Tragédia em rope jump na Ponte do Esqueleto termina em disputa judicial com o Governo Federal
Ponte do Esqueleto, em Limeira (Wesley Almeida/EPTV)

A morte de uma jovem de 21 anos durante uma prática de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), no último fim de semana, ganhou repercussão nacional e chocou moradores da região pelas circunstâncias da tragédia. O caso também desencadeou uma disputa sobre responsabilidades envolvendo a administração municipal e o Governo Federal.

A vítima, Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, morreu após ser lançada de uma plataforma de aproximadamente 40 metros de altura sem estar presa à corda de segurança utilizada na atividade. A queda ocorreu na manhã de sábado (13), durante um evento de rope jump realizado na trilha da ponte.

Segundo relato de uma testemunha à Polícia Militar, os responsáveis pela operação teriam esquecido de conectar o equipamento de segurança antes do salto. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que a jovem é carregada até a plataforma por integrantes da equipe organizadora. Após ela ser lançada, é possível ouvir pessoas gritando frases como “a corda” e “gente, a corda”.

O Corpo de Bombeiros e equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados, mas a morte foi constatada ainda no local.

Prefeitura atribui responsabilidade à União

No domingo (14), a Prefeitura de Limeira divulgou uma nota na qual afirmou que vinha cobrando providências dos órgãos federais responsáveis pela área e classificou como inadmissível a falta de medidas de controle e segurança no local.

De acordo com a administração municipal, a Ponte do Esqueleto é uma área de responsabilidade federal, cabendo à União a fiscalização, manutenção e restrição de acesso. O município afirmou ainda que tanto a Prefeitura quanto a Câmara Municipal já haviam encaminhado ofícios solicitando providências.

“A tragédia torna insustentável e inaceitável a continuidade dessa omissão”, afirmou a administração em comunicado.

Segundo o município, pedidos formais foram encaminhados aos órgãos competentes por iniciativa da vereadora Bruna Magalhães, mas, até o momento, não teriam resultado em ações efetivas.

O prefeito Murilo Félix também cobrou apuração sobre as condições de acesso à área e reforçou as críticas à atuação do Governo Federal. “Além das circunstâncias que levaram à morte da jovem, é preciso apurar a responsabilidade pela falta de controle de acesso a uma área federal que, há anos, apresenta riscos conhecidos e segue sem as medidas de proteção necessárias. A Prefeitura e a Câmara vêm cobrando providências há meses para que o Governo Federal assuma sua responsabilidade. Infelizmente, a omissão federal acaba de resultar em mais uma tragédia em Limeira”, declarou.

Empresa cobrava até R$ 250 por salto

Com o início das investigações sobre a falha que levou à morte da jovem durante a atividade na Ponte, vieram à tona mais informações sobre a operação comercial da atividade.

O grupo responsável pelos eventos cobrava R$ 180 por participante para os saltos realizados na Ponte do Esqueleto. Havia vagas abertas para atividades na sexta-feira (12) e no sábado (13), além de uma nova data programada para 11 de julho no mesmo local.

Os organizadores também promoviam eventos em outras cidades. Em Rio Claro (SP), os saltos previstos para junho e julho eram anunciados por R$ 210. Já em Minas Gerais, atividades agendadas para os dias 18 e 19 de julho custavam R$ 250.

Segundo o advogado Rafael Gomes dos Santos, que representa três dos presos envolvidos no caso, o rope jump não possui regulamentação específica no Brasil, mas também não é proibido. O defensor afirmou que eventos semelhantes já haviam sido realizados anteriormente na Ponte do Esqueleto sem intervenção das autoridades.

Ele informou ainda que a atividade realizada no sábado reunia cerca de 100 participantes e classificou o episódio como uma “triste fatalidade”, ressaltando que os organizadores praticavam a modalidade há anos sem registro de acidentes anteriores.

Seis pessoas foram presas

A ocorrência mobilizou forças de segurança e resultou na prisão de seis pessoas. Conforme a Polícia Militar, dois homens deixaram o local após o acidente e foram localizados posteriormente com o apoio do helicóptero Águia, após buscas em uma área de mata.

O caso foi registrado no 2º Distrito Policial de Limeira, que conduz as investigações para esclarecer as circunstâncias do acidente e apurar eventuais responsabilidades criminais.

Nas imagens registradas no local, integrantes da equipe aparecem utilizando camisetas com as marcas Entre Cordas e Ih Voei. Até o momento, representantes das empresas não se manifestaram sobre o ocorrido.

Enquanto as investigações avançam, o caso reacende o debate sobre a fiscalização de atividades de aventura em áreas públicas, a responsabilidade dos organizadores e o controle de acesso a estruturas consideradas de risco.