Mulheres avançam na liderança da hotelaria carioca e representam 44,7% da força de trabalho
Relatório mostra presença feminina na hotelaria e crescimento em cargos de gestão no Rio (IA/Gemni)

Dados do relatório Panorama da Empregabilidade na Hotelaria, do Observatório do Trabalho Carioca da Secretaria Municipal de Trabalho e Renda do Rio de Janeiro, indicam que as mulheres representam 44,7% dos vínculos formais do setor na cidade. O levantamento mostra crescimento da presença feminina também em cargos de gestão em hotéis da capital e do interior do estado. O tema ganha destaque próximo ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, quando executivas da hotelaria compartilham experiências sobre liderança, carreira e desafios no setor.

A participação feminina na hotelaria do Rio de Janeiro tem crescido tanto em número de profissionais quanto em posições de liderança. Dados do relatório Panorama da Empregabilidade na Hotelaria, elaborado pelo Observatório do Trabalho Carioca da Secretaria Municipal de Trabalho e Renda, mostram que as mulheres representam aproximadamente 44,7% dos vínculos formais no setor na capital fluminense.

A hotelaria está entre os principais segmentos do setor de serviços em geração de emprego na cidade. O levantamento indica que o setor reúne cerca de 20 mil postos de trabalho formais no município, contribuindo para a dinâmica econômica local, especialmente em períodos de maior fluxo turístico.

Os dados também mostram diferenças no perfil educacional entre homens e mulheres. Segundo o estudo, as trabalhadoras do setor apresentam, em média, níveis de escolaridade mais elevados, com maior presença entre profissionais com ensino médio completo e ensino superior completo.

A distribuição de gênero revela que, a cada dez trabalhadores da hotelaria na cidade, cerca de 4,4 são mulheres. A maior concentração feminina está na faixa etária entre 25 e 44 anos, que representa 54,9% dos vínculos ativos. O levantamento também aponta presença relevante de jovens entre 18 e 24 anos, que correspondem a 12,5% dos trabalhadores do setor, indicando que a hotelaria continua sendo uma das portas de entrada para o mercado formal de trabalho.

Para o presidente do HotéisRIO, Alfredo Lopes, o aumento da presença feminina em cargos de gestão acompanha mudanças estruturais no setor. “A hotelaria sempre contou com uma forte presença feminina, mas hoje vemos mulheres ocupando posições estratégicas, liderando grandes equipes e influenciando diretamente os resultados dos empreendimentos. Esse movimento fortalece o setor, amplia a diversidade de visões e torna a gestão mais moderna e eficiente. Ainda há desafios, mas estamos avançando de forma consistente”, afirmou.

Sophie Barbara, do Hotel MGallery Santa Teresa

Mulheres avançam na liderança da hotelaria carioca e representam 44,7% da força de trabalho
A mudança também pode ser observada nas trajetórias de executivas que ocupam cargos de liderança em hotéis do estado (Reprodução/Linkedin)

Sophie Barbara, gerente-geral do Hotel MGallery Santa Teresa, avalia que houve avanços nos últimos anos, embora alguns desafios permaneçam. “Ainda existe uma cultura muito masculina nos cargos de liderança, com a exigência de disponibilidade total, o que impacta decisões corporativas. Para superar isso, é essencial ter inteligência emocional, boa gestão de tempo e humildade para aprender desde a base”, afirmou.

Alexandra Bueno, do Grand Hyatt Rio de Janeiro

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Roberta Werner, Patrícia Masche, Alexandra Bueno, Luiz Strauss, Tatiana Kingston, Andrea Revoreto e Carolina Navarro (Divulgação/Agência Alma)

No Grand Hyatt Rio de Janeiro, Alexandra Bueno assumiu a gerência geral da unidade e também responsabilidades na região da América Latina e Caribe. A executiva destaca o papel da liderança feminina na formação de novas profissionais. “É uma grande satisfação abrir caminho para outras mulheres em posições de liderança. Meu propósito é dar oportunidades, desenvolver talentos e mostrar que é possível alcançar objetivos profissionais”, disse.

Laís Vertis, do Vila Paranaguá

Outra executiva que acompanha essa transformação é Laís Vertis, gerente-geral do Vila Paranaguá. Segundo ela, o aumento da presença feminina em cargos de gestão ocorre de forma gradual. “O masculino ainda é muito associado ao poder. Minha maior ferramenta para superar essa descrença foi estudar, me aprofundar nos assuntos e argumentar com base técnica. Hoje percebo que muitas pessoas me procuram justamente pela minha capacidade de ouvir, ponderar e dialogar”, explicou.

Sintia Gomes, do Sheraton Rio Hotel & Resort

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Sintia Gomes, gerente geral do Grand Sheraton Rio, e Octavio Neto, CEO do Grupo Radar (Arquivo/M&E)

Entre as profissionais com mais tempo de atuação no setor está Sintia Gomes, que há mais de duas décadas ocupa posição de liderança no Sheraton Rio Hotel & Resort. Para ela, a presença feminina na gestão evoluiu ao longo dos anos. “Há 20 anos não era comum ver mulheres em altos cargos de liderança. Hoje, com orgulho, vemos várias mulheres dirigindo hotéis no Rio de Janeiro. Para conquistar esse espaço foi preciso determinação, energia, resiliência e uma rede de apoio. Acreditem no seu potencial e nunca deixem de ser humildes”, afirmou.

Carolina Mescolin, do JW Marriott Hotel Rio de Janeiro

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“A liderança feminina traz consigo sensibilidade, escuta ativa, coragem e propósito. É a capacidade de equilibrar resultados com empatia, estratégia com humanidade e firmeza com cuidado” (Divulgação/JW Marriot)

No JW Marriott Hotel Rio de Janeiro, a gerente-geral Carolina Mescolin relaciona liderança à formação de equipes e desenvolvimento profissional. “Liderar, para mim, nunca foi apenas ocupar um cargo, mas assumir diariamente a responsabilidade de inspirar pessoas, desenvolver talentos e criar um ambiente em que todos possam ser quem realmente são e alcançar o seu melhor”, afirma.

Mônica Paixão, do Le Canton

mulher
Na região serrana do estado, o Le Canton é liderado por Mônica Paixão, que em 2025 completou dez anos à frente do resort (Divulgação)

A executiva ingressou na empresa como diretora e, desde 2023, ocupa o cargo de CEO, sendo a primeira mulher a assumir essa posição no empreendimento. “Tenho muito orgulho da carreira que construí no turismo. Fui pioneira, pelo fato de ter sido a primeira mulher a ocupar postos de direção e gerência nesse mercado no estado do Rio. Em todos os hotéis em que trabalhei, desenvolvi projetos de longo prazo”, afirmou.

Lili Mello, do Hotel Fazenda Vilarejo

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O negócio atualmente segue sob gestão da família (Divulgação)

Outro exemplo citado é o da empresária Lili Mello, associada à história do Hotel Fazenda Vilarejo, localizado em Conservatória, distrito de Valença, no sul fluminense. Ao lado do marido, João Batista, ela participou da construção do empreendimento que começou como um sítio e se transformou em um hotel fazenda que opera há mais de quatro décadas.

A presença feminina em cargos de liderança acompanha mudanças na gestão do setor de hospitalidade. Empresas têm ampliado políticas voltadas à diversidade e ao desenvolvimento de lideranças internas, enquanto profissionais buscam formação acadêmica e experiência operacional para avançar na carreira.

O crescimento da participação feminina na hotelaria do Rio de Janeiro ocorre tanto na base operacional quanto na gestão dos empreendimentos. Dados do mercado de trabalho mostram aumento da presença das mulheres no setor, enquanto trajetórias profissionais indicam ampliação da atuação em cargos estratégicos. O movimento acompanha mudanças na estrutura da indústria do turismo e da hospitalidade, em um cenário em que formação, experiência e diversidade passam a influenciar a organização das equipes e a condução das operações.