A transformação do viajante brasileiro: menos praia e mais cultura
Turista brasileiro está se tornando mais exigente e disposto a investir em experiências de maior valor agregado (Freepik)

Pela primeira vez na série histórica da PNAD, as viagens por lazer (39,8%) superaram as por visita a familiares e amigos (32,2%) como principal motivação pessoal em 2024. Um movimento que tem aberto novas oportunidades para destinos e empreendimentos focados em cultura, gastronomia e ecoturismo, ao mesmo tempo em que desafia o modelo tradicional de “sol e praia”. Além disso, sinaliza um amadurecimento desse turista, que agora prefere enriquecimento a experiências por obrigação social.

Mudança de interesses

Dentro do universo das viagens de lazer, a análise evolutiva dos motivos mostra uma clara tendência de diversificação, com destaque para o crescimento de nichos que vão além do litoral.

  • Sol e praia: Principal motivação para viagens de lazer caiu de 55,5% em 2020 para 44,6% em 2024, uma retração de quase 11 pontos percentuais.

  • Cultura e gastronomia: Registrou um crescimento expressivo, saltando de 15,5% em 2020 para 24,4% em 2024, se tornando a segunda principal finalidade.

  • Natureza e Ecoturismo: Manteve-se como uma força relevante, com um pico de 25,5% em 2021, durante a pandemia, e estabilizando-se em 21,7% em 2024.

Preferências e Renda

A escolha do tipo de lazer está intimamente ligada ao poder aquisitivo do viajante. Enquanto o interesse por cultura e gastronomia escala com a renda, partindo de 14,7% na faixa mais baixa para 32,3% na mais alta, o apelo de sol e praia segue a direção oposta. Embora ainda seja a principal preferência em quase todas as faixas, sua popularidade é mais acentuada nos lares de menor poder aquisitivo, alcançando 53,7% entre aqueles com renda de metade a menos de 1 salário mínimo per capita.

Impacto nos gastos

Essa sofisticação do turista se reflete no bolso. O gasto total em viagens nacionais com pernoite cresceu 11,7% de 2023 para 2024, atingindo a marca de R$ 22,8 bilhões. Já o gasto médio por viagem também varia drasticamente conforme a renda, com o turista de maior poder aquisitivo desembolsando, em média, mais que o triplo do viajante de menor renda.