
O CEO da Latam Airlines Brasil, Jerome Cadier, voltou a comentar o debate sobre o possível fim da escala 6×1 no Brasil após a repercussão de declarações dadas durante a divulgação dos resultados financeiros da companhia no primeiro trimestre de 2026. Em publicação nas redes sociais, o executivo afirmou que suas falas anteriores foram interpretadas de forma incompleta e reforçou que pilotos e comissários continuarão seguindo as regras previstas na Lei do Aeronauta.
A discussão ganhou força depois que Cadier mencionou, durante coletiva de imprensa, que mudanças trabalhistas poderiam gerar impactos relevantes para operações aéreas, incluindo voos internacionais. A declaração repercutiu nas redes sociais e entre profissionais do setor aéreo.
Em novo posicionamento, o CEO buscou separar dois cenários dentro da aviação: o dos aeronautas, que atuam diretamente nas aeronaves, e o dos aeroviários, responsáveis pelas operações em solo.
“O tema de hoje será o da escala 6×1”, iniciou Cadier em sua publicação. Segundo ele, pilotos e comissários possuem regras específicas de jornada e descanso ligadas diretamente à segurança operacional.
“Não podemos perder o trabalho detalhado feito nos últimos anos refletido nesta lei”, escreveu o executivo ao comentar a Lei do Aeronauta.
Lei do Aeronauta seguirá valendo para pilotos e comissários

A Lei do Aeronauta estabelece regras específicas para profissionais da aviação civil, incluindo limites de jornada, períodos obrigatórios de descanso e critérios operacionais voltados à segurança de voo.
Segundo Jerome Cadier, um eventual fim da escala 6×1 no Brasil não altera automaticamente essas normas já regulamentadas para pilotos e comissários.
O executivo da Latam revelou ainda que se reuniu na segunda-feira (18) com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, para discutir o assunto. De acordo com ele, o encontro serviu para evitar interpretações distorcidas sobre o posicionamento da companhia aérea.
“Foi importante. Pude repetir pessoalmente o que disse, sem distorções”, afirmou.
Cadier também disse que recebeu do ministro a garantia de que as discussões sobre mudanças na jornada de trabalho não devem afetar a legislação específica da aviação.
“O ministro assegurou: o fim da escala 6×1 não vai implicar em qualquer alteração do que já está previsto e regulamentado pela Lei do Aeronauta”, publicou.
Funcionários de solo poderão ter mudanças operacionais
Enquanto pilotos e comissários seguem protegidos por regras próprias, a situação dos aeroviários poderá exigir adaptações internas nas companhias aéreas.
Os aeroviários são os profissionais que trabalham em solo, em funções como check-in, embarque, despacho operacional, atendimento ao cliente, manutenção e serviços aeroportuários.
Segundo o CEO da Latam, a empresa já se prepara para possíveis ajustes operacionais caso a mudança na escala seja aprovada futuramente no País.
“No caso dos aeroviários, estamos preparando normalmente os ajustes necessários em função das mudanças da escala quando elas vierem”, escreveu Jerome Cadier.
A companhia não detalhou quais alterações poderiam ser implementadas nem os impactos financeiros envolvidos. Ainda assim, o tema preocupa empresas do setor aéreo porque aeroportos e operações funcionam de maneira contínua, incluindo madrugadas, finais de semana e feriados.
Qualquer mudança nas jornadas pode exigir reorganização de equipes, novas contratações e revisão de custos operacionais.
Debate sobre escala 6×1 cresce no Brasil
A escala 6×1 prevê seis dias consecutivos de trabalho para um dia de descanso e é comum em áreas como comércio, serviços, hotelaria, turismo, aeroportos e transporte aéreo.
Nos últimos meses, o tema ganhou força nas redes sociais, sindicatos e discussões políticas envolvendo possíveis mudanças nas regras trabalhistas brasileiras.
Defensores da proposta afirmam que jornadas menos intensas podem melhorar qualidade de vida, produtividade e saúde mental dos trabalhadores. Já setores que dependem de operação contínua demonstram preocupação com impactos financeiros e operacionais.
No caso da aviação, o debate ganhou maior repercussão após a fala inicial de Cadier sugerir possíveis impactos sobre voos internacionais caso mudanças fossem implementadas sem adaptação operacional.
Após a repercussão, a Latam decidiu detalhar publicamente sua posição e reforçar que as regras aplicadas à aviação possuem características específicas relacionadas à segurança operacional.
Segurança operacional segue como prioridade na aviação
Especialistas do setor aéreo defendem que regras envolvendo descanso e limite de jornada das tripulações são fundamentais para garantir segurança nas operações.
Voos de longa duração, fusos horários, operações noturnas e jornadas extensas fazem com que pilotos e comissários sigam regulamentações diferentes de outros setores da economia.
Por isso, a Lei do Aeronauta é considerada uma das principais referências da aviação brasileira quando o assunto envolve segurança operacional e controle de fadiga.
A manifestação de Jerome Cadier acontece em um momento em que companhias aéreas tentam equilibrar aumento da demanda, custos operacionais elevados e desafios ligados à mão de obra especializada.
Ao encerrar a publicação, o CEO da Latam afirmou que o objetivo da conversa com o ministro foi manter o debate sem ruídos. “Tema esclarecido. Isso que importa. Vamos em frente”, escreveu o executivo.







