
Durante a Intermodal South America; maior feira na América Latina do setor de logística; comércio exterior e transporte mundial foi realizado um painel que discutiu “O Futuro da Indústria de Carga Aérea no Brasil”. Participaram do painel Carlos Eduardo Pellegrino; diretor de Operações da Anac; Ronaldo de Lemos; diretor Técnico do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias; Ednaldo Santos; superintendente de Logística de Carga da Infraero; Marco Aurélio Soares; presidente da Logimasters; e Carlos Ebner; diretor para o Brasil da Iata. Como moderador estava Kai Heinicke; da Boeing Commercial Airplanes. Na pauta estavam a competição entre carga aérea e marítima; o desequilíbrio na balança comercial entre importação e exportação; e a Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas 2016.
Sobre o primeiro assunto; os painelistas foram unânimes dizendo que não existe competição entre as modalidades de transporte e sim que deve haver uma complementação entre eles. “O que existe é um produto específico para cada canal. O marítimo é muito mais barato (pelo menos 10 vezes) que o aéreo e tem maior capacidade; enquanto o aéreo serve para carregar cargas de alto valor agregado e outros emergenciais”; disse Soares da Logimasters. Segundo ele; o marítimo representa 98% e o aéreo somente 2% das exportações do Brasil. Para o representante da Infraero; a tendência é que a carga aérea cresça; porém; é necessário melhor infraestrutura para que ela possa se desenvolver.
Sobre o desequilíbrio entre importação e exportação eles acreditam que a tendência é permanecer como está; ou seja; as importações ganhando das exportações. Em 2009; o Brasil importou 250 mil toneladas e exportou somente 180 mil. Um dos fatores que contribuem para esse cenário é o dólar baixo e o tipo de produto que o Brasil compra e vende. “O Brasil exporta grande volume mas de produtos agrícolas enquanto importa produtos de maior valor agregado”; disse Ebner da Iata. Segundo os painelistas é importante o país investir em automação para que haja um equilíbrio na balança e também investir em infraestrutura para reverter esse quadro e tranformar o país em um grande exportador.
Sobre a temática grandes eventos esportivos; a pergunta que foi feita pelo moderador era sobre os efeitos que a Copa e as Olimpíadas terão no volume de carga recebida no país. A Infraero se antecipou dizendo que ações já estão sendo tomadas como a ampliação da infra nos aeroportos de Viracopos (Campinas); Guarulhos (SP) e Galeão (RJ). A Anac também se justificou dizendo que estudos das melhores práticas estão em desenvolvimento e que eventos como os Jogos Militares; que acontecem este ano no Rio de Janeiro; servirão de experiência e treinos para a Copa e Olimpíadas.
Já o representante da Logimasters foi duro nas críticas e disse que nada adiantará investimentos em ampliação caso as legislações não mudem. “Precisamos melhorar e modernizar nossa legislação de feiras e eventos para poder atender as delegações que virão para o Brasil. Senão de nada adiantará as demais melhorias”; declarou. Entre os exemplos que ele citou esta a ampliação do terminal de cargas de Guarulhos em 14 mil mtros quadrados. “Hoje existe uma área de cerca de 13 mil metros quadrados em Guarulhos sendo usada como depósito para carga apreendida; ou seja; a Infraero não precisaria construir mais um metro se essa carga fosse retirada para outro lugar”; disse.
Kai Heinicke






