
Os brasileiros gastaram US$ 6,58 bilhões em viagens ao exterior de janeiro a abril deste ano, conforme relatório “Estatísticas do Setor Externo” divulgado na última segunda-feira (26) pelo Banco Central. O montante representa o maior valor nominal para o período desde 2015. Segundo a autoridade monetária, os dispêndios cresceram 10,9% em relação ao mesmo intervalo de 2024, quando totalizaram US$ 5,93 bilhões.
Em abril, os valores desembolsados atingiram US$ 1,68 bilhão, alta de 8,7% na comparação com o mesmo mês do ano anterior e o maior patamar para abril desde 2014. As despesas líquidas com viagens internacionais cresceram 6,6%, chegando a US$ 987 milhões. O resultado decorreu tanto do aumento das despesas, de 8,7%, quanto do avanço das receitas, que subiram 11,9% e alcançaram US$ 693 milhões.
O déficit na conta de serviços totalizou US$ 4,2 bilhões em abril, redução de US$ 98 milhões frente ao mesmo mês de 2024. Entre os componentes, destacaram-se aumentos nas despesas líquidas com transporte (8,2%, somando US$ 1,2 bilhão), propriedade intelectual (18%, US$ 1,1 bilhão), aluguel de equipamentos (13,6%, US$ 973 milhões) e telecomunicações, computação e informações (30,9%, US$ 666 milhões).
Já os serviços culturais, pessoais e recreativos registraram mudança significativa: passaram de despesas líquidas de US$ 410 milhões em abril de 2024 para receitas líquidas de US$ 26 milhões em abril de 2025. As transações correntes do balanço de pagamentos apresentaram déficit de US$ 1,3 bilhão em abril, menor que o saldo negativo de US$ 1,7 bilhão registrado no mesmo mês do ano anterior. O déficit acumulado em 12 meses até abril somou US$ 68,5 bilhões, equivalentes a 3,22% do PIB.
A balança comercial registrou superávit de US$ 7,4 bilhões no mês, inferior aos US$ 7,8 bilhões apurados em abril de 2024. As exportações mantiveram-se estáveis, em US$ 30,6 bilhões, enquanto as importações cresceram 1,5%, atingindo US$ 23,2 bilhões.
As reservas internacionais somaram US$ 340,8 bilhões em abril, um incremento de US$ 4,6 bilhões frente ao mês anterior, impulsionado por variações cambiais, de preços e receitas de juros. Os investimentos diretos no país registraram ingressos líquidos de US$ 5,5 bilhões em abril, superiores aos US$ 3,9 bilhões do mesmo mês do ano passado. No acumulado de 12 meses, o fluxo de investimento direto totalizou US$ 69,8 bilhões, equivalente a 3,29% do PIB.
Os investimentos em carteira somaram ingressos líquidos de US$ 509 milhões em abril. Enquanto as aplicações em ações e fundos apresentaram saída líquida de US$ 1,4 bilhão, os investimentos em títulos no mercado doméstico registraram entrada de US$ 2 bilhões. O Banco Central divulgou os dados em nota oficial, disponível para consulta pública. O levantamento considera despesas com passagens, hospedagem, alimentação e demais custos relacionados às viagens internacionais.






