
O balanço mais recente do setor de locação de veículos confirma um cenário de expansão consistente e amadurecimento do mercado. Durante coletiva realizada nesta quarta-feira (18), o presidente da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis, Marco Aurélio Nazaré, e o vice-presidente Paulo Miguel Junior apresentaram os principais resultados do Anuário 2026.
O estudo, que será lançado oficialmente nesta quinta-feira (19), é considerado a principal fonte de dados do setor no país. A prévia divulgada destaca o crescimento do faturamento, a evolução da frota e a forte contribuição fiscal das locadoras.
Frota recorde e renovação acelerada
O ritmo de renovação de frota das locadoras continua acelerado no Brasil. Em 2025, o setor atingiu o recorde de aproximadamente 1,7 milhão de veículos. O crescimento foi de 6,2% em relação ao ano anterior, mesmo com menor volume de compras.
Ao longo do ano, foram adquiridos cerca de 629 mil automóveis e comerciais leves. Apesar da leve queda de 3,1% frente a 2024, o número segue expressivo.
Parte relevante dessas aquisições foi destinada à renovação da frota existente.
A idade média dos veículos segue em queda, refletindo maior eficiência operacional.
Esse movimento fortalece a qualidade dos serviços oferecidos ao consumidor. Além disso, mantém o setor como um dos principais clientes das montadoras.
Faturamento cresce e setor reforça arrecadação
O desempenho financeiro das locadoras também foi destaque na apresentação. O faturamento bruto do setor atingiu R$ 61,7 bilhões em 2025. O crescimento foi de 16,6% em relação ao ano anterior. O avanço reflete tanto a ampliação da frota quanto o reajuste de tarifas.
Outro ponto enfatizado foi a contribuição tributária do setor.
As locadoras recolheram R$ 7,8 bilhões em impostos diretos. Além disso, foram pagos cerca de R$ 23 bilhões em tributos na compra de veículos.
O total chega a aproximadamente R$ 30 bilhões em arrecadação. Os dados reforçam o papel relevante do setor para os cofres públicos.
Preço médio e impacto dos juros
O ambiente econômico desafiador influenciou as decisões de investimento. Com juros elevados e crédito restrito, o setor reduziu levemente o volume de compras. Por outro lado, o valor investido aumentou significativamente. O preço médio dos veículos adquiridos chegou a R$ 126 mil.
Esse patamar elevou o aporte financeiro das locadoras.
Mesmo com menor volume, o investimento total permaneceu robusto. O cenário exige maior planejamento e eficiência das empresas. Ainda assim, o setor demonstrou capacidade de adaptação.
Eletrificação avança de forma gradual
A eletrificação da frota segue como uma das principais tendências. Atualmente, o setor conta com cerca de 33,5 mil veículos eletrificados. O crescimento dos emplacamentos nesse segmento foi de 159% em 2025. A maior parte da frota eletrificada é composta por híbridos leves.
Na sequência aparecem os híbridos plug-in e os elétricos 100%. A adoção dos modelos totalmente elétricos ainda ocorre de forma cautelosa.
Questões como valor de revenda e custo operacional influenciam essa decisão. O uso desses veículos é mais comum em operações específicas. Entre elas, destacam-se serviços de última milha e aplicativos.
Motos ganham espaço com avanço do delivery
Outro destaque do anuário é o crescimento das motocicletas nas frotas. Os emplacamentos desse segmento avançaram mais de 80% em 2025. Com isso, o número de motos praticamente dobrou nas locadoras. A expansão é impulsionada pela demanda do setor de entregas.
Empresas e profissionais têm buscado alternativas mais acessíveis. O alto custo dos automóveis também contribui para essa migração. A tendência indica maior diversificação das frotas nos próximos anos. As motos passam a ocupar papel estratégico na mobilidade urbana.
Empregos e novos desafios do setor
O crescimento do setor também se reflete na geração de empregos. As locadoras ampliaram seus quadros, mesmo com desafios de contratação. A demanda por mão de obra qualificada segue como ponto de atenção.
Outro fenômeno observado é o aumento no número de empresas. O setor cresce entre 15% e 20% ao ano em quantidade de locadoras. Esse movimento atrai pequenos empreendedores para o mercado.
Ao comentar o cenário de demanda, o vice-presidente Paulo Miguel Junior destacou:
“Espera-se aumento pontual de demanda em feriados, impulsionado por maiores deslocamentos, mas sem previsão de crescimento contínuo da demanda diária para o RAC. A situação do endividamento das famílias brasileiras limita a expansão do aluguel como opção regular, tornando o aluguel um custo relativamente elevado para muitos consumidores”.
Anuário 2026 amplia escopo de análise
O Anuário Brasileiro do Setor de Locação de Veículos 2026 traz uma novidade relevante. Além dos indicadores tradicionais, o estudo passa a incluir dados inéditos.
Pela primeira vez, são analisados os implementos rodoviários.
A inclusão amplia o entendimento sobre a atuação das locadoras. O setor passa a ser observado também sob a ótica da logística. Isso reforça sua importância no transporte de cargas no país.
O anuário reúne ainda informações sobre faturamento, emplacamentos e empregos. Também detalha a participação das montadoras e a evolução das frotas.
Os dados ajudam a orientar decisões estratégicas do mercado.
Perspectivas de crescimento sustentável
Mesmo diante de um cenário econômico desafiador,
o setor de locação demonstra resiliência e capacidade de adaptação. A combinação de inovação, diversificação e eficiência sustenta o crescimento.
Com frota recorde e forte impacto econômico,
as locadoras consolidam seu papel na mobilidade brasileira. E seguem como protagonistas na transformação do setor automotivo nacional.







