; e cinco voos semanais entre Rio e Munique, rota lançada em março deste ano. “O Brasil acabou acelerando a retomada com mais intensidade em relação a outros mercados globais do Grupo Lufthansa, como a própria Europa”, frisou Taeuber.

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Annette Taeuber acredita que voos entre São Paulo e Munique podem ser retomados no futuro

Annette lembrou que, menos de um ano antes da pandemia, a companhia tinha lançado voos diretos entre São Paulo e Munique, mas que acabaram sendo suspensos logo depois por conta da completa paralisação do setor. Segundo ela, a projeção é um dia retomar essas operações. “Se não contarmos com esta rota, por exemplo, São Paulo já tem hoje 100% da capacidade que era ofertada antes da pandemia”, explicou Annette.

A diretora da Lufthansa para o Brasil não conseguiu esconder o otimismo com relação à resposta do mercado. “O melhor de tudo é que estamos vendo brasileiros, alemães e europeus como um todo querendo viajar como nunca. É como se tivéssemos aberto uma ‘porta mágica’ para as viagens, após a pandemia e sem restrições, que fez com que o retorno fosse muito forte. Os voos estão realmente lotados”, destacou a executiva.

O início das operações Rio-Munique: um sucesso?

Florian Pöstch, de Munique, Felipe Bonifatti, da Lufthansa, Dirk Augustin, cônsul, Annette Tauber, da Lufthansa, Bruno Kazuhiro, secretário de Turismo do Rio, e Alexandre Monteiro, do RIOgaleão
Florian Pöstch, de Munique, Felipe Bonifatti, da Lufthansa, Dirk Augustin, cônsul, Annette Tauber, da Lufthansa, Bruno Kazuhiro, secretário de Turismo do Rio, e Alexandre Monteiro, do RIOgaleão, estiveram na festa de inauguração da nova rota

Teve até festa na residência do Cônsul da Alemanha no Rio de Janeiro, em março deste ano, para celebrar o início dos voos inéditos entre Rio de Janeiro e Munique. Na ocasião, cerca de 70 convidados, entre clientes, parceiros e executivos da companhia participaram da cerimônia, recepcionados pelo cônsul geral da Alemanha no Rio de Janeiro, Dirk Augustin. E quase três meses depois, como está a resposta do mercado?

“É incrível como este voo superou todas as expectativas do Grupo Lufthansa. É uma rota diferente, inédita, para um aeroporto cinco estrelas, com conexões rápidas para diversos destinos na Europa e que teve uma grande resposta do mercado brasileiro. A equipe do Network Management Plan, que cuida das rotas, verifica como o público se adapta à nova rota, ao novo hub, e o voo já está acima de todas as expectativas”, declarou Annette.

A resposta do mercado brasileiro à Premium Economy da SWISS

Em março, a SWISS apresentou sua primeira aeronave equipada com a nova Premium Economy, que oferece maior privacidade e conforto a bordo. No Brasil, a cabine já está disponível nas rotas entre Guarulhos e Zurique desde abril. Mas como o mercado brasileiro está respondendo à esta nova classe em voos para Suíça? De acordo com Annette, já são muitas reservas para conhecer o produto.

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A Premium Economy da SWISS

“Em primeiro lugar, estamos super orgulhosos de sermos uma das primeiras rotas a receber o novo produto, o que mais uma vez mostra a importância do mercado brasileiro. São muitas reservas, muitos pedidos para conhecer o produto, que pode ser usufruído pela simples compra ou até mesmo pelo upgrade com milhas. É um sucesso absoluto por se tratar de fato de uma nova cabine, com compartimento e assentos diferenciados”, lembrou Annette.

Ainda segundo ela, a Premium Economy é o luxo acessível para se dar de presente. “A gente destaca a diferença no conforto ao afirmar que são dois assentos por fileira, ao invés de três como na cabine econômica, o que proporciona muito mais espaço para as pernas, maior reclinação e maior largura dos assentos, fora todo o serviço, com serviço de bordo diferenciado, uso de louça, welcome drink e até necessaire”, destacou a diretora.

PREMIUM ECONOMY – A nova classe oferece um assento mais largo, tem reclinação maior, mais espaço para as pernas (99cm) e tela touchscreen para entretenimento de 15,6 polegadas. Além de uma bebida de boas-vindas, a companhia aérea distribui uma  nécessaire e ampla seleção culinária servida em porcelana fina. Passageiros ainda têm a vantagem de aproveitar o dobro da franquia de bagagem (2 malas de 23kg).

Lufthansa está sendo vítima do próprio sucesso

Segundo a executiva, a Lufthansa está sendo vítima do próprio sucesso, não só nesta rota, mas como em toda a malha aérea global. “Estamos vendendo tanto, voando tanto, que estamos enfrentando problemas por conta deste sucesso, tanto nas grandes filas nos aeroportos, que estão sofrendo com a demanda extrema, bem como no aumento de frequências, que esbarra, por exemplo, no atraso da entrega de aeronaves”.

Annette frisa que para aumentar capacidade é preciso de mais equipamentos. “Precisamos de mais aviões para operações mais rentáveis. Durante a pandemia, a Lufthansa investiu 36 bilhões de euros em novos jatos, de todos os modelos, e agora estamos esperando esta entrega para oferecer mais capacidade onde está faltando”, disse. “Temos aeronaves paradas, mas são para reposição de peças, como o A380 e outros modelos, não mais rentáveis para nossas operações”.

Redução de 50% de emissão de CO2 em 2030

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Lufthansa tem a meta de reduzir em 50% a redução de emissão de CO2 em 2030 e chegar a emissão zero em 2050

A sustentabilidade norteia o futuro das operações da Lufthansa, acreditem, desde 1992, quando a companhia lançou o seu primeiro relatório sobre o tema, numa época em que nem se falava em sustentabilidade aqui no Brasil. É por conta deste compromisso de exatos 30 anos, pelo menos, que a Lufthansa tem a meta de reduzir em 50% a redução de emissão de CO2 em 2030 e chegar à emissão zero em 2050. E Annette explica como:

“Só com a aquisição de 180 aeronaves (a cada duas semanas chega uma nova unidade), a emissão de CO2 vai ser reduzida em 30%, justamente por serem aviões mais eficientes. E os 20% restantes serão reduzidos pela compra do SAF, combustível sustentável, que reduz em 80% a emissão do CO2. A Lufthansa é hoje a segunda maior compradora de SAF do planeta, mas o volume de combustível ainda não é suficiente”, frisou Taeuber.

INTERMOBILIDADE – Atuando em diversas frentes, a Lufthansa proporciona a opção do trem, em conexão direta com o avião, para os passageiros que chegam em Viena, Zurique, Bruxelas e Munique, justamente para economizarem na emissão de CO2 ao pegar um novo voo de conexão nestes aeroportos. “Temos 40 destinos apenas na Alemanha de trem, com estação dentro do aeroporto”, disse a diretora da Lufthansa para o Brasil.

“Agências de viagens são fundamentais para Lufthansa”

Ao M&E, Annette também destacou a importância dos agentes de viagens para Lufthansa. Segundo ela, as agências são fundamentais para o sucesso da companhia. A diretora lembrou ainda sobre o forte investimento em treinamento durante a pandemia, com muitas lives e workshops. A grande maioria para apresentar a NDC (New Distribution Capability), nova linguagem que vai ser a base para o XML do futuro.

“Para o mim o NDC se equivale ao e-ticket. Foi um processo longo de adaptação e hoje em dia só temos o bilhete eletrônico praticamente. O mesmo acontece com o NDC. Se no primeiro momento era novidade, aproveitamos e capacitamos mais de 3 mil agentes sobre o assunto, que agora estão conectados e produzindo conteúdo via NDC. Estamos falando de possibilidades maiores de fazer negócios, com tarifas exclusivas pelo canal”, finalizou.