
Viajar continua sendo prioridade no calendário do brasileiro, apesar dos desafios financeiros. Pesquisa inédita da Hibou mostra que 53% da população pretende viajar nos próximos 12 meses, um aumento em relação a 2024, quando o índice era de 48%.
O maior empecilho segue sendo o bolso: 68% apontam a situação econômica pessoal como principal obstáculo para sair de férias, contra 57% no ano passado. “Viajar é parte do projeto de vida do brasileiro. A diferença é que hoje cada passo precisa ser calculado: destino, tempo e até a forma de pagamento entram no radar”, afirma Lígia Mello, CSO da Hibou.
Destinos em alta e em baixa
A Europa voltou a ganhar força e passou de 21% para 26% na preferência dos brasileiros. A América do Norte subiu levemente de 10% para 12%, mas sofre desgaste: 41% dizem que as atuais políticas dos EUA reduziram a vontade de viajar para o país. Apenas 5% afirmam o contrário. América Latina (10%), Ásia (4%) e Oceania (2%) aparecem mais atrás.
Apesar do interesse por destinos internacionais, o Brasil segue soberano: 56% querem viajar para outros estados e 26% dentro do próprio estado, ambos em alta frente a 2024.
Planejamento e gastos
O improviso perdeu espaço no turismo: 41% começam a planejar viagens com 3 a 6 meses de antecedência e 22% organizam tudo com um ano antes. Apenas 10% deixam para última hora.
O controle financeiro também é rígido: 66% administram os gastos para durar a viagem, 40% monitoram o cartão de crédito e 26% acompanham a variação cambial. O parcelamento segue hábito de 35% dos viajantes.
Com quem e para quê viajar
As viagens em casal ainda lideram (38%), seguidas por família (27%) e amigos (14%). Mas o turismo solo cresce: 14% pretendem viajar sozinhos, contra 9% no ano anterior. O tempo médio desejado é de 11 dias.
O lazer também mudou de foco: 68% afirmam que a gastronomia é o principal atrativo de um destino, à frente de parques (50%), passeios personalizados (49%) e compras (43%). Museus (34%) e eventos (19%) vêm atrás. “Hoje o consumidor quer ser surpreendido. Comer bem, viver algo único e ter histórias para contar são prioridades tão fortes quanto o próprio destino”, analisa Lígia.
Cancelamentos e futuro do turismo
Em 2025, 26% dizem que vão manter a viagem como planejado — avanço frente aos 15% de 2024. Ainda assim, 7% cancelaram viagens, 9% adiaram planos e 1% trocaram internacionais por nacionais. Os principais motivos foram questões pessoais (60%) e trabalho (28%), enquanto preocupações econômicas caíram para 10% (eram 20% em 2024).
O futuro também está no radar do viajante: 47% pedem aplicativos com informações culturais detalhadas, 42% querem usar contas bancárias no exterior sem taxas e 37% desejam tradutores simultâneos em tempo real. Para 32%, reduzir impostos em compras internacionais é prioridade, e 29% defendem aumento da faixa de isenção.
A pesquisa foi realizada entre 14 e 19 de agosto com 1.295 entrevistados.







