
SÃO PAULO — A inteligência artificial está mudando a lógica de operação do turismo e exigindo uma adaptação imediata dos agentes de viagens, afirmou o especialista em inovação Walter Longo nesta segunda-feira (11), durante o Expo Fórum de Turismo 60+, no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo.
Segundo ele, o setor entrou em um ciclo de ruptura em que modelos tradicionais perdem eficiência diante de operações mais leves, automatizadas e orientadas por dados. “Nós não estamos mais em tempos de mudança, estamos em uma mudança de tempo. Tem muita gente migrando para as novas terras da tecnologia e da IA; quem não migrar ficará em terreno inóspito”, disse.
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Na prática, essa transformação a IA permite executar tarefas que antes exigiam equipe dedicada, como gestão de agenda, atendimento simultâneo, produção de conteúdo e organização de dados de clientes. “Tudo o que sempre foi privilégio de um presidente de multinacional com assistentes está agora disponível com qualidade para qualquer pessoa.”
Esse novo contexto altera diretamente a competitividade do setor. Com ferramentas acessíveis e, em grande parte, gratuitas, pequenas agências e profissionais independentes passam a disputar espaço em condições mais equilibradas com empresas maiores. “A inteligência artificial está sendo adotada precocemente por empresas menores e por pessoas mais velhas.”
Personalização do roteiro com IA no turismo 60+

O impacto mais imediato da IA no dia a dia do agente está na automação de processos e no ganho de escala no atendimento. Ferramentas permitem responder clientes em tempo real, operar 24 horas por dia e acompanhar informações relevantes sobre cada consumidor, como mudanças profissionais, datas importantes e interesses de viagem.
Esse monitoramento contínuo muda o papel do agente, que deixa de atuar apenas na venda pontual e passa a gerir o relacionamento ao longo do tempo. A tecnologia viabiliza ações como envio automático de comunicações personalizadas, identificação de oportunidades de venda e recomendação de serviços com base no histórico do cliente.
No turismo 60+, essa lógica se intensifica. Longo afirmou que o uso de dados permite abandonar ofertas genéricas e trabalhar com experiências personalizadas, respeitando o perfil e o momento de cada viajante. “Gerir uma empresa daqui para frente significa entender as pessoas, não apenas o negócio.”
Ele também alertou para a necessidade de ajustar a abordagem ao público mais velho, evitando padronizações. “Não tratemos idosos como incapazes; tratemo-los com dignidade e personalização.” Apesar da automação, o especialista ressaltou que o diferencial competitivo permanece no fator humano. Com processos operacionais reduzidos, o agente ganha tempo para atuar em escuta, curadoria e construção de relacionamento. “Nenhuma máquina será melhor que o ser humano com uma máquina.”
Ao encerrar, o palestrante afirmou que o avanço da inteligência artificial não elimina o papel do agente, mas redefine sua função dentro da cadeia de valor. “O futuro não é um lugar para onde vamos; é um lugar que ajudamos a construir.”







