dólar
Projeções indicam possível valorização da moeda norte-americana diante de fatores econômicos e políticos (Gemni/IA)

Analistas projetam que o dólar pode registrar uma recuperação moderada após quatro meses consecutivos de queda, diante de mudanças no cenário político e econômico dos Estados Unidos, segundo levantamento da Reuters.

A pressão sobre a moeda norte-americana diminuiu após fatores como a valorização do euro, expectativas de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve e incertezas relacionadas às políticas comerciais e fiscais do presidente Donald Trump. Ao mesmo tempo, perspectivas de crescimento da economia norte-americana, confiança empresarial e demanda de investidores estrangeiros por ações e títulos dos Estados Unidos passaram a sustentar o movimento.

O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda frente a uma cesta de seis divisas de parceiros comerciais, permanece abaixo de 100 pontos desde novembro. No período, a moeda acumulou queda de 6,7% e atingiu, em janeiro, o menor nível em quatro anos. As perdas mais relevantes ocorreram frente ao dólar australiano e ao iene japonês.

Uma eventual recuperação do dólar pode impactar mercados globais, com reflexos sobre fluxos comerciais, resultados de empresas multinacionais e estratégias de proteção cambial de investidores. A reversão também pode reduzir pressões sobre moedas de mercados emergentes.

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Dólar pode virar o jogo após meses de queda, indicam projeções para 2026 do mercado
Dan Tonbon, estratégia cambial do G10 do Citi, diz que o grupo é otimista em relação ao dólar em um mundo de pessimistas em relação à moeda no momento (Gemni/IA)

Segundo o chefe de estratégia cambial do G10 do Citi, Dan Tobon, a expectativa é de valorização da moeda norte-americana ao menos até o terceiro trimestre, especialmente frente ao euro, ao dólar canadense e à libra esterlina. “Somos otimistas em relação ao dólar em um mundo de pessimistas em relação ao dólar no momento”, diz.

O movimento, para Tonbon, pode ocorrer mesmo mesmo que seja pressionado por fatores como a cobertura de exposições ⁠à moeda por investidores estrangeiros ​e a ameaça à ​independência do Fed por parte do governo Trump. Para ele, uma administração Trump mais focada no crescimento e menos volátil politicamente antes ⁠das eleições de meio de mandato será um ​apoio adicional.

A previsão de Tonbon é que a moeda norte americana se fortaleça pelo menos até o terceiro trimestre deste ano, principalmente em relação ao euro, ao dólar canadense e à libra esterlina. “Acreditamos que o otimismo voltará um pouco. Todas essas coisas juntas, em nossa opinião, devem ser bastante positivas para o dólar.”

Jane Foley, chefe de estratégia cambial do Rabobank, avalia que parte do sentimento negativo já foi incorporado ao valor da moeda e destaca a resiliência do consumo nos Estados Unidos como fator de atração de investimentos.

Apesar das projeções de recuperação, há divergências entre instituições financeiras. Analistas do J.P. Morgan e do Bank of America indicam limites para uma valorização mais ampla da moeda.

Na mesma linha, Francesca Fornasari, responsável pela área de moedas da Insight Investment, afirma que mudanças na percepção do governo norte-americano sobre política cambial podem favorecer a manutenção de uma moeda mais fraca ao longo do ano. “Estamos em um ambiente em que o governo gostaria de ter um dólar mais fraco”, disse e complementa dizendo que o grupo acredita que “o dólar continuará a se desvalorizar ao longo do ano.”

*Com informações da Reuters.

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