
A mais de 2.100 metros acima do nível do mar, em plena Wasatch Mountain Range, Park City foi o lugar onde vi a neve pela primeira vez. O frio no rosto, o branco absoluto cobrindo a paisagem e o silêncio quebrado apenas pelo som das montanhas transformaram o destino em algo que vai muito além de um ponto no mapa. Essa primeira experiência com o inverno de Utah fez de Park City um lugar que ficará para sempre guardado na memória. Durante uma semana de imersão, o Mercado & Eventos percorreu um roteiro que conectou emoção, esporte, história, cultura, gastronomia e um legado olímpico que segue projetando o destino para o futuro.
Nascida como uma próspera cidade de mineração de prata no final do século XIX, Park City viveu ciclos de crescimento e quase esquecimento até se reinventar, ao longo de seus 150 anos, como um dos destinos mais desejados do mundo para esqui e snowboard. A realização dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002 marcou um divisor de águas nessa trajetória — e o anúncio de que os Jogos retornarão à região em 2034 confirma o papel central do destino no cenário internacional.
Hoje, Park City reúne alguns dos resorts de esqui mais completos dos Estados Unidos, como Deer Valley, Park City Mountain, Utah Olympic Park e Woodward Park City, cada um com identidade própria. Juntos, eles ampliam as possibilidades tanto para quem, como eu, está tendo o primeiro contato com a neve, quanto para esquiadores experientes em busca de pistas desafiadoras e infraestrutura de alto nível.

Como foi esquiar em Park City?
Nas montanhas, Park City também foi palco da minha primeira experiência no esqui — e confirmou, na prática, a fama que carrega. No Park City Mountain, o maior resort de esqui dos Estados Unidos, encontrei pistas amplas, gôndolas modernas — incluindo a Sunrise Gondola — e uma infraestrutura preparada para todos os níveis, o que deixa até quem está começando mais confiante. O almoço no Red Tail Grill, aos pés das pistas, ajudou a entender o clima descontraído do après-ski americano.
Em ambas as montanhas, contei com o apoio de instrutores, fundamentais para o aprendizado. Depois de dois dias de aula, alguns tombos inevitáveis e muitas tentativas, finalmente consegui deslizar pelas pistas — e o resultado foi imediato: amei a experiência. Se o Park City Mountain impressiona pela escala, Deer Valley encanta pela excelência no serviço. Único resort da região exclusivo para esquiadores, limita o número diário de visitantes, garantindo pistas impecáveis, atendimento personalizado e uma vivência premium que faz toda a diferença, especialmente para quem está começando. E o que já é bom pode ficar ainda melhor! O resort está desenvolvendo o Expanded Excellence, um plano de expansão que irá dobrar a área esquiável nos próximos anos.
DEER VALLEY RESORT
Temporada de inverno 2025-2026: 01/12/2025 – 19/04/2026
- Área da estação: 1.740 hectares esquiáveis (4.300 acres)
- Base da montanha: 1.990 metros (6.530 pés)
- Topo da montanha: 2.917 metros (9.570 pés)
- Média anual de neve: 597 cm
- Total de pistas: 202
- Número de teleféricos e gôndolas: 33
- Pistas iniciantes (verdes): 35%
- Pistas intermediárias (azuis): 33%
- Pistas avançadas (pretas): 32%
PARK CITY MOUNTAIN
Temporada de inverno 2025-2026: 21/11/2025 – 19/04/2026
- Área da estação: 2.954 hectares esquiáveis (7.300 acres)
- Base da montanha: 2.073 metros (6.800 pés)
- Topo da montanha: 3.056 metros (10.026 pés)
- Média anual de neve: 597 cm
- Total de pistas: 330+
- Número de teleféricos e gôndolas: 41
- Pistas iniciantes (verdes): 8%
- Pistas intermediárias (azuis): 42%
- Pistas avançadas (pretas): 50%
Dica do M&E: No Deer Valley Resort, é possível esquiar ao lado de ex-atletas olímpicos. O programa “Ski with a Champion” oferece uma oportunidade única para intermediários e avançados aperfeiçoarem as práticas com os melhores do mundo.

O DNA olímpico que molda o destino
A história recente de Park City está profundamente ligada ao esporte de alto rendimento. A visita ao Utah Olympic Park foi um dos pontos altos da viagem. O espaço conta ainda com tirolesa e dois museus gratuitos: o Alf Engen Ski e o Eccles 2002 Olympic Winter Games Museum.
Além de preservar a memória dos Jogos de 2002, eles reúnem equipamentos históricos, relatos de atletas e experiências interativas que aproximam o visitante da rotina olímpica. Entre elas, estão simuladores — disponíveis mediante pagamento à parte — que permitem testar habilidades em modalidades de inverno.
No simulador de saltos, arrisquei a experiência e entrei para o ranking dos melhores resultados, em um momento tão divertido quanto surpreendente. Com os Jogos Olímpicos de Inverno já confirmados para 2034, a região se prepara para um novo ciclo de investimentos, reforçando Park City como um dos poucos destinos do mundo a sediar o evento duas vezes.
Dica do M&E: o museu também oferece estações para fotos digitais gratuitas, ideais para registrar a visita e levar uma lembrança personalizada do local.

Main Street: onde história, arte e cinema se encontram
É na Historic Main Street que Park City revela toda a sua personalidade. O centro histórico concentra mais de 200 negócios independentes, entre boutiques, galerias de arte, bares, restaurantes e museus, além de ser palco de eventos culturais ao longo de todo o ano.
Durante a caminhada pela rua, conhecemos um dos capítulos mais curiosos da história recente da cidade: a passagem de Banksy por Park City. O artista esteve no destino em 2010, durante a estreia mundial do documentário Exit Through the Gift Shop no Sundance Film Festival, quando produziu sete obras originais espalhadas pela cidade.
Com o tempo, parte dessas intervenções foi apagada ou destruída, mas três obras originais permanecem preservadas — um feito raro, que coloca Park City entre as menores cidades do mundo a abrigar trabalhos autênticos do artista. Um dos destaques é o icônico Cinema Stage Rat, o rato usando óculos 3D, hoje protegido e exposto em área pública próxima à Main Street. A obra simboliza a conexão entre arte urbana, cinema e espaço público, elementos centrais da identidade criativa local.
A visita à Main Street incluiu ainda o Park City Museum, que ajuda a contextualizar essa trajetória — da mineração ao esqui, do cinema à arte contemporânea — e reforça como a cidade consegue manter viva sua história enquanto se reinventa constantemente.
É hora de ir às compras!
Quem gosta de fazer compras encontra boas oportunidades em Park City. Além das lojinhas charmosas da Historic Main Street, vale a pena incluir no roteiro uma visita ao Junction Commons. O complexo reúne outlets de marcas muito queridas pelos brasileiros, como GAP, Polo Ralph Lauren, Under Armour, entre outras.
As lojas da Columbia — tanto a Factory Store quanto a Clearance Store — são especialmente práticas para quem precisa comprar casacos, botas e outros itens essenciais para enfrentar a neve com conforto. O shopping tem formato de “U”, com estacionamento na área central, o que facilita bastante a circulação. Basta caminhar pelo corredor em frente às lojas para acessar uma ampla variedade de opções, que incluem roupas, calçados, acessórios, maquiagens e lembrancinhas.

Diversão e experiências fora das pistas
Entre os primeiros destaques do roteiro esteve o Gondola Art Stroll, iniciativa que transforma antigas cabines de gôndola em instalações artísticas iluminadas, espalhadas pela vila. O projeto reforça uma característica marcante de Park City: a integração natural entre montanha, arte e espaço urbano.
Antes mesmo de encarar as montanhas, o roteiro incluiu uma visita ao Woodward Park City, complexo referência mundial em esportes de ação. Tubing na neve, áreas indoor para skate, BMX, trampolim e espaços de treinamento para todas as idades mostram como Park City amplia seu apelo para famílias, jovens e viajantes que buscam experiências além do esqui tradicional.
Dica do M&E: o tubing fica ainda mais divertido quando feito em duplas ou grupos. A velocidade aumenta — e as risadas também.
Gastronomia de montanha em alto nível
À mesa, Park City também entrega variedade e qualidade. A cidade oferece mais de 150 bares e restaurantes com diferentes propostas.
Do clássico almoço no Stein Eriksen Lodge Deer Valley, com seu famoso Skier’s Buffet, aos jantares no animado Historic Main Street, o destino surpreende pela diversidade gastronômica. Sushi, cozinha tailandesa, steakhouses, bares de whisky e restaurantes autorais dividem espaço com galerias, lojas independentes e uma vida noturna vibrante.
O tour gastronômico com a Gourmand Food Tours foi uma das melhores formas de sentir a energia da Main Street, combinando boa comida, histórias locais e o charme histórico da rua mais famosa da cidade. Já os jantares no Hearth and Hill e no recém-aberto Matilda’s reforçaram a cena gastronômica local, contemporânea, acessível e bem executada.
Outro destaque foi a experiência de chef em casa, vivenciada com os serviços da Low Spark Fondue, que simbolizou bem o espírito de Park City: acolhedor, sofisticado e autêntico.
Dica do M&E: para quem gosta de bons drinks, o Alpine Distilling merece uma visita. Aproveite para degustar o premiado Alpine Elevated Gin, produzido localmente.

Hospedagem
Em Park City, há mais de 100 empreendimentos que somam 8 mil leitos, incluindo hotéis cinco estrelas, unidades de grandes redes, hotéis de categoria intermediária, condomínios e casas particulares com serviços hoteleiros.
A experiência do M&E começou no moderno Canyons Village, com hospedagem no Pendry Park City, um dos hotéis que traduzem a nova fase do destino: design contemporâneo, conceito ski-in/ski-out e uma atmosfera vibrante que funciona como ponto de encontro entre hóspedes e moradores locais.
Já a hospedagem em residências da InvitedHome revelou outra faceta de Park City: o conforto de casas completas, ideais para famílias e grupos que buscam privacidade, espaço e autonomia, sem abrir mão dos serviços turísticos e da localização estratégica.
Dica do M&E: para quem viaja em grupo, esse formato costuma ter melhor custo-benefício e torna a experiência ainda mais acolhedora após um dia inteiro na montanha.
Um destino que olha para o futuro
Com acesso fácil a partir do Salt Lake City International Airport, transporte público gratuito e uma oferta turística madura, Park City se posiciona como muito mais do que um destino de inverno. É um verdadeiro hub de experiências que combina esporte, gastronomia, cultura, história e lifestyle de montanha em qualquer época do ano.
Para o Mercado & Eventos, a vivência no destino deixa claro por que Park City segue no radar do turismo internacional — e por que, com Olimpíadas já marcadas para 2034, seu protagonismo global está longe de diminuir.

































