Tóquio passa a multar turistas e moradores por jogar lixo nas ruas de Shibuya
Shibuya Crossing: o cruzamento mais famoso e tumultuado do Japão (Timo Volz/Unsplash)

A região de Shibuya, um dos principais cartões-postais de Tóquio, adotou uma política mais rígida para combater o descarte irregular de lixo nas ruas. Com o slogan “Quem joga lixo, perde dinheiro”, autoridades locais passaram a aplicar multa de 2 mil ienes — cerca de R$ 65 — a pessoas flagradas jogando resíduos no chão.

A cobrança é imediata e pode ser feita em dinheiro, cartão de crédito ou por QR Code. Para reforçar a fiscalização, até 50 agentes atuarão nas ruas de Shibuya, um dos bairros mais visitados da capital japonesa. Em alguns distritos, estabelecimentos comerciais que não disponibilizarem lixeiras para os clientes também poderão ser penalizados.

Turismo recorde pressiona infraestrutura urbana


A iniciativa ocorre em meio ao crescimento acelerado do turismo internacional no Japão. Em 2025, o país recebeu um recorde de 42,7 milhões de visitantes, impulsionado pela popularidade do destino nas redes sociais, pela desvalorização do iene e pela isenção de visto para turistas brasileiros.

O aumento do fluxo de visitantes, no entanto, tem provocado desafios para as cidades japonesas. Entre os principais problemas apontados pelas autoridades estão a superlotação de atrações turísticas, congestionamentos, excesso de resíduos e impactos na rotina da população local.

Como resposta, o governo japonês vem adotando diversas medidas para controlar o excesso de turistas em destinos muito procurados, como Shibuya e o Monte Fuji. Além do endurecimento das regras de limpeza urbana, foram criados aplicativos que informam, em tempo real, o nível de ocupação de diferentes áreas turísticas para distribuir melhor o fluxo de visitantes.

Poucas lixeiras são característica das cidades japonesas

Um dos fatores que contribuem para o problema é a reduzida quantidade de lixeiras nas vias públicas japonesas.
A ausência desses equipamentos está relacionada a medidas de segurança adotadas após ameaças terroristas, já que recipientes de lixo podem ser utilizados para esconder explosivos. Apesar disso, a situação frequentemente surpreende turistas, que costumam apontar a dificuldade para descartar resíduos como um dos principais inconvenientes durante a viagem ao Japão.

Shibuya Crossing recebe milhares de pessoas a cada sinal

A nova fiscalização concentra-se em Shibuya, bairro que abriga a famosa Shibuya Crossing, considerada a travessia de pedestres mais movimentada do mundo.

Nos horários de maior movimento, entre mil e três mil pessoas atravessam simultaneamente o cruzamento a cada abertura do sinal. O fluxo é coordenado por um sistema sincronizado de semáforos que libera a passagem em todas as direções aproximadamente a cada dois minutos.

Além de sua importância para a mobilidade urbana, o cruzamento tornou-se um dos maiores símbolos de Tóquio e já serviu de cenário para produções cinematográficas como Encontros e Desencontros (2003), dirigido por Sofia Coppola, e Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio (2006).

Estação Shibuya também abriga a história de Hachiko


Ao lado da travessia está a Estação Shibuya, um dos principais terminais ferroviários da capital japonesa e ponto de conexão entre Tóquio e Yokohama.

O local também é conhecido mundialmente pela história de Hachiko, o cão da raça akita que, mesmo após a morte inesperada de seu tutor, continuou durante quase dez anos esperando seu retorno na estação. O episódio transformou Hachiko em símbolo da lealdade na cultura japonesa e inspirou o filme Sempre ao Seu Lado (2009). Hoje, uma estátua de bronze em frente à estação é um dos pontos turísticos mais visitados da cidade.
Medidas buscam preservar a qualidade de vida

Com o turismo internacional em níveis históricos, o Japão busca equilibrar a recepção aos visitantes com a preservação da qualidade de vida nas cidades. O endurecimento das regras de limpeza urbana em Shibuya faz parte desse esforço e sinaliza uma tendência de maior fiscalização em áreas de grande circulação de turistas, onde o descarte inadequado de lixo passou a representar um dos principais desafios da gestão urbana.