Monte Fuji
Quem escalar o Monte Fuji fora da temporada sem registro poderá pagar pelo resgate aéreo.(Reprodução/David Eldelstein/Unsplash)

Quem decidir escalar o Monte Fuji fora da temporada oficial no Japão poderá ter de pagar pelo próprio resgate caso precise ser retirado de helicóptero. A província de Yamanashi anunciou que está preparando um pacote de medidas para tentar reduzir as escaladas sem planejamento na montanha e pretende incluir a cobrança pelas operações aéreas de emergência. A proposta ainda está em elaboração, mas informações divulgadas pela imprensa japonesa apontam para um valor de cerca de US$ 10 por minuto de uso da aeronave, com previsão de início em setembro de 2027.

A discussão acontece após autoridades e comunidades locais identificarem um aumento de pessoas que tentam subir o Monte Fuji durante o período em que as trilhas oficiais estão fechadas. A temporada regular de escalada vai de julho ao início de setembro. Fora desse intervalo, as condições na montanha ficam mais severas, com temperaturas baixas, gelo e ventos fortes, enquanto parte da estrutura utilizada durante a temporada deixa de funcionar normalmente.

A proposta de Yamanashi não significa, neste momento, que todo turista resgatado no Monte Fuji terá automaticamente de pagar pela operação. O governo regional ainda trabalha nos detalhes da medida e avalia quais situações poderiam gerar cobrança. Uma das possibilidades envolve justamente os montanhistas que não fizerem o registro prévio da subida e, posteriormente, precisarem de atendimento aéreo.

Monte Fuji recebe mais de 200 mil visitantes na temporada

Com 3.776 metros de altitude, o Monte Fuji é a montanha mais alta do Japão e um dos principais símbolos do país. O vulcão ativo fica na ilha de Honshu e é compartilhado pelas províncias de Yamanashi e Shizuoka, que concentram diferentes rotas de acesso.

Durante o período oficial de abertura, a montanha recebe mais de 200 mil visitantes. A grande procura transformou a escalada em uma das experiências turísticas mais conhecidas do Japão, mas também aumentou a preocupação das autoridades com situações de risco.

Fora da temporada, a realidade é diferente. A ausência de condições adequadas para uma subida convencional faz com que a atividade exija preparação específica. Mesmo assim, alguns montanhistas continuam tentando chegar ao topo durante o período de fechamento.

Segundo informações divulgadas pela agência de notícias Kyodo, esse tipo de escalada improvisada aumentou e passou a exigir maior atuação das equipes de emergência. Em determinados casos, os socorristas precisam enfrentar as mesmas condições de inverno encontradas pelos próprios montanhistas para conseguir chegar às áreas onde estão as pessoas em dificuldade.

O problema é que uma operação de helicóptero em uma montanha com essas características envolve riscos e custos. Até agora, os resgates são realizados sem cobrança específica ao montanhista, situação que passou a gerar pressão de moradores e autoridades locais.

Registro antecipado pode evitar cobrança

Além da possibilidade de cobrança, Yamanashi pretende reforçar o sistema de registro para quem decidir escalar o Monte Fuji fora da temporada.

Atualmente, o envio do plano de escalada é voluntário durante todo o ano. A proposta em estudo prevê que o procedimento passe a ser obrigatório para quem quiser realizar a subida durante o período de fechamento das trilhas.

A ideia é que o montanhista informe antecipadamente seus planos às autoridades. O registro permitiria indicar informações sobre a subida e, principalmente, demonstrar que a pessoa estava ciente das condições e havia comunicado sua atividade antes de entrar na montanha.

Os detalhes da futura regulamentação ainda não foram definidos. A proposta também deverá estabelecer quais equipamentos serão considerados adequados e em quais circunstâncias um montanhista poderia ser responsabilizado pelos custos de uma operação de resgate.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa japonesa, os montanhistas que estiverem devidamente equipados e tiverem enviado o plano de escalada antes da subida poderão ser dispensados da cobrança.

Isso significa que o objetivo da medida não é simplesmente estabelecer uma tarifa para qualquer pessoa retirada da montanha. A discussão está ligada ao comportamento de quem decide realizar a escalada fora do período oficial e sem cumprir os procedimentos estabelecidos pelas autoridades.

Shizuoka também avalia novas penalidades

A preocupação não está restrita a Yamanashi. A província de Shizuoka, que também compartilha o Monte Fuji, estuda mudanças semelhantes para as escaladas fora da temporada.

As autoridades locais afirmaram que os montanhistas deverão registrar previamente seus planos de subida durante o período de fechamento. Quem deixar de fazer o registro poderá ficar sujeito a penalidades caso precise posteriormente de uma operação de resgate.

Shizuoka, porém, ainda enfrenta questões institucionais para estabelecer uma cobrança direta pelos helicópteros. A província informou que continua analisando a proposta e outras formas de penalização para situações consideradas evitáveis.

A discussão mostra uma diferença importante entre as duas regiões. Enquanto Yamanashi já trabalha com uma proposta que prevê valores para o uso do helicóptero, Shizuoka ainda avalia como uma eventual cobrança poderia ser aplicada dentro das regras existentes.

O assunto deve continuar em análise ao longo dos próximos meses, antes de qualquer implementação definitiva.

Quanto poderá custar um resgate no Monte Fuji

A informação mais concreta divulgada até agora é a estimativa de cobrança elaborada por Yamanashi. Segundo a imprensa local, a província pretende cobrar aproximadamente US$ 10 por minuto de utilização do helicóptero em determinadas operações realizadas fora da temporada.

O valor ainda não é uma tarifa definitiva. O governo regional continua definindo como o sistema funcionará e quais casos estarão sujeitos ao pagamento.

O modelo também pode levar em consideração o tempo total da operação. Uma missão de poucos minutos teria um custo diferente de um resgate que exigisse uma permanência prolongada da aeronave na região.

A previsão divulgada pela Fuji TV é que a cobrança comece em setembro de 2027. Até lá, as autoridades deverão detalhar os procedimentos, os critérios para aplicação da tarifa e as situações em que o montanhista poderá ser isento.

Temporada de escalada termina no início de setembro

A temporada oficial de escalada do Monte Fuji ocorre durante o verão japonês e normalmente termina no início de setembro. É nesse período que as principais rotas ficam abertas e a infraestrutura voltada aos visitantes funciona de maneira regular.

Quando as trilhas são fechadas, a montanha passa a apresentar condições mais próximas do inverno. O gelo pode aparecer em diferentes trechos e os ventos fortes aumentam a dificuldade da subida. Para as equipes de emergência, isso também significa operações mais complexas.

As autoridades japonesas vêm tentando equilibrar o acesso turístico ao Monte Fuji com a necessidade de controlar situações consideradas de risco. A montanha continua sendo um dos grandes atrativos turísticos do país, mas a possibilidade de realizar a subida fora do calendário oficial coloca desafios diferentes para quem decide enfrentar o percurso.

A nova proposta acrescenta um elemento financeiro a essa discussão. Caso seja aprovada nos moldes atualmente estudados, o montanhista que ignorar o registro obrigatório e precisar de um helicóptero poderá deixar de contar com um resgate sem custo.

Por enquanto, a cobrança ainda não está em vigor. O que existe é uma proposta da província de Yamanashi, acompanhada por uma discussão semelhante em Shizuoka. A previsão atual é que as novas regras sejam definidas ao longo do próximo ano, com possível início das cobranças em setembro de 2027.