CEO da Gol diz que aumento da alíquota do IOF dificulta a competitividade
Celso-Ferrer, CEO da Gol (Divulgação/VictorAffaro)

Na saída da recuperação judicial, a Gol pretende ampliar sua oferta de voos para destinos entre o sul da Flórida, nos EUA, e o sul da Argentina. De acordo com o CEO da empresa, Celso Ferrer, avançar no exterior é uma necessidade, já que a companhia precisa crescer e há destinos no mercado doméstico com excesso de oferta, enquanto existem rotas internacionais, como essas, desatendidas.

O crescimento é fundamental para a Gol reduzir seu investimento – hoje 5,4 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da empresa. A meta é ter uma alavancagem de 2,2 vezes o Ebitda em 2029. “Temos muitas aeronaves que começaram em manutenção e vão começar a produzir receita. Isso vai perder a dívida”, diz Ferrer.

Aumentar a oferta no mercado internacional, no entanto, traz desafios, sobretudo porque a companhia compete com aéreas estrangeiras cujos custos podem ser menores. Ferrer destaca que o aumento da alíquota do IOF, por exemplo, terá um impacto anual de R$ 600 milhões para a indústria. “Vou fazer um voo para os Estados Unidos, as empresas americanas não têm IOF. Como é que a gente garante competitividade?”, questiona.

Para a Gol, o importante é reduzir o custo de capital e qualquer custo que exista para as empresas brasileiras que não exista para as internacionais. “Não posso competir com uma empresa que não tem os custos que a Gol tem, como o IOF”.

E complementa: A gente tem receita em real e custos em dólares. Então, tudo paga IOF. Vou fazer um voo para os Estados Unidos, pois as empresas americanas não têm IOF. Como é que a gente garante competitividade? O ponto em relação ao IOF é que, no nosso caso, ele é central no negócio. É o meu custo operacional sendo impactado. Isso é muito grave”.